EDITORIAL. Quando o direito de resposta se transforma em favoritismo editorial

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O jornalismo responsável exige equilíbrio, proporcionalidade e rigor, sobretudo no tratamento de conteúdos sensíveis como o direito de resposta. Ora, foi precisamente isso que esteve em causa na forma como a TCV geriu a resposta do Presidente do PAICV às acusações feitas pelo Secretário-Geral do MpD sobre a existência de um alegado manual digital destinado a atacar o Governo e o Primeiro-Ministro, um assunto tornado público pelo OPAÍS.cv.

No Jornal da Tarde, a TCV esteve bem. Demonstrou discernimento editorial ao emitir a peça do PAICV após o intervalo, tal como tinha feito dias antes com a do MpD. Este paralelismo no posicionamento garante não só a coerência, mas sobretudo a imparcialidade, algo imprescindível num serviço público de televisão.

No entanto, o Jornal da Noite revelou uma inexplicável quebra desses mesmos critérios. A peça de resposta do Presidente do PAICV foi colocada como segunda do alinhamento editorial, logo a seguir à abertura, em total desproporção face à peça do MpD, que tinha sido transmitida anteriormente apenas por volta do minuto 16.

A pergunta impõe-se: Com base em que critérios foi tomada esta decisão editorial? Se a intenção era tratar com equidade os dois partidos, então a decisão foi manifestamente errada. A incoerência no posicionamento não pode ser ignorada e, pior, levanta dúvidas legítimas sobre eventual favorecimento político. Terá sido um frete ao Presidente do PAICV? Uma cedência editorial às pressões partidárias? Aparentemente, sim, ou pelo menos, assim parece à luz dos factos.

O direito de resposta não pode servir de trampolim para reposicionamento mediático. A sua emissão deve obedecer a critérios firmes: proporcionalidade, sem destaque excessivo nem marginalização. Quando se coloca uma resposta com peso político tão sensível num lugar de grande visibilidade editorial, o segundo lugar no alinhamento, estamos a ultrapassar a linha da neutralidade jornalística e a entrar perigosamente no campo do enviesamento editorial.

Se o tratamento dado à peça do MpD foi o correcto e equilibrado, por que motivo o mesmo critério não foi aplicado à resposta do PAICV? Sem uma justificação editorial transparente, este tipo de decisões mina a credibilidade do jornalismo praticado e da própria estação pública.

Num momento em que o país se aproxima de ciclos eleitorais decisivos, espera-se da TCV uma postura firme, imparcial e blindada a qualquer tentativa de instrumentalização política. O jornalismo deve servir a verdade e o cidadão, nunca os interesses de ocasião de quem momentaneamente ocupa cargos partidários.

2 COMENTÁRIOS

  1. Mas, qual a dúvida ? A comunicação social do Estado de há muitos anos foi capturado pelo PAICV, através de jornalistas bem conhecidos a conivência da Direção da TCV e da RCV. O meru questionamento vai para a tutela da comunicação social, ou seja, o membro do Governo da área. SE os órgãos são públicos, o Governo não tem uma palavra a dizer numa violação tão grosseira da independência da comunicação social na parte referente ´igualdade de tratamento dado aos agentes políticos ? Tem de ser o país a denunciar? e o MpD ? No dia em que o PAICV assumir o poder todos os jornalistas que não forem absolutamente fiéis serão transferidos como aconteceu no passado. Quem viver verá.

  2. Mas onde está a surpresa?
    O PAICV é a força politica dirigente da sociedade e do Estado! O art. 4º nunca caiu!
    Eles tem a Administração Publica toda minada e estão nas direções de tudo o que é Associação Local, Cultural, Recreativo, Desportivo, Movimentos Cívicos, Universidades e Sindicatos deste Cabo Verde.

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