Boavista e Académica disputam grande jogo da 3.ª jornada em Santiago Sul

Partida está marcada para as 16h00 deste sábado

O campeão regional e nacional, Boavista, defronta esta tarde a Académica naquele que é considerado o grande jogo da 3.ª jornada do campeonato regional de futebol de Santiago Sul. A jornada abriu ontem, sexta-feira, com a vitória do Ribeira Grande sobre o Unidos do Norte por 3-1 e com o empate entre Benfica e Celtic (1-1).

A programação deste sábado inclui ainda o duelo entre Sporting e Relâmpago, marcado para as 14h00.

A ronda será concluída amanhã, domingo, com os dois últimos jogos da jornada.

Orçamento do Estado 2026 aprovado na generalidade

Documento foi aprovado com os votos favoráveis dos 37 deputados do MpD, enquanto os 25 parlamentares do PAICV votaram contra e os quatro da UCID optaram pela abstenção

O Parlamento aprovou esta sexta-feira, 14, na generalidade, a proposta de Orçamento do Estado para 2026, com os votos favoráveis dos 37 deputados do Movimento para a Democracia. Os 25 deputados do PAICV votaram contra e os quatro deputados da UCID abstiveram-se.

Foram ainda aprovadas, por unanimidade, as resoluções referentes ao Orçamento Privativo da Assembleia Nacional e ao Orçamento da Comissão Nacional de Eleições.

Durante a declaração de voto, o Deputado Orlando Dias, do MpD, afirmou que o documento representa um instrumento essencial para garantir a continuidade das políticas públicas e o desenvolvimento do País.

“Este orçamento permite melhorar o desempenho da economia e consolidar o crescimento económico”, destacou, acrescentando que a sua não aprovação representaria um bloqueio no funcionamento do Estado. “Não votar neste orçamento é paralisar o País”, afirmou.

Orlando Dias sublinhou ainda que o documento dá continuidade a investimentos estruturantes importantes para a modernização do arquipélago e reforça a base do desenvolvimento nacional.

Com a aprovação na generalidade, a proposta segue agora para discussão e votação na especialidade, antes da versão final ser submetida à votação global.

Identificado como António Horta Varela homem desaparecido no Tarrafal de Santiago

OPAÍS.cv confirmou que as buscas continuam no terreno

Foi identificado como António Horta Varela, emigrante residente em França, o homem desaparecido desde a passada quinta-feira no Tarrafal de Santiago, na sequência das fortes chuvas que caíram sobre a região.

Segundo informações recolhidas por OPAÍS.cv, António Horta Varela encontrava-se na companhia da esposa e de outra pessoa quando foi arrastado pela força da água. As buscas continuam ativas no terreno, coordenadas pelas autoridades competentes.

O emigrante, natural do Concelho de Santa Catarina, encontrava-se de férias no País.

Buscas pelo emigrante desaparecido continuam no Tarrafal de Santiago

Proteção Civil Nacional mantém coordenação das operações nos Municípios do interior da Ilha de Santiago

Três dias após o desaparecimento de um homem, ocorrido na sequência das chuvas intensas que caíram na quinta-feira, continuam este sábado as buscas pelo emigrante dado como desaparecido no Tarrafal de Santiago.

OPAÍS.cv apurou que a Proteção Civil Nacional permanece à frente da coordenação das operações no terreno, envolvendo várias equipas que realizam trabalhos de limpeza e desobstrução das vias danificadas pela força das enxurradas.

Além da perda de animais em alguns Municípios de Santiago Norte, registam-se igualmente estragos significativos em diversas infraestruturas.

A força das águas destruiu praticamente tudo o que encontrou pela frente, expondo também fragilidades em obras mal executadas, que acabaram danificadas pela intempérie.

Autarquia do Tarrafal destaca presença do Governo e confia na resposta conjunta para recuperar danos “nunca antes vistos”

Presidente da Câmara relata destruição generalizada e valoriza a intervenção do Primeiro-Ministro no terreno

O concelho do Tarrafal enfrenta um cenário de grande dificuldade após as chuvas intensas registadas na madrugada de ontem, que provocaram danos materiais severos e afetaram centenas de famílias.

