PJ detém homem suspeito de abuso sexual de menor na Boa Vista

Suspeito de 42 anos é acusado de abusar da própria filha de 12 anos

A Polícia Judiciária deteve, na Ilha da Boa Vista, um homem de 42 anos suspeito da prática continuada de abuso sexual de uma menor de 12 anos, sua filha.

A detenção foi efetuada na manhã de segunda-feira, 18 de maio, na Cidade de Sal Rei, pela Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal da Boa Vista, no cumprimento de um mandado emitido pelo Ministério Público.

Segundo o comunicado, o suspeito, natural de Santo Antão e residente na Boa Vista, foi detido fora de flagrante delito, no âmbito de uma investigação iniciada a 13 de maio, após denúncia apresentada pela mãe da menor.

A operação resultou de um trabalho articulado entre a Polícia Judiciária e o Ministério Público, que permitiu reunir indícios da prática do crime na forma consumada e continuada.

Paulo Veiga avança para a liderança do MpD

A sucessão de Ulisses Correia e Silva na liderança do MpD começa a ganhar forma poucos dias após a derrota do partido nas eleições legislativas de domingo, vencidas pelo PAICV

Entre os primeiros nomes a posicionarem-se para assumir os destinos do MpD destaca-se o antigo ministro e deputado Paulo Veiga, que já manifestou disponibilidade para liderar o partido e conduzir o processo de reorganização política rumo aos próximos desafios eleitorais.

Apesar de não ter integrado a lista de deputados nas legislativas de 17 de maio, Paulo Veiga surge como uma das figuras mais ativas no debate interno sobre o futuro do MpD. O dirigente afirma estar preparado para entrar na corrida assim que forem marcadas as eleições internas, cuja data deverá começar a ser discutida na reunião da Comissão Política prevista para amanhã, quinta-feira

“Tenho uma visão tanto para o partido como para o país”, afirmou Paulo Veiga, em declarações à RCV, sublinhando que pretende apresentar um projeto político capaz de renovar o MpD e preparar a força política para recuperar espaço autárquico e voltar ao poder em 2031.

O antigo governante considera saudável a abertura do debate interno e diz encarar os possíveis concorrentes como “colegas” com o mesmo objetivo de fortalecer o MpD após a derrota eleitoral de domingo. Paulo Veiga garante ainda que está disponível para discutir ideias e construir consensos dentro da organização.

Outro nome que já assumiu publicamente a intenção de disputar a presidência do MpD é Orlando Dias. O dirigente, que foi candidato do partido no círculo de África nas recentes legislativas, utilizou as redes sociais para anunciar a sua disponibilidade para a corrida interna.

A entrada de Orlando Dias é vista por Paulo Veiga como um sinal positivo de vitalidade democrática no seio do partido. Veiga chegou mesmo a incentivar outros militantes e dirigentes a avançarem com candidaturas, defendendo uma disputa aberta de ideias e projetos para o futuro do MpD.

O processo de sucessão no MpD ganha força depois do anúncio de Ulisses Correia e Silva de que deixará a presidência do partido na sequência da derrota eleitoral de domingo. A saída abre oficialmente caminho para uma nova liderança num momento considerado decisivo para a maior força política da oposição.

A CPN do MpD reúne-se amanhã para fazer a análise dos resultados das legislativas e iniciar os procedimentos para a marcação das eleições internas que irão definir o sucessor do presidente demissionário do MpD.

Nacional de Futebol retoma com clássico entre Boavista e Mindelense

A competição regressa este fim-de-semana com a realização da 3.ª jornada, marcada para os dias 23 e 24 de maio, após a pausa devido às eleições legislativas de 17 de maio

A 3.ª jornada do Campeonato Nacional de Futebol traz como principal destaque o confronto entre dois dos primeiros classificados, o Boavista FC da Praia e o CS Mindelense, ambos com seis pontos somados nas duas primeiras jornadas.

O líder conjunto Mindelense divide a liderança com o GD Palmeira e o Boavista, todos com o pleno de vitórias até ao momento.

O programa da jornada inclui ainda os encontros entre África Show e Palmeira, Académico e Scorpion, Académica do Porto Novo e Benfica da Brava, Onze Unidos e Atlético, além do duelo entre Santo Crucifixo e Cutelinho.

