UCS em Santiago Norte

Presidente do MpD apresentará logo à tarde a lista dos candidatos por Santiago Norte, às próximas eleições Legislativas

Ulisses Correia e Silva está hoje na Região Norte da Ilha de Santiago, a cumprir um conjunto de visitas, para depois à tarde apresentarar a listas dos candidatos por Santiago Norte às eleições de 18 de abril.

Segundo a programação, a que tivemos acesso, UCS irá visitar a rodoviária de Assomada, Mercado municipal, pedonal, e outras localidades.

A acompanhar o Presidente do MpD estarão alguns dos candidatos para aquela região.

Austelino Correia lidera a candidatura em Santiago Norte.

A líder do PAICV, por sua vez, vai estar hoje na Ilha do Sal onde apresenta os candidatos para a Ilha às eleições Legislativas.

BADEA aprova condições de créditos concessionais para Cabo Verde

Este crédito serve para financiar o projeto de Valorização de Bacias Hidrográficas nas Ilhas de Santiago, Santo Antão e Boa Vista

O Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico na África, BADEA, aprovou as condições de créditos concessionais para Cabo Verde, para financiar o projeto de Valorização de Bacias Hidrográficas nas Ilhas de Santiago, Santo Antão e Boa Vista.

A informação foi avançada pelo vice Primeiro-Ministro, considerando que esse apoio surge devido às “grandes negociações” entre o atual Governo e o BADEA, já que Cabo Verde estava privado de ter algum crédito com condições concessionais, porque estava graduado para País de rendimento médio.

“Entretanto, devido às grandes negociações entre o atual Governo de Cabo Verde e o BADEA, foi solicitada uma atualização de condições de créditos. A solicitação teve uma resposta positiva, dando importância à dinâmica que o País tem tido na gestão da dívida pública e também num novo contexto em que vivemos”, disse Olavo Correia, numa nota publicada no seu Facebook.

O BADEA, acrescentou, tinha concedido o financiamento para o projeto de Valorização de Bacias Hidrográficas de Santiago, Santo Antão e Boa Vista, que na altura era um crédito não concessional, no qual a taxa de juros era mais alto e por um período de graça menor. Entretanto, desta vez, aprovaram-se novas condições concessionais, as quais Cabo Verde terá uma maturidade de 25 anos, e um período de graça de 5 anos, a uma taxa de juros de 1,5%. “Tudo isso demostra a confiança por parte dos credores na dinâmica económica de Cabo Verde e contribui para a materialização dos projetos e consequentemente o desenvolvimento do País”, finalizou.

PM felicita mulher Cabo-verdiana

No dia em que se comemora o dia da Mulher Cabo-verdiana, Ulisses Correia e Silva diz-se orgulhoso de liderar o Governo que “mais políticas públicas” desenvolveu a favor desta camada

O Primeiro-Ministro felicitou hoje as mulheres Cabo-verdianas, pelo dia que a elas é dedicado. Numa nota publicada na sua página institucional da rede social Facebook, UCS, diz-se orgulhoso de estar a liderar um Governo que “mais políticas públicas” desenvolveu e promoveu para que hoje as mulheres pudessem ter “mais oportunidades” e estar nas diversas áreas de desenvolvimento do País.

Segundo o Chefe do Governo, houve “avanços consideráveis” na igualdade e equidade de género e no combate à VBG, e conforme notou, isso aconteceu “graças às medidas” do seu Executivo na Mulher.

O PM adianta ainda que houve ganhos na transversalização da abordagem de Igualdade e Equidade de Género no sistema de planeamento (PEDS), na orçamentação e políticas sensíveis ao género e no sistema de acompanhamento e monitoramento através da criação da Comissão Interministerial de Género, bem como na implementação de cursos de capacitação de docentes para a promoção da igualdade de género.

O Chefe do Governo precisou ainda a consideração do género na utilização de critérios de elegibilidade para os benefícios sociais, como tarifas sociais, habitação, RSI, entre outros, empoderamento económico de mulheres rurais através de projetos de acesso à terra, à água, à tecnologia e a integração na cadeia produtiva.

O PM considera que juntos, homens e mulheres, o Governo vaicontinuar a construir “um Cabo Verde melhor e seguro”.