O Presidente da Câmara Municipal, que percorreu várias localidades para avaliar os estragos, descreveu o impacto como “um acontecimento que nunca, na história do Tarrafal, tínhamos vivido”.

Mesmo perante a gravidade da situação, o autarca reforçou que a recuperação será feita “junto com o Governo de Cabo Verde, com a sociedade civil, com as ONG e com a população do Tarrafal, residente e na diáspora”, destacando a importância da presença do Primeiro-Ministro no município, ontem.

Mais de 100 famílias afetadas em Fonton

Uma das áreas mais atingida foi a Ribeira de Fonton, onde a chuva destruiu a atividade económica de mais de 100 famílias, sobretudo na agricultura e criação de gado.

Segundo o edil, a enxurrada levou animais, culturas, equipamentos e infraestruturas familiares construídas ao longo de anos.
Além disso, sistemas hidráulicos essenciais como a estrutura de diques e o poços que estavam a ser empredados, ligados inclusive a financiamentos internacionais, ficaram totalmente danificados.

Praia da Areia Branca devastada como nunca antes

A zona costeira também sofreu danos severos.
A Praia da Areia Branca, a Praia do Presidente e o acesso à caixa de pesca do Tarrafal foram destruídos pela força do mar e da água.

O Presidente da Câmara sublinhou que é “a primeira vez que a nossa praia foi tanto destruída”, afetando não só o património natural, mas também um ponto crucial para homens e mulheres que vivem da pesca e da economia local.

Destruição em Ponta Lagoa e outras localidades

Várias comunidades do concelho registaram estragos significativos, com destaque para Ponta Lagoa, onde as chuvas provocaram “graves danos” em infraestruturas.

Apesar de não haver múltiplas fatalidades, o edil lamentou a perda de uma vida humana em Porto Formoso / Charaporto, sublinhando que este é o aspeto “que mais mexe com o nosso estado emocional e com o nosso estado de espírito”.

Autarquia realça trabalho conjunto com o Governo na resposta à crise

O Presidente da Câmara enfatizou que o momento exige união e esforço partilhado, lembrando que a reconstrução será feita “junto com o Governo de Cabo Verde, com a sociedade civil, com ONG e com toda a população do Tarrafal”.

Sobre a visita do Primeiro-Ministro, afirmou que a presença do Chefe do Governo no terreno “é um sinal claro de que estamos juntos na construção de caminhos e respostas para repor a normalidade e recuperar as infraestruturas”.

O apelo deixou claro que a superação da crise depende do envolvimento de todos os níveis institucionais e comunitários.

“Um momento de prova para o município”

O edil descreveu o impacto da chuva como um verdadeiro teste à resiliência do Tarrafal:

“É um momento de prova, um momento de desafios. Esta chuva, pela primeira vez, ameaçou a vida da cidade e a atividade produtiva das famílias.”

Fundo Nacional de Emergência: o mecanismo que permite a Cabo Verde responder com rapidez e independência

Restaurante Pam de Terra sofre danos avultados após cheias no norte de Santiago

O proprietário estima que os prejuízos causados pelas enxurradas ultrapassam um milhão de Escudos

O proprietário do conhecido restaurante rural Pam de Terra, localizado na Ribeira de Principal, Hortelão no concelho da Calheta de São Miguel, relatou ao O PAÍS.cv que parte da infraestrutura foi arrastada pelas fortes chuvas que atingiram a região ontem, quinta-feira, provocando prejuízos significativos.

Segundo Naso Miranda, os danos causados pelas enxurradas rondam cerca de um milhão de Escudos, afetando instalações, equipamentos e estruturas do restaurante. Apesar da dimensão dos estragos, o proprietário sublinha que o mais importante é que não houve estragos humanos.

