PAICV vai a tempo de “arrepiar o caminho” caso queira “verdade democrática”

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Desafio é de José Sanches, militante do PAICV, e vem na sequência da fraude detetada nas recentes eleições internas no seu Partido em Santiago Norte

José Sanches, Deputado do PAICV na Legislatura anterior e candidato à liderança do PAICV, em 2019, mas que retirou a candidatura devido a alegados atos de intransparência no processo que reconduziria Janira Hopffer Almada, voltou à ribalta, após um período afastado dos holofotes públicos, para contestar o processo de eleição em Santiago Norte, realizado recentemente.

  • A posição de Sanches decorre da fundamentação da Comissão Nacional de Jurisdição e Fiscalização do PAICV, CNJF, que deu como provado um conjunto de irregularidades na eleição de Carla Carvalho, em Santiago Norte.

O político que leu o relatório e a deliberação da CNJF, tendo, na sequência feito uma “reflexão profunda” do seu conteúdo começou por citar Martin Luther King, referindo-se que “quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele”. Adiante, advoga ser necessário dar um “basta” a “ações vergonhosas” que denigrem o PAICV. “Ademais, como é que passados todos estes anos de democracia, de combate e disputa política, seja quem for, pensa e arquiteta que para perpetuar em cargos e funções no PAICV e no País, os fins justificam os meios adotados?”, indagou, em jeito de desabafo.

É entendimento de José Sanches que estas eleições não deviam ser mandadas repetir nalguns Municípios mas anuladas no seu todo, uma vez ter ficado provado várias irregularidades neste ato eletivo, defendendo mesmo que os fraudulentos devam ser “sancionados”, em nome da transparência. “Em nome do grande Partido que é o PAICV, em nome da Região Santiago Norte, em nome da Democracia e transparência, estas eleições deveriam ser anuladas no seu todo, os praticantes de fraude e irregularidades eleitorais sancionados”, pontua.

Silêncio perturbador

No seu texto publicado na rede social Facebook, Sanches estranha igualmente o silêncio em torno deste processo, e advoga que o crime eleitoral no interior do PAICV “não deve compensar a ninguém”.

“Os seus algozes devem ser repudiados e não andar a propalar a tese de que internamente isto não é nada”, enfatizou, vincando que o seu repúdio “dirige-se, neste momento, aos que praticaram atos irregulares, provados pela CNJF”

“Como serão tratados os futuros dirigentes saídos destas eleições marcadas por irregularidades ao ponto de parte delas serem anuladas?” indaga Sanches, para quem repetir as eleições em São Miguel, “seria legitimar as irregularidades e ao mesmo tempo fechar os olhos ao que aconteceu em São Miguel, Santa Cruz e Santa Catarina”. Admite, no entanto, que ainda é tempo de “arrepiar o caminho” em nome da democracia e da verdade democrática. “Vamos arrepiar o caminho, ainda vamos a tempo de contribuir para a prática da democracia e da verdade democrática. Por mim, qualquer candidatura que pratica aquilo que está relatado na deliberação da CNJF não está em condições políticas e moral de representar Santiago Norte”, concluiu.

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1 COMENTÁRIO

  1. Quem está por detrás das duas candidaturas em S. Tiago Norte e’ a própria Janra H. Almada. Embora a sua preferida fosse Carla Carvalho, personalidade mais impopular de S. Miguel mas tão batoteira como ela própria, JHA enganou o outro candidato Ido, recomendando-lhe a arguida do Fundo do Ambiente – Edna Barreto para seu número dois como condição para também financia-lo. O mesmo jogo feito no passado recente em S.Tiago Sul com Francisco Carvalho e Nelson Centeio e que lhe permitiu controlar todos os lugares da CPR, destituindo facilmente o Nelson três meses depois de eleito.
    A grande dúvida e’ se Rui Semedo tem tomates para libertar o PAICV das armadilhas da Janira ! Veremos …

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