Cabo Verde com recessão de 14% em 2020 e crescimento de 5,8% em 2021

Previsões são do FMI, afirmando que as medidas de política e proteção social tomadas pelas autoridades estão a apoiar a economia e a ajudar os grupos mais vulneráveis a enfrentar o impacto da pandemia, estimando ainda um crescimento anual acima de 6% a partir de 2022

O FMI aponta que a economia Cabo-verdiana sofreu uma recessão de 14% em 2020, em linha com a previsão governamental, devido à pandemia de covid-19, e espera um crescimento de 5,8% do Produto Interno Bruto, PIB, este ano.

As previsões constam de um comunicado em que o FMI conclui, ontem, a terceira e última avaliação de Cabo Verde ao programa de assistência técnica PCI -Instrumento de Coordenação de Políticas-, iniciado em 15 de julho de 2019 e que visa apoiar as reformas em curso no Estado, nomeadamente ao nível do sistema fiscal e privatizações, considerando a sua implementação como “satisfatória”, apesar dos efeitos da pandemia. “Apoiou os objetivos de médio prazo das autoridades para a sustentabilidade fiscal e da dívida e para reformas mais amplas de reforço do crescimento no âmbito do seu Plano Estratégico para o Desenvolvimento Sustentável, PEDS. As políticas e reformas dos últimos anos, até ao início da pandemia, ajudaram a gerar maior crescimento, manter a inflação baixa, melhorar as posições fiscais e externas e colocar a relação dívida pública/PIB em uma tendência decrescente”, refere o FMI.

A organização reconhece ainda que a economia Cabo-verdiana “foi duramente atingida pela pandemia”, estimando uma recessão de 14% em 2020, “devido à desaceleração económica global, restrições de viagens e medidas de contenção doméstica que reduziram significativamente as atividades nos principais setores da economia”. “As medidas de política e proteção social tomadas pelas autoridades estão a apoiar a economia e a ajudar os grupos mais vulneráveis a enfrentar o impacto da pandemia”, reconhece o FMI, que prevê ainda um crescimento económico de 5,8% do PIB este ano, e anualmente acima de 6% a partir de 2022.

Ainda assim, com a retoma da procura turística pelo Arquipélago — setor que garante 25% do PIB anual de Cabo Verde — mais lenta do que o esperado inicialmente, devido a novas vagas da pandemia na Europa, o FMi admite “efeitos persistentes” na economia Cabo-verdiana em 2021.

“Portanto, enfrentar a crise sanitária continuará a ser uma prioridade, enquanto as ações de política também visarão apoiar a recuperação projetada. A execução do orçamento de 2021 procurará encontrar um equilíbrio entre a acomodação das necessidades urgentes de saúde e desenvolvimento e o apoio à sustentabilidade da dívida a médio prazo, visto que Cabo Verde permanece em alto risco de sobre-endividamento”, alerta o relatório do FMI.

Brasil soma mais 3.650 mortos devido à pandemia

Trata-se do dia mais trágico para o País, que já ultrapassou os 300 mil mortos e mais de 12 milhões de casos

O Brasil registou nesta sexta-feira, 26, o recorde trágico de 3.650 vidas perdidas devido à covid-19 em 24 horas, totalizando 307.112 óbitos desde o início da pandemia, segundo dados do Ministério da Saúde.

´Na última terça-feira, o Brasil ultrapassou, pela primeira vez, as três mil vítimas mortais (3.251), marca que foi ontem superada, 13 meses após o primeiro caso do novo coronavírus ter sido registado em solo Brasileiro.

O Brasil, que atravessa o seu momento mais critico da pandemia, foi ontem, tal como tem ocorrido nas últimas semanas, o País que mais vítimas mortais somou nas últimas 24 horas em todo o mundo, bem acima dos Estados Unidos.

Em relação ao número de infetados, o total subiu hoje para 12.404.414, após as autoridades de saúde terem contabilizado 84.245 diagnósticos positivos, de acordo com o último boletim epidemiológico da pasta da Saúde.

Contudo, os números totais podem ser ainda superiores, uma vez que o Estado do Ceará não inseriu os seus dados de hoje devido a problemas técnicos.

A taxa de incidência da doença no País é agora de 146 mortes e 5.903 casos por 100 mil habitantes, numa nação com uma população estimada em 212 milhões de habitantes.

Ministro do Desporto aplaude vitória de Cabo Verde ante Camarões

Fernando Elísio Freire acredita que Cabo Verde está “mais próximo” da fase final da Copa de África das Nações

O Ministro de Estado e do Desporto, Fernando Elísio Freire, aplaudiu a vitória da Seleção de futebol sobre Camarões, 3-1, e reconhece que a CAN “vem aí”.

