1 – Era uma vez um primeiro-ministro que esteve no poder durante 15 anos e hoje é Presidente da República.
2 – Durante 8 dos últimos anos no poder, estabelecido no Palácio da Várzea, perto do Plateau, nunca visitou o município da capital e nunca falou de interlocução produtiva entre o governo e os municípios, em especial com o município da capital do país, quando ele era o principal responsável que isso acontecesse e não agora que é PR sem competência nessa área.
3 – Pelo contrário, de 2008 a 2016, não deu um tostão furado à Câmara Municipal da Praia do Fundo do Turismo e do Fundo do Ambiente, preferindo fazer a “interlocução produtiva” com municípios amarelos e com associações comunitárias amigas, gastando milhões de forma como o país agora sabe.
4 – No primeiro ano como Presidente da República, visita o município da Praia, perdão, digo, visita o seu amigo Presidente da Câmara da Praia, pois os vereadores da oposição não participaram pelo facto do Francisco Carvalho só os ter convidado às 20:00 horas de um domingo, véspera do início da visita, através de um correio eletrónico, alegando que se tinha esquecido, imaginem, uma visita que deve ser preparada com a antecedência necessária para poder ser levado a sério.
5 – Apoia indiretamente a posição do Presidente da Câmara da Praia, sobre a problemática da aprovação do Orçamento e do Plano de Atividades de 2023, escudando-se atrás da seguinte frase: está a acompanhar com muita atenção o processo de aprovação do orçamento da Câmara da Praia e considerou que tem havido interpretações jurídicas diferentes. Ele que foi presidente da câmara municipal de Santa Catarina e que certamente fez aquilo que os Estatutos dos Municípios exigem, ou seja levar o orçamento e o plano de atividades para análise e aprovação na câmara antes de levá-los para aprovação na Assembleia Municipal.
6 – Para apoiar o amigo é capaz de se esquecer de tudo isso, rasgar a Constituição que deve ser a Bíblia dele, rasgar o Estatuto dos Municípios e atirar areia para os olhos dos mais incautos, fingindo esquecer-se que em todos os municípios é esse o procedimento e que inclusivamente na Câmara da Praia enquanto o amigo Francisco Carvalho tinha a maioria nesse órgão, foi assim que ele tratou esse tema, fulcral para a democracia e o avanço do poder local.
7 – É possível que alguém que seja democrata e que queira o desenvolvimento do seu município apoie um presidente, que manda fazer um orçamento, digo manda fazer pois na apresentação do mesmo na Assembleia Municipal não conseguiu, depois de muitas tentativas, ler o valor do orçamento, facto que se transformou na maior anedota (mas triste) dos últimos tempos na Praia e não só, não conta com a participação da maioria dos vereadores quer da oposição quer da situação, leva o orçamento para discussão num domingo sem os vereadores conhecerem o objeto de análise e passando sobre tudo o que é legal, inclusivamente sobre a conferência dos representantes, apresenta esses documentos de forma ilegal na Assembleia Municipal dizendo que tudo está legal e recebe um sorriso ainda que amarelo (deve ser por causa da cor) do PR?
8 – Um PR que bastava conseguir o apoio do seu partido, pois quem está a atrapalhar (atrapalhar não, a agir corretamente é um vereador do PAICV) não são vereadores do MpD pois esses estão em minoria, vereadores, que para o Presidente da Câmara não servem para nada, pois são da anterior gestão camarária o que implica serem todos corruptos. Em vez de tentar resolver esse impasse na CMP, vai a S. Vicente resolver o impasse que segundo ele, está nessa Câmara, situação mais complexa, pois o Presidente da Câmara, está em minoria na Câmara e na Assembleia, o que exige negociações com 2 partidos quer na Câmara, quer na Assembleia, num país em que os partidos não se entendem a não ser quando homenageiam os nossos heróis mortos.
9 – Qualquer munícipe atento basta seguir as críticas do PAICV ao governo, para no fim da linha encontrar o verdadeiro mandante. Vejamos o PAICV crítica os transportes marítimos e de seguida o homem arranja uma viajem a Brava, mal organizada pelos seus seguidores, pois fica no Fogo. Oportunidade para aprofundar as críticas. Até o PR não consegue ir à Brava … imaginem o que acontece com um simples coitado cidadão? A Brava está abandonada!!! Que alegria! Esqueceu-se que durante o seu mandato de 15 anos, a Brava ficava, muitas vezes, meses sem ligação marítima, ou será mentira? Há muitos outros exemplos que são do domínio público.
10 – É essa a proximidade às pessoas que se quer? Ou será esta, a proximidade a uma única cor, tendência já afirmada no início da carreira política?
Um PR deve continuar a agir como se fosse o presidente de um partido mesmo que a sua intenção for voltar a candidatar-se para liderar novamente esse partido, tornando-se no principal opositor ao governo eleito democraticamente?