PRESIDENCIAIS DE 2021: O tempo certo!

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“… Existe um tempo certo para cada coisa, momento oportuno para cada propósito debaixo do Sol: Tempo de nascer, tempo de morrer; tempo de plantar, tempo de colher…

….

Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar; tempo de chorar e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de afastar. Há tempo de procurar e tempo de perder; tempo de economizar e tempo de desperdiçar; tempo de rasgar e tempo de remendar; tempo de ficar calado e tempo de falar. Há tempo de amar e de odiar; tempo de guerra e tempo de paz. Eclesiastes, Cap. 3

Há realmente um tempo para tudo.

Um tempo para as presidenciais e um tempo para os candidatos presidenciáveis;

Um tempo para se apresentar como candidato e um tempo para não se ser candidato;

Há um tempo para o descanso, porque o tempo é um outro tempo;

É o tempo para outros protagonistas, tempo de outras promessas e tempo de outras ilusões necessárias.

O tempo recomenda, a alguns, uma pausa para refletir, ler e descodificar os sinais dos tempos, para que não se enganem nos cálculos e se venham a cair com estrondo no mar do tempo das desilusões.

É tempo de se matutar sobre o tempo!

Porque, afinal, o tempo não perdoa!

Pois bem, muito se tem escrito e falado sobre as presidenciais de 2021, estando, alguns protagonistas, as conferindo, aparentemente, maior importância que as legislativas que terão lugar no mesmo ano. Falar da questão, não constitui, em si, um problema, as minhas dúvidas recaem sobre os motivos reais ou imaginários que estarão na origem desse falatório.

Confesso que desconheço das razões de fundo ou da falta delas que levam muitos atores estarem mais preocupados com as presidenciais do que as legislativas, embora, ultimamente, tenho começado a desconfiar-me das motivações subjacentes a tais exercícios.

Pelas informações que disponho e que reputo de seguras, se a situação política se mantiver tal como está agora, o MpD ganhará as eleições legislativas de 2021. O PAICV perderá as eleições, e não irá conseguir tirar nenhuma vantagem de um eventual desgaste do governo. A UCID continuará a ser o pequeno partido, e pouco ou nada ganhará em termos de transferências de votos. O que significa que o grosso do eleitorado não se revê nas soluções alternativas ou ausência delas dos partidos da oposição.

Que ilações a tirar dessas informações seguras:

  • Que o nível de confiança no partido e no governo mantém-se, embora com um pequeno decréscimo;
  • Que, malgrado, algum decréscimo de intenção de voto no partido do governo, essa perda não se transfere para a oposição, quer do PAICV quer da UCID;
  • Que em virtude da não transferência de votos do partido do governo para os da oposição, estes não estão a crescer eleitoralmente, o que não deixa de ser motivo de ponderação quanto à forma, estilo e conteúdo discursivo usada para fazerem a oposição.

Os dados apontam ou sugerem que a oposição ao governo terá de proceder a ajustes estratégicos na sua ação de oposição, pois, caso contrário, não constituem nem opções válidas nem esperança catalisadora para uma franja significativa do eleitorado cabo-verdiano.

Talvez seja o tempo para a oposição parar um pouco para pensar.

Essas informações a que faço alusão, talvez estejam na base e na, eventual, justificação para que alguns tenham estado a dar, no discurso político, a primazia às presidências em detrimento das legislativas. Será essa aparente “almofada de intenção de votos” que estará a levar alguns a pensar que as legislativas estarão mais ou menos garantidas e que importará agora tratar das presidenciais?

Creio que se alguém anda a pensar assim, estará equivocado.

Primeiro, porque não há garantias absolutas de que se ganham eleições legislativas a 2 anos de distância, mesmo estando muito confortável nas sondagens;

Segundo, porque em dois anos podem acontecer muitas coisas inesperadas e que poderão alterar, num ápice, o panorama atual.

Mas talvez a verdade, a dura verdade, seja que as contas das presidenciais não estarão tão risonhas como as das legislativas. E será?

Segundo as mesmas informações fidedignas, as contas das presidenciais não estão favoráveis a uma candidatura apoiada pelo partido do governo, sobretudo se for num cenário em que o confronto seja entre o Carlos Veiga e o José Maria Neves. A vantagem deste é relativamente confortável e tende a consolidar-se no tempo.

