O PAICV continua igualzinho a si próprio: um partido revolucionário e profundamente maquiavélico.
A polémica à volta do pedido de demissão de Luís Filipe Tavares é mais uma prova da incoerência dessa gente.
Rui Semedo, que esteve envolvido numa patética “novela” com as coisas da ELECTRA e com a utilização indevida, recorde-se, de um avião do Estado para fins privados (e nunca pediu nenhuma demissão!), vem agora, armado em referência moral da nação, tentar encostar o MpD à parede e exigir “explicações profundas” ao partido do Governo.
Trata-se de um truque barato. Apenas isso.
O MpD deve rechaçar veementemente esse tipo de chantagem do PAICV e não cair no engodo desses revolucionários de pacotilha, que apoiam os piores regimes políticos do mundo e nunca abandonaram a perversa “moral revolucionária” herdada dos tempos de Partido Único.
Vamos pôr os pontos nos ii.
O partido Chega, de Portugal, não é um partido simpático.
Defende, a meu ver, algumas medidas que desfiguram o Estado de direito e a própria ideia de dignidade da pessoa humana (a castração química de pedófilos, a remoção de ovários em certos casos, a prisão perpétua), e políticas discriminatórias contra minorias étnicas, visando especialmente os ciganos.
Não concordo.
Acho que isso representa, claramente, um retrocesso civilizacional e ofende o espírito da Constituição liberal, que sempre defendi em centenas de artigos, conferências e páginas de reflexão, ao longo de 20 e tal anos.
As penas criminais não devem ser degradantes.
O Homem, como explicava Kant, nunca deve ser tratado como um meio, mas, em qualquer situação ou ambiente geográfico, como um fim em si mesmo.
Este é um verdadeiro “imperativo categórico”.
O partido Chega propõe, como já expliquei, algumas medidas que contrariam a Constituição liberal e democrática, como a nossa, que o MpD aprovou em 1992, com a consabida oposição do PAICV.
Aliás, o PAICV sempre defendeu, por exemplo, uma das medidas mais chocantes de que se tem memória em Cabo Verde, na perspectiva das liberdades fundamentais: a expulsão das alunas grávidas do liceu, violando, de forma grave, o núcleo duro (axiológico) da nossa lei fundamental.
O actual Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, escreveu textos acutilantes e brilhantes acerca disso, pondo a nu, diga-se, a pulsão totalitária de certos moralistas cá do burgo.
Será que o PAICV é um partido de “extrema-direita” por causa desses desvarios?
O Chega é um partido legal em Portugal, como esclareceu, recentemente, o constitucionalista e Presidente da República Doutor Marcelo Rebelo de Sousa.
O MpD não tem, porém, nenhuma relação e nenhuma afinidade ideológica com esse partido português.
O MpD faz parte da IDC (Internacional Democrata do Centro) e é um partido amigo do PSD de Francisco Sá Carneiro e Cavaco Silva.
Não é por acaso que figuras destacadas do PSD participam, regularmente, na Universidade de Verão da JpD e noutras actividades públicas de grande relevo organizadas pelo MpD.
Tentar, por outro lado, ligar o MpD a eventuais animosidades “contra os emigrantes” (ou mesmo os imigrantes) é uma outra larvar desonestidade do PAICV.
Não cola, seus oportunistas de serviço.
O Movimento para a Democracia é o partido político cabo-verdiano que dignificou a condição dos emigrantes.
Não o sabeis?
Recorde-se que o PAICV chamava os emigrantes cabo-verdianos de “estrangeirados”.
Ou seja, os emigrantes eram vistos como cidadãos de segunda. Tratados com desdém.
A memória por vezes é curta, mas há que lembrar e trazer os factos à baila.
E os factos são deveras teimosos, como dizia um antigo provérbio inglês!
Foi o MpD que criou, justamente, os círculos eleitorais na emigração e tudo fez, como é do conhecimento público, para integrar os emigrantes cabo-verdianos na vida política, económica e científica deste país.
Aliás, isso faz parte, expressamente, da Declaração Política do MpD, subscrita e publicada já em 1990.
Os cabo-verdianos, o nosso infindável orgulho, têm contribuído, sobremaneira, para o desenvolvimento da sociedade portuguesa e, de uma forma geral, são tratados com respeito pelo Estado português.
O Governo do MpD tudo tem feito para engrandecer o estatuto cívico-legal dos nossos emigrantes, melhorando o atendimento na Embaixada e banindo certos entraves burocráticos herdados de um passado recente.
Sejam sérios, meus senhores.
O PAICV não se esquece, nem por um minuto sequer, da máxima que aprendeu com Lenine, o bolchevique:
“Acuse-os do que você faz, chame-os do que você é”.
É o que esses politicantes fazem quotidianamente. Descaradamente, com a cara mais risonha do planeta.
Luís Filipe Tavares e Ulisses Correia e Silva adoptaram uma postura de grande dignidade. De verdadeiros estadistas.
Infelizmente, a sociedade cabo-verdiana nunca viu nada parecido perante os muitos escândalos protagonizados pelo PAICV, um partido radical que não aceita a legitimidade da Constituição fundante da II República, contrapondo-a sempre, preso aos seus velhos tiques ideológicos, à pseudo-legitimidade revolucionária advinda da “luta armada”.
É uma vergonha.
Existe, de facto, uma diferença abismal entre os dois partidos.