Numa publicação na sua conta na rede social Facebook, após a importante vitória de ontem, Elísio Freire reconheceu que esta “grande vitória” da equipa de todos nós põe o nosso País “mais próximo” da qualificação para o Campeonato Africano das Nações.
“Acreditamos na nossa Seleção e estamos confiantes que a nossa Bandeira estará em Camarões, o palco” da próxima Copa de África.

“Que orgulho da nossa Seleção! Parabéns Cabo Verde! Obrigado Tubarões Azuis”, escreveu.

Com esta vitória, Cabo Verde sobe ao segundo lugar no Grupo F, agora com 7 pontos, menos 3 que Camarões que soma 10 e lidera o Grupo. Ruanda tem 5 pontos e na próxima jornada vai jogar com Camarões, ao passo que os Tubarões Azuis viajam até Maputo para defrontar Moçambique, com 4 pontos.

Ulisses felicita Seleção pela “grande vitória” sobre Camarões

Primeiro-Ministro augura que o triunfo desta sexta-feira, seja uma “grande caminhada” para mais uma participação do Arquipélago na CAN

Ulisses Correia e Silva postou um vídeo na rede social Facebook, onde felicitou a nossa Seleção de futebol pela “grande vitória” conseguida esta sexta-feira, 26, na receção ao combinado dos Camarões, por 3-1, em jogo da 5.ª jornada de qualificação para a Copa de África das Nações.

O PM augura que esta moralizadora vitória seja uma “grande caminhada” do nosso País para a terceira participação de Cabo Verde numa CAN.

“Parabéns Tubarões Azuis pela grande vitória e que seja uma grande caminhada para nossa participação na CAN. Muito sucesso a todos”, desejou Ulisses no seu vídeo.

Cabo Verde recebeu e venceu Camarões por 3-1 e sobe ao segundo lugar no Grupo F, agora com 7 pontos, menos 3 que Camarões que soma 10 e lidera o Grupo. Ruanda tem 5 pontos e na próxima jornada vai jogar com Camarões, ao passo que os Tubarões Azuis viajam até Maputo para defrontar Moçambique, com 4 pontos.

PM congratula-se com destinção de Cabo Verde com prémio ” Golden Destination Tourism”

Para Ulisses Correia e Silva, “temos boas razões” para celebrar e a continuar a acreditar, e almejar chegar ao top 30 dos países mais competitivos do mundo em matéria de turismo e top 5 em África

O Primeiro-Ministro congratulou-se com a conquista de Cabo Verde com o galardão de ouro do “Destination Tourism Awards 2021”. Para Ulisses Correia e Silva, trata-se de mais um resultado dos investimentos e das políticas públicas do seu Governo no setor, assim como do engajamento dos privados em melhorar Cabo Verde enquanto destino turístico.

Por isso, disse o Chefe do Governo, o País tem razões para celebrar e continuar a acreditar em dias melhores, daí ter acrescentado, que o País deverá continuar a almejar chegar ao top 30 dos países mais competitivos do mundo em matéria de turismo e top 5 em África.

“De relembrar também que Cabo Verde foi classificado como um dos países mais seguros para turistas visitarem em 2021 (o mesmo já tinha acontecido em 2020), fazendo parte de uma lista restrita onde pontificam a Gronelândia, Suíça, Eslovénia e Noruega”, recordou o PM que destacou os investimentos feitos no setor.

“Investimos fortemente no desenvolvimento de novos segmentos do Turismo, com o de Montanha/Ecológico, Cruzeiro e de Eventos/Negócios. Foram implementados os programas de valorização das aldeias rurais, de fomento do turismo interno, de turismo de habitação e turismo de saudade (dirigido à Diáspora) na estratégia do Governo de diversificação e maximização do impacto do turismo na cadeia do valor do turismo, assim como na promoção e melhoria da Marca CABO VERDE, bem como na sustentabilidade do setor”, precisou, indicando que este é o “caminho seguro” que o País está a percorrer.

Bubista satisfeito com desempenho dos jogadores Cabo-verdianos

Entretanto, Selecionador Nacional alerta que nada está ganho. Cabo Verde vai tentar o apuramento, na terça-feira, 30, contra Moçambique

Cabo Verde venceu hoje os Camarões por 3-1, no jogo referente à quinta jornada do apuramento para a CAN, que se realiza em 2022, nos Camarões.

