Sucupira: Que destino?

0

Congratulo-me com o facto de Sucupira estar, cada vez, mais no centro da agenda política da cidade: há dias o atual Presidente da Câmara Municipal da Praia anunciou que não vai avançar com a obra no campo do Coco, ontem, dia 25/02, foi noticiado um encontro do Primeiro-Ministro com @s [email protected] deste mercado.

Nunca é demais revisitarmos os propósitos que levaram o anterior executivo a tomar a decisão (política) de implantar um mercado central no antigo estádio do Coco. É do conhecimento de todos que a cidade da Praia tem uma crescente demanda por venda ambulante, o facto de o mercado de sucupira estar manifestamente ultrapassado e não reunir as mínimas condições de qualidade, dignidade e salubridade para @s [email protected] e seus clientes. A intenção era criar uma zona comercial que dignifique toda a avenida cidade de lisboa, qualificasse o espaço e desse uma nova dignidade as vendeiras e vendedores do sucupira, bem como contribuir para um melhor ordenamento da cidade. O espaço foi pensado numa lógica multifuncional, onde para além dos espaços comerciais, tinha zonas de alimentação, parques de estacionamentos, parques infantis onde @s feirantes podiam deixar os seus filhos, etc…

Não nos parece que estas necessidades deixaram de existir. Muito pelo contrário, hoje são ainda mais prementes.

Praia precisa de um centro de comercio capaz de acolher, com qualidade e dignidade, a população do sucupira, bem como toda a venda ambulante que se multiplica pela cidade. Mas também sublinhamos o facto de a zona do sucupira (que pode ser nobre) precisar de uma nova orientação, um novo charme.

Foi para cumprir este objetivo que se tem viabilizado uma série de investimentos nesta zona, nomeadamente no Centro Social 1º de Maio, o Centro Comercial em construção perto do sucupira, os investimentos no memorial Amilcar Cabral e, brevemente, o Liceu da Varzea.

Existe todo uma visão de futuro para aquela zona.

Assim, é nosso entendimento que não se avançar com o Mercado do Coco é um erro estratégico que contraria tudo o que são regras de racionalidade e de objetividade na gestão. Existe um processo em andamento que já conta com uma série de compromissos assumidos, um significativo volume de investimento efetuado.

A obra teve (e tem) dificuldades, mas antes de qualquer decisão final temos a obrigação de fazer a devida ponderação das diferentes hipóteses que se podia ter em cima da mesa: nomeadamente tentar se concluir o processo em andamento; ou reformular para melhorar e continuar.

Decidir pela destruição de todo o caminho até aqui construído é irracional, irresponsável e vai lesar ainda mais os cofres do município. Mas este tem sido a imagem da nova liderança da câmara municipal. Para além do mercado do coco, várias outras obras que estavam em andamento, muitos executados a mais de 50% foram bloqueadas – não constam do orçamento da Câmara Municipal para 2021, a titulo de exemplo destas obras temos: as drenagem de Tira-Chapéu; Calabaceira, Moinhos, Ponta d’Água e Safende (obras estruturantes que podiam mudar a face destas zonas); o campo relvado de sucupira; a pedonal do paiol; o mercado do paiol; a pedonal da rua de tabanca e o miradouro em ASA; Todos, obras em andamento que estão neste momento bloqueadas sem rumo e sem direção.

Em vez de ajudar a construir, o atual executivo prefere a política da destruição que só agrava ainda mais os problemas. Não vamos conseguir libertar sucupira para novas funcionalidades, perdemos tempo e a cidade perde.

Em democracia, a governação tem de ser abordada na lógica da “corrida de estafeta” ganhamos em eficiência e o processo de desenvolvimento em eficácia. Os munícipes agradecem.