Na classificação após a 2.ª jornada, o SC África Show surge na 4.ª posição com quatro pontos, seguido do Cutelinho FC também com quatro. Com três pontos aparecem Académico do Sal, Benfica da Brava e Académica do Porto Novo.

Na parte inferior da tabela, Atlético, Santo Crucifixo e Onze Unidos ainda não pontuaram, ocupando os últimos lugares.

Surto de Ébola na RDC já provocou mais de 130 mortos

OMS avalia risco elevado de surto de Ébola na República Democrática do Congo, mas descarta emergência pandémica

A Organização Mundial da Saúde classificou como “elevado” o risco do atual surto de Ébola na República Democrática do Congo a nível nacional e regional, mas considera-o “baixo” a nível global e afastou a possibilidade de uma emergência pandémica

Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a avaliação foi feita após uma reunião do comité de emergência realizada em Genebra, na Suíça.

O comité concluiu que o surto “não cumpre atualmente os critérios para uma emergência pandémica”, apesar de reconhecer a gravidade da situação.

De acordo com a OMS, o atual surto de Ébola na República Democrática do Congo, que já se estendeu ao Uganda, provocou mais de 130 mortes e cerca de 500 casos suspeitos.

As investigações indicam que o surto, associado à estirpe Bundibugyo, terá começado há vários meses, sendo registada a primeira morte suspeita a 20 de abril.

Especialistas da organização sublinham que as principais medidas de resposta passam pelo rastreio de contactos, isolamento de casos e reforço do tratamento de doentes suspeitos e confirmados, com o objetivo de travar a cadeia de transmissão.

Apesar da elevada taxa de letalidade do Ébola, a OMS considera improvável uma pandemia global, devido ao facto de o vírus ser menos contagioso do que outras doenças como a covid-19 ou o sarampo.

Sindprof promete fiscalizar cumprimento das promessas do PAICV para valorização da classe docente

Posição do Sindprof está vertida numa publicação feita ontem, terça-feira

O Sindicato Democrático de Professores (Sindprof) garantiu que irá acompanhar e fiscalizar atentamente a implementação das medidas prometidas pelo PAICV para a valorização da classe docente, após a vitória do Partido nas eleições legislativas de 17 de maio, defendendo que a melhoria das condições dos professores é essencial para uma educação de qualidade e para o desenvolvimento de Cabo Verde.

Numa publicação divulgada nas redes sociais, o sindicato destacou várias propostas apresentadas pelo PAICV na sua plataforma eleitoral, entre elas a reclassificação automática dos professores que obtenham novos graus académicos, num prazo máximo de 90 dias, a criação de uma nova grelha salarial e o aumento gradual dos salários dos docentes do ensino básico e secundário até atingir a cifra-base de 108 mil Escudos mensais.

O Sindprof sublinhou ainda medidas ligadas à formação contínua dos professores em competências digitais, metodologias ativas e ambientes virtuais de ensino, bem como a implementação de planos de formação para docentes de línguas estrangeiras e a análise das reivindicações dos professores aposentados antes da publicação do PCFR.

O sindicato reafirmou, por outro lado, a continuidade da luta em defesa dos direitos e da dignidade da classe docente, manifestando abertura para o diálogo com o novo Governo sobre outras reivindicações consideradas prioritárias, como a situação dos professores aposentados, a valorização das educadoras de infância e outras matérias relacionadas com a carreira docente.

Presidente da CCS aponta sete “prioridades urgentes” para transformar Cabo Verde num País “mais desenvolvido, com empregos e menos pobreza”

Marcos Rodrigues defendeu esta manhã, numa publicação feita na sua conta pessoal no Facebook, um conjunto de sete “prioridades urgentes” que considera fundamentais para transformar Cabo Verde num País “mais desenvolvido, com empregos e menos pobreza”

Na reflexão partilhada nas redes sociais, o Presidente da Câmara de Comércio de Sotavento, sustenta que o próximo ciclo governativo deve apostar em reformas estruturais capazes de impulsionar a economia nacional, reduzir desigualdades e criar oportunidades para os jovens, apontando áreas estratégicas como transportes, emprego, educação, energia, turismo e governação.