O Selecionado Nacional, Bubista diz-se “bastante satisfeito” com o desempenho dos seus jogadores, durante o jogo desta tarde, contra uma “potente” seleção. “Os jogadores estão de parabéns pelo que fizeram durante o jogo, e durante todo o estágio”, elogiou.

Ainda nada está ganho, advertiu, no entanto, Bubista, pelo que espera o mesmo desempenho dos jogadores, no dia 30, em Maputo, contra a seleção Moçambicana.

Ryan Mendes, o melhor jogador em campo, não vai poder estar no próximo jogo, porque tem compromisso com o seu clube. Entretanto, segundo Bubista, o grupo está “forte, unido e empenhado” em cumprir o objetivo que é a qualificação.

No jogo de hoje, houve algumas estreias de jovens jogadores, uma situação que o Selecionador classifica também de estratégica, já que muitos estão a ser sondados por outras seleções. “Para além das suas qualidades é para podermos também ter certeza do futuro da Seleção Cabo-verdiana”, disse.

Já para o Selecionador dos Camarões, a derrota sofrida prende-se com as condições do tempo e da relva sintética, do Estádio Nacional.

Situação Económica e Social de Cabo Verde. Análise Comparativa (2020/2015)

Baseada em Relatórios de Instituições Independentes (BCV, GAO, FMI, BM)

Estatística das Famílias e Condições de Vida

1. SITUAÇÃO HERDADA EM 2016

Em 2016, o actual Governo herdou um país com uma situação económica e social bastante desfavorável, caracterizada por um nível de crescimento económico persistentemente baixo, um nível de desemprego alto e um sector público bastante fragilizado pela elevada dívida pública e situação crítica em algumas das mais importantes empresas públicas.

Com efeito, a média de crescimento do PIB nos 5 anos anteriores situava-se em 1,5%, e em 2015 o PIB cresceu apenas 1,0%!

A taxa de desemprego registava-se em 12,4%, sendo 28,6% para a faixa juvenil (15-35);
O stock da dívida pública atingia 125,8% do PIB, em resultado de uma trajectória de forte aceleração que, nos últimos cinco anos, acrescentou mais 53,7 pontos percentuais, sendo de mais 15 pontos só no ano de 2015! Chegaria a 130% no final de 2016, por inércia dos compromissos de financiamento que tinham sido assumidos pelo anterior Governo.

Para agravar a situação de pressão sobre as finanças públicas, contribuíam também os elevados passivos de algumas empresas públicas, nomeadamente a IFH e a TACV, esta em situação de iminente insolvência.

A pretexto da crise financeira internacional de 2008 e de aproveitamento das condições concessionais de financiamento, o Governo anterior apostou num programa de investimentos públicos à custa de um acelerado endividamento público. O facto é que essa opção política, derivada de uma matriz ideológica que favorece o protagonismo estatal na dinamização da economia, acabou por se revelar desastrosa, pela simples razão de ser fraco o impulso do multiplicador orçamental em Cabo Verde!

Segundo o Banco de Cabo Verde, no seu Relatório de Política Monetária de março 2016, apesar de “o enquadramento externo da economia cabo-verdiana ter permanecido ligeiramente favorável ao longo de 2015, (…) beneficiando a evolução da procura externa dirigida à economia nacional e as transferências privadas para apoio familiar, (…) o clima económico interno manteve uma tendência desfavorável ao longo do ano 2015 e (…) o indicador de confiança do consumidor manteve igualmente uma trajectória descendente”
Destacou ainda o BCV que, “do lado da oferta, verificou-se a contracção da actividade dos ramos de comércio, agricultura e indústria extractiva, bem como a desaceleração das actividades de construção, pesca e administração pública. Do lado da procura, o desempenho menos conseguido terá resultado da contracção dos investimentos, relacionada sobretudo com os constrangimentos na execução do ‘Programa Casa para Todos’, a implementação mais lenta de projectos financiados com investimento directo estrangeiro, a diminuição dos investimentos do Governo Central (-23,8%) e a redução do crédito ao sector privado, resultando num contributo negativo da procura interna para o crescimento.”