Parece residir aqui a grande justificação para sucessivos ataques a uma eventual candidatura de José Maria Neves, por parte de determinados setores, ataques esses que não têm logrado estancar ou desacelerar o crescimento do eventual candidato em termos de intenção de voto.

O grande problema do candidato testado, Carlos Veiga, situa-se no nível elevado de rejeição por parte do eleitorado. É sabido que quando o nível de rejeição a um candidato é extremamente alto, a probabilidade de sucesso deste é substancialmente diminuta. Além de mais, esse nível de rejeição é persistente e consistente pelo que será difícil de o contornar ou de o reverter.

Infelizmente, foram testados, apenas, os dois candidatos, o que, de alguma forma, limita o alcance das análises, bem como não facilita uma avaliação mais profunda de diferentes cenários e as perspetivas ou chances dos diversos pré-candidatos às eleições presidenciais de 2021.

De qualquer forma, o que fica claro é que a maioria que se constituiu para eleger o atual presidente da república, não suportará, na plenitude, uma candidatura protagonizada por Carlos Veiga, e o risco de uma derrota, face ao campo da oposição, é enorme.

Resta saber se nos próximos estudos serão testados outros nomes que poderão permitir outras informações, quiçá mais favoráveis, aos interesses políticos e estratégicos da área do partido do poder.

Não será difícil de imaginar que, provavelmente, o que o MpD menos desejaria era ganhar as legislativas e ter de coabitar com um presidente apoiado pela oposição, e sobretudo se esse presidente for o José Maria Neves. É que num cenário de uma derrota do PAICV nas legislativas, a oposição sairia muito enfraquecida, enquanto oposição ao governo, e poderia abrir-se espaço para que o poder moderador do presidente da república fosse enquistado pela tentação de substituir-se à uma oposição profundamente debilitada.

Ademais, o risco de uma coabitação difícil põe-se em qualquer um dos cenários. Os presidentes da república, em cujo curriculum conste 10 ou 15 anos de funções como primeiro-ministro, têm no seu ADN uma tentação intervencionista que poderá ser fatal a qualquer governo. A história é fértil em exemplos desse tipo, pelo que não creio que o MpD esteja interessado em experimentar tais soluções.

A racionalidade política recomenda que se veja para os dados disponíveis sem aquele temor reverencial, mas também sem aquela paixão que cega e dificulta ter um olhar sobre as coisas com olhos de ver.

É tempo de se abrir a um horizonte mais vasto, sem se curvar perante o que “tem que ser” ou, pior ainda, perante o roteiro fatal do conhecido filme “Pagador de Promessas”.

O caminho a seguir só poderá ser um: para quem esteja no poder e tenha interesse em lá permanecer tranquilamente, é-se obrigado a traçar o perfil ideal do tipo de presidente da república que deseja ter como parceiro e lutar para a sua eleição.

Não há outra solução!

P. S.: A propósito da publicidade do governo nos órgãos de comunicação social e a subsequente queixa do PAICV à ARC, emergem questões seguintes:

  1. O conteúdo emitido é publicidade ou não? Obviamente que sim, e tem cobertura na b) do nº 1 do artigo 3º do Código de Publicidade;
  2. É proibido o Estado fazer a publicidade? Não. O artigo 50º do Código de Publicidade admite que o Estado possa fazer publicidade e remeteu a sua regulação para diploma específico;
  3. Existe esse diploma específico que regula a publicidade do Estado? Não.
  4. Em quê que a ARC poderá basear-se para tomar uma decisão? A ARC não tem base legal para atuar, a não ser que verifique que tenha havido a violação do disposto no artigo 47º do Código de Publicidade, que não é o caso, aplicando a decisão por analogia;
  5. É a primeira vez que se faz publicidade do Estado nos órgãos públicos de comunicação social? Não. Curioso nisso tudo, é que publicidade do Estado (incluindo a do governo) tem uma longa e histórica tradição entre nós, senão vejamos:
  6. a) A publicidade de anúncios e concursos para recrutamento de pessoal;
  7. b) A publicidade das empreitadas e obras públicas diversas;
  8. c) A publicidade para aquisição de bens e serviços;
  9. d) A publicidade de realizações do governo, esta a mais recente.

