Um grupo de moradores na Cidade da Praia, apresentou uma denúncia pública contra o funcionamento de um “estaleiro ilegal” de reparação de automóveis e camiões em plena zona residencial, acusando as autoridades da Capital de inação prolongada e alertando para riscos sérios à segurança, à saúde pública e à privacidade das famílias
Segundo a denúncia, enviada ao OPAÍS.cv, o estaleiro opera há quase um ano de forma considerada “manifestamente ilegal”, instalado num terreno “que não pertence” ao explorador “e sem qualquer título ou autorização conhecida”. A atividade decorre diariamente, incluindo fins-de-semana e feriados, muitas vezes desde as primeiras horas da manhã até à noite, transformando a rotina do bairro num cenário descrito como insustentável.
Os moradores relatam um conjunto de impactos graves e persistentes, entre os quais ruído extremo e contínuo, poeiras constantes que invadem as habitações e a utilização de produtos químicos tóxicos, cujos odores fortes tornam o ar irrespirável. Denunciam ainda emanações de combustíveis, óleos e solventes, com potenciais efeitos nocivos para a saúde de crianças, idosos e outros residentes mais vulneráveis.
Para além das questões ambientais e de saúde, a denúncia destaca uma violação permanente da privacidade. Veículos pesados e camiões estacionam e operam imediatamente atrás das casas, à altura das janelas, permitindo a visualização direta do interior das residências, incluindo quartos. Como consequência, muitas famílias afirmam ser obrigadas a manter janelas fechadas mesmo em períodos de calor, numa tentativa de preservar o mínimo de intimidade e evitar a entrada de poeiras e cheiros tóxicos.
A situação é considerada ainda mais alarmante devido ao risco sério e iminente de incêndio. De acordo com os moradores, é frequente a presença de combustíveis e óleos derramados no chão, enquanto trabalhadores fumam no local sem qualquer medida de segurança, criando um cenário de elevado perigo para pessoas e bens.
O grupo denuncia igualmente um clima de intimidação. Sempre que tentam dialogar ou expressar preocupação, afirmam ser alvo de reações agressivas, insultos e gestos ameaçadores por parte dos trabalhadores do estaleiro, o que tem gerado medo e levado muitos residentes a evitar qualquer contacto por receio de represálias.
Os moradores referem que o responsável pelo estaleiro é um vizinho da zona, abordado várias vezes de forma pacífica na tentativa de encontrar uma solução. No entanto, segundo a denúncia, nunca houve qualquer resposta ou correção da situação, o que interpretam como um desrespeito pelo bem-estar coletivo e pelas regras básicas de convivência urbana.
A queixa foi formalmente apresentada à Câmara Municipal da Praia há vários meses, sem que, até ao momento, tenham sido adotadas medidas concretas. Para os moradores, esta inércia institucional é “passiva, injustificável e preocupante”, permitindo a normalização de uma ilegalidade num dos bairros considerados mais valorizados da Capital.
Perante o prolongamento do problema, os residentes decidiram tornar a situação pública, apelando à intervenção urgente das autoridades e da Comunicação Social. O grupo alerta que, se nada for feito, um problema anunciado poderá resultar numa tragédia evitável, com consequências graves para a comunidade e para a cidade da Praia.