Concernente às contas externas, segundo o BCV, a situação foi menos desfavorável devido a factores conjunturais, “nomeadamente à redução dos preços nos mercados fornecedores do país, ao apoio às vítimas da erupção vulcânica e da seca em 2014”, contribuindo para o aumento das reservas internacionais líquidas do país a 6,4 meses de importação.
Do mesmo modo, esses factores conjunturais terão contribuído também para suavizar o défice orçamental (4,2%), sobretudo com o aumento dos donativos recebidos (+17,1%) derivado da ajuda ligada à erupção vulcânica, oficial e familiar.

Certo é que, pela situação de persistente estagnação económica, pelo nível do desemprego, pelo nível de endividamento público e pela situação crítica do sector empresarial do Estado, os parceiros internacionais aconselhavam ao novo Governo a tomada urgente de medidas de reforma, de modo a alterar a delicada situação do país.
Atente-se nas avaliações da situação feitas então pelos principais parceiros internacionais do país:

GRUPO DE APOIO ORÇAMENTAL – GAO (Missão Conjunta de Julho 2016)

“Cabo Verde experimentou um abrandamento significativo no crescimento económico com um rápido aumento da dívida pública.

“As autoridades nacionais investiram num pesado programa de infraestruturas e investimentos públicos. Neste contexto, a dívida aumentou, entre 2010 e 2015, dos 71.9% para os 125,8% do PIB.

“Como resultado desta política, o país enfrenta actualmente condições extremamente difíceis devido a elevadas pressões sobre as finanças do sector público, que são agravadas pelo ambiente externo incerto. A dívida do sector público apresenta um alto risco de incumprimento.

(…) a dívida do Governo central aumentou 15 pontos percentuais em 2015 para 125% do PIB, colocando em evidência a fragilidade da situação do sector público e os principais desafios que as autoridades estão enfrentando. Os enormes passivos das empresas financeiramente débeis e provavelmente insolventes – equivalente a 20% do PIB para TACV e IFH – indicam um alto risco de incumprimento.”

Relativamente à TACV, o GAO recomendava “avançar rapidamente com a privatização, tendo em consideração a situação financeira insustentável que se vive na empresa e do impacto negativo que esta situação impõe aos cofres do Estado.”

Quanto à IFH, o GAO anotava que “o Programa Casa para Todos continuava a ser financeiramente insustentável”, e expressava “a sua preocupação em relação à falta de informações sobre o impacto do Programa no orçamento, recomendando a preparação de “uma nova avaliação técnica do programa, incluindo um novo modelo financeiro actualizado e opções de reestruturação”.

No momento da Missão (Julho 2016), já com o actual Governo, o GAO reconhecia que o ritmo da economia deveria inverter para o crescimento, tendo em conta “os indicadores de confiança dos consumidores, assim como dos negócios, que mostravam sinais de uma relativa melhoria, com uma notável melhoria nas expectativas relacionadas com o sector da construção e do turismo”.

Ainda no mesmo Relatório, o GAO elogiava o novo Governo “pela recente publicação das contas públicas trimestrais no site do Ministério das Finanças e felicitava o Governo pelos recentes esforços em efectuar as restituições fiscais do imposto sobre o rendimento e o IVA”, realçando “a importância dessa medida, particularmente devido ao impacto que o reembolso dos impostos tem no fluxo de caixa das pequenas empresas, especialmente num período em que o crédito bancário era de difícil acesso.”

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL – FMI (Relatório Art.IV, Nov.2016)

Como não podia deixar de ser, o FMI registava a evolução negativa do crescimento da economia nos últimos anos, tendo-se verificado numa “média de apenas 1,3% no período 2009-15. Além disso, ao longo desse período, o crescimento de Cabo Verde ficou atrás do dos pequenos países de rendimento médio”.

Registou igualmente o aumento acentuado da dívida pública, tendo a análise de sustentabilidade da mesma indicado que já era de risco elevado.

Tal como o GAO, o FMI registou particular preocupação com a situação da TACV e da IFH, tendo observado que “a situação da companhia aérea nacional TACV é um problema antigo e que piorou em 2015, (…) com perdas operacionais a exigir aumento do recurso orçamental para assegurar a continuação do serviço.” A situação era tão dramática que, segundo o FMI, “caso não houvesse uma intervenção urgente, as necessidades de capital apenas para a TACV poderiam aumentar para cerca de 3,0 por cento do PIB em 2017”!
A situação financeira da IFH também se deteriorou em relação aos riscos do seu maior projecto de habitação social (Casa Para Todos – 187 milhões de euros), requerendo intervenção e monitoramento de perto.”