A publicidade em que se utiliza os beneficiários das ações do Estado para falar do impacto das mesmas, a meu ver, não coloca questões éticas, desde que as pessoas em referência, sejam devidamente informadas e esclarecidas sobre o fim a que destinam as suas declarações ou depoimentos, e desde que deem, inequivocamente, o consentimento informado e esclarecido.

Duvido que esta publicidade do governo seja a forma mais eficaz de se comunicar. Mas o seu eventual défice de eficácia estará a ser devidamente impactada pela démarches da oposição, que está a colocar essa publicidade no centro do debate político.

O resultado dessa polémica é que um fato que até poderia passar-se despercebido do grande público, passou a ser matéria dominante da política indígena.

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11 COMENTÁRIOS

  1. “Post scriptum, geralmente abreviado como P.S. (do latim, literalmente “pós-escrito”, ”escrito depois”),[nota 1] originariamente indicava algo que se julgasse necessário acrescentar a uma carta após o seu encerramento (depois do fecho, da assinatura etc.).[3] Com o tempo, foi-se percebendo que essa fórmula servia para corrigir os lapsos de memória ou simplesmente informar que haviam ocorrido alterações depois que se dera a carta escrita à mão por concluída. O post scriptum é erroneamente utilizado como uma estratégia retórica: depois de percorrer todo o corpo do texto, o leitor se depara no fim com uma ideia posta em destaque, colocada ali com suposta despreocupação, que equivaleria na fala ao “Ah! Antes que eu me esqueça”, que sempre anuncia o mais importante que se tem a dizer. É justamente esse efeito do post scriptum que explica a sua utilização nas cartas e mensagens escritas no computador, uma vez que, com os recursos de correção e arrependimento trazidos pelos processadores de texto, o utilizador pode simplesmente incluir no texto o que tinha esquecido sem mais usar essa figura de linguagem. Em português o termo equivalente é “em tempo” ou “pós-escrito”, expressões modernizadas encontradas em alguns dicionários.[1] Apesar disso, mantém-se ainda hoje em dia o uso frequente da abreviatura “P.S.”. “Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Post_scriptum (04/06/2019). Ora, tudo isto para dizer que, o “PS” serve para nada que não seja para as finalidades atrás mencionadas.

  2. Confesso que detesto comentar “adivinhações”, Uma questão de rigor, coisa pessoal minha, uma chatice minha. Assumo-a com naturalidade. Quem contava ler uma análise objectiva, sobre possíveis cenários políticos que se desenham com as próximas eleições (digo próximas), defrauda-se com esse tipo de adivinhações, do tipo “pelas informações que reputo de seguras, o partido A deve perder as eleições, e (…) candidato apoiado pelo partido B, não deve ganhar contra o candidato apoiado pelo partido A”. Ora, baboseiras tem limites. O autor dessas baboseiras, sabe como eu e todo sabemos, de como essas adivinhações foram postas a circular em 1990, antes e durante as eleições. O autor sabe como todos sabemos o que veio depois. “Xitada”, “bari-mesa”, como dizia o Dico Monteiro num comício na ASA, na presença do autor. mais parece um pastor evangélico a pregar o fim do mundo no tempo maior do Paiol de Coqueiro. Ademais, caldo de galinha e um pouco de humildade, mesmo nas previsões, nunca fizeram mal a ninguém, nem ao mais lúcido dos adivinhos.

  3. Referente as presidencias nao sei quais as certezas seguras que o Jose Antonio conhece. A certeza do que sei e do que se sabe Carlos Veiga garantidamente com vida e saude ganha as proximas eleicoes folgadamente. Atrevo a dizer que as “contas” a cobrar do PAICV ao Jose Maria sao piores do que as “contas” do David Hopfer Almada para com o PAICV. O sucesso e o merito de Carlos Veiga esta na forma como ele se apresentar e comunicar. E, deve faze-lo de forma autonoma. Com efeito, o veneno analitico do Jose Antonio, eh, profundamente ligeira pecando, logica, cronologica, e, analogicamente, para nao dizer mais.