“A parte do meu restaurante rural foi levada pelas chuvas. Os danos rondam à volta de um milhão de Escudos. Ninguém se machucou, graças a Deus, na Ribeira de Principal. Só os estragos, que são enormes”, declarou em conversa com O PAIS.cv.

A situação torna-se ainda mais crítica devido ao período de maior procura turística.

“O prejuízo aumenta porque estamos na época alta do turismo, tanto nacional como internacional”, explicou.

Ainda assim, Miranda afirma estar empenhado em garantir continuidade do serviço, mesmo que de forma provisória.

“Estamos a tentar improvisar para podermos dar resposta aos nossos clientes”, acrescentou, destacando o apoio e solidariedade que tem recebido da comunidade.

As autoridades municipais e nacionais continuam a avaliar os danos provocados pelas chuvas no norte da Ilha de Santiago, onde diversas infraestruturas agrícolas, residenciais e comerciais foram afetadas.

O Governo já declarou o estado de emergência para mobilizar recursos imediatos e garantir apoio às pessoas e negócios afetados pelas cheias.

Última hora. PM anuncia estado de calamidade e medidas imediatas após cheias em Santiago

Ulisses Correia e Silva garantiu uma intervenção rápida para apoiar famílias, agricultores, comerciantes e criadores de gado que sofreram perdas significativas

O Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, anunciou hoje que o Governo vai declarar estado de calamidade e mobilizar fundos extraordinários para responder aos danos causados pelas fortes chuvas que atingiram vários municípios da Ilha de Santiago, nomeadamente Tarrafal, Santa Cruz, São Miguel e Santa Catarina.

A declaração foi feita após uma visita às zonas mais afetadas, onde o Chefe do Governo garantiu uma intervenção rápida para apoiar famílias, agricultores, comerciantes e criadores de gado que sofreram perdas significativas.

“Estivemos aqui para constatar os impactos destas chuvas torrenciais e vamos de imediato colocar um conjunto de mecanismos para proteger as pessoas atingidas nos seus negócios, terrenos agrícolas e criação de animais”, afirmou.

Ulisses Correia e Silva garantiu ainda a disponibilização de recursos financeiros para a recuperação de infraestruturas danificadas, incluindo estradas, acessos e equipamentos públicos.

“Vamos disponibilizar fundos para fazer a recomposição, reconstrução e normalização da circulação de pessoas, mercadorias e viaturas, garantindo que as infraestruturas sejam reconstruídas com maior resiliência”, sublinhou.

O Primeiro-Ministro acrescentou que a ativação do fundo de emergência permitirá acelerar os processos de intervenção em articulação com as câmaras municipais, assegurando uma resposta ágil e eficaz.

“Vamos acionar o fundo de emergência, declarando estado de emergência para que os recursos estejam disponíveis e possamos atuar de imediato, em parceria com as câmaras municipais e as pessoas que foram atingidas”, concluiu.

Fortes chuvas paralisam sistema escolar na Ilha de Santiago

As atividades letivas deverão ser retomadas na próxima segunda-feira, 17 de novembro, caso não se verifique agravamento do estado do tempo

O Ministério da Educação anunciou hoje a suspensão das aulas em várias localidades na Ilha de Santiago, na sequência das fortes chuvas que têm causado constrangimentos na circulação e dificuldades no funcionamento dos transportes escolares.

Em comunicado, o ME manifestou solidariedade para com alunos, encarregados de educação, docentes e restantes profissionais do setor afetados pelos impactos das condições meteorológicas adversas.

Segundo o Ministério, a decisão visa garantir a segurança da comunidade escolar, tendo em conta a interrupção de estradas e acessos que impossibilitam o normal deslocamento de estudantes e trabalhadores.

A tutela assegura que, através das direções escolares, está a acompanhar a situação no terreno e a tomar as medidas necessárias enquanto persistirem os constrangimentos.

As atividades letivas deverão ser retomadas na próxima segunda-feira, 17 de novembro, caso não se verifique agravamento do estado do tempo.

O Ministério apela ainda à prudência da população até à normalização das condições.