Para além da situação particular dessas duas empresas, o FMI também anotava com preocupação o facto de se ter chegado a um valor acumulado de “dívidas atrasadas de clientes da ELECTRA correspondente a 5,5% do PIB”!

Em termos globais, o sector empresarial do Estado apresentava em 2015 um prejuízo total de 1,1 milhões de contos e um passivo contingente total de 41,4 milhões de contos (25,8% do PIB).

Tendo em conta o elevado nível da dívida pública, “o investimento privado precisava ser assumido como o principal motor de crescimento, a fim de aproveitar as infraestruturas construídas e garantir o crescimento sustentado de longo prazo. Para tanto, a aceleração do programa de privatizações era um importante passo na direcção certa”.

O FMI avaliou positivamente a determinação do novo Governo em resolver com urgência a situação da TACV, avançando com o seu processo de privatização a fim de reduzir e eliminar as necessidades de recapitalização com recursos públicos.

Igualmente saudou a intenção de se criar uma comissão de reavaliação e recuperação do Programa Casa Para Todos da IFH.

BANCO MUNDIAL (Diagnóstico Sistemático do País, jan.2018)

Nesse documento, que se baseia em dados de 2016, o Banco Mundial retratava a situação económica e social do país, destacando-se o seguinte:

– Situação das finanças públicas altamente pressionada pelo nível da dívida pública que aumentou acentuadamente desde a crise internacional de 2008 (mais 70 pontos percentuais), chegando a 130% do PIB em 2016. A situação da dívida pública era apontada como um sério risco para a estabilidade macroeconómica e um factor limitador do espaço orçamental para despesas de desenvolvimento. Por outro lado, o nível dos passivos contingentes do sector empresarial público agravava o risco de sustentabilidade da dívida.

– A administração pública apresentava-se ineficiente, dificultando a realização de reformas e a melhoria do ambiente de negócios que permanecia fraco. Neste particular realçava o acesso ao financiamento como o mais problemático factor para fazer negócios, com reflexos na diminuição do crédito ao sector privado.

– O Turismo dava sinais de enfraquecimento enquanto motor do crescimento económico, caracterizado pela pouca diversificação e pela baixa repercussão colateral do tipo dominante all inclusive. Daí as dificuldades em termos de ganhos de competitividade, com o país “relativamente bem classificado na região SSA (6º), mas na 86ª posição no ranking mundial”.

– A nível social, era notório o crescimento de grupos excluídos e da criminalidade juvenil por falta de oportunidades, particularmente na Praia, onde era mais notório o problema de insegurança.

– A nível da educação, registava-se elevada taxa de abandono escolar no secundário, presumivelmente por dificuldades económicas das famílias. Também uma fraca ligação da educação com o mercado e trabalho, carecendo de oportunidades de formação que respondam às necessidades da economia.

– Fraca integração do mercado interno, devido a restrições várias. Apesar dos investimentos realizados nos últimos anos, “a oferta e a qualidade da rede de infraestruturas permanecia insatisfatória”.
– O sector dos transportes marítimos padecia de deficiências estruturais, traduzidas na existência de uma frota envelhecida, de uma infraestrutura portuária inadequada e de fraca logística.

– Sobre os transportes aéreos, sector de importância capital para Cabo Verde, o Banco Mundial destacava a situação da TACV da seguinte forma: “A companhia aérea nacional TACV tem sido uma importante carga sobre o orçamento do Estado, com apoio financeiro recorrente do Governo. Além disso, a companhia aérea está sobrecarregada com cerca de 90 milhões de euros em dívida, a maior parte de curto prazo, enquanto os activos valem menos de 5 milhões de euros. A companhia aérea tem excesso de pessoal e seus custos fixos são excessivos. As más decisões de gestão falharam repetidamente em resolver esses pontos fracos. Avaliações repetidas de consultoria concluíram que a empresa não tem futuro real como entidade independente e que provavelmente continuará a representar-se como um grande sorvedouro de recursos públicos”.

– O sector de energia, apesar do significativo avanço que se verificou no acesso à electricidade, caracterizava-se por uma gestão fraca, reflectida nos custos mais elevados de África, na alta dependência dos combustíveis fósseis e no elevado nível das perdas.

Registava-se ainda a ausência de uma estratégia para o desenvolvimento de um programa de eficiência energética em Cabo Verde.

(…)

a continuar…