  4. Infelizmente já começam as movimentações públicas dos ex PCDs e PRDs e contra Carlos Veiga dentro do próprio MPD. Se Carlos Veiga quiser com vida e saúde apresentará a sua candidatura pois as presidenciais não são eleições de partidos políticos. Este seu artiguinho vem fora do tempo e tem as suas intenções que a seu tempo serão claras. Apresente o seu candidato pois escrever um artigo fora do tempo só para atacar uma potencial candidatura demonstra claramente a sua personalidade e o seu jogo de interesses. O futuro dirá o que pretende com este ataque pessoal a Carlos Veiga é favor a JMN. Tudo a seu tempo.

  5. Uma coisa é certa : o autor mostra pouco traquejo na arte da escrita formal. Muito bla, bla, usa e abusa do “PS”, sem muito se der conta da ofensa às normas basilares de uma redação cuidada. Nem parece um ex- ministro de Carlos Veiga. Desleixo absoluto à escrita e muita presunção de vaidade.

  6. Até apetece dizer-se : um tempo para não escrever asneiras, JAR. Um grande poeta, quando fecha a matraca.

  7. Há um tempo, até para se evitar falar asneiras. Dizer estar-se na posse de informações “seguras” sobre resultados eleitorais, para daqui a dois anos e meio, só pode coisa de bruxo. Normalmente, na narrativa sociológica e eleitoral, é comum: “se as eleições fossem ontem, semana passada, mês passado, etc.), os resultados de uma pesquisa indicam (…)”. Sempre no passado. Tratando-se de um tempo futuro, a referência é ao futuro próximo, depois de analisadas as variáveis suscetíveis de variar no espaço temporal definido, bem como a probabilidade e intensidade dessa variação. Agora, afirmar taxativamente estar na posse de informações seguras sobre como serão os resultados das legislativas e presidenciais para daqui a dois anos denota falsa de senso críticos, falta de equilíbrio na análise, mas denota também uma profunda patologia partidocrática. Nenhum cientista social se arriscava a tanto. Mas. como disse o autor, há um tempo para tudo…até para não dizer asneiras.

  8. Há também um tempo para se aprender a ler e a interpretar um texto:

    “Pelas informações que disponho e que reputo de seguras, se a situação política se mantiver tal como está agora, o MpD ganhará as eleições legislativas de 2021. O PAICV perderá as eleições, e não irá conseguir tirar nenhuma vantagem de um eventual desgaste do governo. A UCID continuará a ser o pequeno partido, e pouco ou nada ganhará em termos de transferências de votos”.

    Ora, se a expressão “se a situação política se mantiver tal como está agora” não diz nada a quem lê, então estamos mal de leitura.

  9. Pois é, há um tempo para bancar-se esperto e um tempo para bancar-se adivinho. Ora, o JAR tem a manias de sabichão, porém, ele é pego nos detalhes, senão vejamos. O facto de condicionar a vitória e derrota de uns e outros, à manutenção da “situação política actual”, significa que, que as informações que reputa de “seguras”, afinal, são meros bluffs. Não são seguras, estão fora do controle, são condicionadas. Cresça e apareça, meu caro.

  10. “A (sua) emenda foi pior que o soneto”, caro JAR. Não seria esse o tempo de ficar calado? O homem insiste em informações “seguras”, porém condicionadas à manutenção de um conjunto de situações, políticas que nem ele nem ninguém controla. JAR até parece aquele pescador de Santa Cruz, que se despediu de todos amigos e familiares, no Porto de Pedra Badejo, com destino à Ilha do Maio. Meio de transporte: lancha à vela. Combustível: Vento. Como não ventou durante uma semana, o nosso (JAR, pescador) ficou uma semana no porto de Pedra Badejo a jogar bisca com a esposa a ter de trazer café, almoço e jantar diariamente. Faltou vento. Fala sério, rapaz.

  11. “JAR e a alegoria da caverna”. O rapaz cria um mundo fantasioso de vitórias e derrotas, e, com base nas fantasias, distribui essas mesmas vitórias e derrotas entre os seus amigos e seus desafetos. Sobressai dessa longa discussão, uma penante incapacidade intelectual do JAR em distinguir entre o “seguro” e o não é seguro. JAR discorre sobre o inseguro, faz uma série de conjeturas supostamente verídicas como se fosse seguro. É, de resto, o que fazia e ainda faz o JMN. O que se não se esperava, evidentemente, é que um antigo Ministro de Carlos Veiga fosse tão “zen” em termos de reflexão.

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