Populismo, retrocessos e os desafios da democracia: Cabo Verde no contexto global

Num momento em que as democracias enfrentam pressões crescentes por todo o mundo, torna-se necessário analisar com lucidez as causas profundas desse fenómeno. Crises nos sistemas de saúde, dificuldades no acesso à habitação, morosidade da justiça e o agravamento das desigualdades socioeconómicas alimentam um clima de frustração e desconfiança. É neste terreno fértil que emergem projetos populistas — sejam eles de esquerda ou de direita — que prometem soluções simples para problemas complexos.

A nível internacional, este cenário tem permitido a ascensão de discursos radicais e de modelos de governação que desafiam os princípios do Estado de Direito. A China é frequentemente citada como exemplo de um sistema que combina autoritarismo político com dinamismo económico, um modelo que pode parecer eficiente, mas que representa uma ameaça clara às liberdades fundamentais. Ao mesmo tempo, democracias consolidadas, do Ocidente à América Latina, enfrentam ondas populistas que exploram medos sociais, insegurança económica e descontentamento acumulado.

Cabo Verde: uma democracia sólida, mas não imune

É neste contexto global que Cabo Verde deve situar a sua reflexão. O país consolidou, ao longo das últimas décadas, uma democracia respeitada internacionalmente. No entanto, tal como acontece noutros Estados democráticos, não está imune aos riscos da erosão interna.

O maior partido da oposição tem adotado, nos últimos tempos, um discurso que combina vitimização política, pessimismo estrutural e um revisionismo histórico preocupante. Esta narrativa, assente no “coitadismo” e na ideia de que o país se encontra num estado permanente de degradação, contribui para o descrédito das instituições e para a desconfiança generalizada.

Mais grave ainda é o facto de alguns dos seus dirigentes ensaiarem uma reabilitação subtil — por vezes explícita — das práticas e estruturas do antigo regime de partido único. Expressões como a nostalgia de tribunais de zona, milícias populares ou “entendimentos sólidos” com raízes em 1975 revelam uma visão que contrasta com os valores essenciais de uma democracia pluralista.

O perigo da nostalgia autoritária

A história mostra que os retrocessos democráticos não surgem de um dia para o outro. Começam sempre com discursos que sugerem que a democracia é “ineficiente”, que o povo “não escolhe bem”, que “falta autoridade”, e que é preciso regressar a “soluções fortes”.

Este é o primeiro passo para justificar a concentração de poderes, o enfraquecimento das instituições e a eliminação progressiva das liberdades individuais.

Cabo Verde não está num ponto crítico — mas os sinais devem merecer atenção. Uma democracia saudável depende tanto da eficácia das políticas públicas como da responsabilidade dos seus protagonistas políticos. Quando a oposição prefere a estratégia da dramatização permanente à apresentação de alternativas exequíveis, contribui para o desgaste das instituições e abre espaço a aventuras populistas com contornos autoritários.

A resposta necessária

Perante este cenário, é fundamental reforçar os pilares democráticos:

  • melhorar a qualidade dos serviços públicos,
  • acelerar a justiça,
  • combater desigualdades,
  • garantir habitação digna,
  • consolidar políticas sociais eficazes,
  • e promover um debate político sério, responsável e ancorado na verdade factual.

Mas também é crucial que a cidadania se mantenha vigilante e informada. A defesa da democracia não compete apenas aos governantes; compete igualmente aos cidadãos que rejeitam soluções fáceis, discursos inflamados e nostalgias perigosas.

Conclusão

Cabo Verde tem todas as condições para continuar a ser uma referência democrática no continente africano. Mas para isso, não pode tolerar retrocessos. O país deve resistir à tentação do populismo e à sedução de modelos autoritários, velhos ou novos.

A democracia não é perfeita, mas continua a ser o único sistema capaz de corrigir os seus erros — e o único que garante liberdade, pluralismo e dignidade humana.

É essa conquista que importa preservar, com clareza, firmeza e responsabilidade