Entre as prioridades destacadas pelo líder empresarial está a resolução definitiva dos transportes interilhas, defendendo que “nenhum País arquipelágico se desenvolve sem mobilidade eficiente”. Para isso, propõe a modernização dos barcos e aviões interilhas, horários fixos e confiáveis, redução dos preços das viagens, melhoria dos portos e aeroportos e a criação de um sistema integrado entre o transporte marítimo e aéreo. Segundo Marcos Rodrigues, estas medidas facilitariam o turismo, o comércio, a circulação de trabalhadores e o acesso à saúde e educação, além de incentivar investimentos nas ilhas menos desenvolvidas.

Outra aposta considerada essencial é a criação de empregos através da industrialização leve e da economia digital. O Presidente da CCS defende que Cabo Verde deve reduzir a dependência quase exclusiva do turismo e investir em centros tecnológicos, outsourcing, call centers, programação, pequenas indústrias, transformação do pescado e produção local. Na mesma linha, sugere a criação de zonas económicas especiais, incentivos fiscais e apoio às startups jovens, com o objetivo de gerar empregos qualificados.

Marcos Rodrigues também considera que a educação e a formação profissional devem tornar-se uma prioridade nacional. Na sua visão, muitos jovens concluem os estudos sem preparação prática para o mercado de trabalho, pelo que o Governo deve reforçar o investimento em escolas técnicas, formação profissional moderna, ensino digital, línguas estrangeiras, energias renováveis, turismo especializado, mecânica e construção.

No combate à pobreza, o responsável empresarial defende uma abordagem centrada no desenvolvimento local e no apoio às famílias. Entre as medidas propostas estão o apoio a pequenos agricultores e pescadores, microcrédito para pequenos negócios, criação de cooperativas, investimento em habitação social, melhoria do saneamento e da água, além de programas direcionados para mães solteiras e jovens desempregados. O foco, afirma, deve estar na criação de rendimento sustentável nas comunidades.

A transformação de Cabo Verde numa potência de energias renováveis surge igualmente entre as prioridades apresentadas. Marcos Rodrigues entende que o elevado custo da energia pesa fortemente sobre famílias e empresas e defende a aceleração dos investimentos em energia solar, energia eólica, armazenamento energético e dessalinização com energia limpa. Para o empresário, uma energia mais barata reduziria os custos de produção, os preços da eletricidade e a dependência de combustíveis importados.

No setor do turismo, o presidente da CCS propõe uma modernização do modelo atual, com o objetivo de espalhar os benefícios económicos por todas as ilhas. Entre as áreas a desenvolver, aponta o turismo cultural, histórico, desportivo, ecológico, musical e gastronómico, defendendo ainda maior apoio aos pequenos hotéis, restaurantes e negócios locais, para que “o dinheiro do turismo fique mais no País”.

A sétima prioridade apresentada passa pela melhoria da governação, transparência e eficiência do Estado. Marcos Rodrigues defende a redução da burocracia, digitalização dos serviços públicos, combate à corrupção, aceleração da justiça económica, facilitação de investimentos e maior transparência nos concursos públicos. O empresário defende ainda um maior envolvimento da Diáspora Cabo-verdiana no investimento e no desenvolvimento nacional.

iibGroup renova parceria com bolsas Chevening e garante vaga para Cabo Verde

Além do financiamento, o iibGroup compromete-se a acompanhar os estudantes selecionados, integrando-os em iniciativas do grupo e promovendo o seu desenvolvimento profissional

O iibGroup renovou a sua parceria com o programa Chevening, garantindo a atribuição de uma bolsa de estudo para Cabo Verde no âmbito de um pacote que inclui ainda Djibuti e Etiópia.

A formalização da parceria para Cabo Verde ocorreu esta segunda-feira, 18, em Lisboa, com a assinatura de um protocolo entre a embaixadora do Reino Unido em Portugal e Cabo Verde, Lisa Bandari, e o presidente do iibGroup, Sohail Sultan.

Durante a cerimónia, Sohail Sultan destacou o impacto das bolsas Chevening na formação de jovens líderes, sublinhando que a renovação da parceria reforça o compromisso do grupo em promover o desenvolvimento inclusivo e sustentável através da capacitação de talentos.

Por sua vez, Lisa Bandari considerou que o programa Chevening constitui uma experiência transformadora, permitindo acesso a educação de nível mundial e a uma rede global com mais de 60 mil ex-alunos, incluindo líderes em diversas áreas.

Segundo a diplomata, a continuidade da parceria permitirá que mais um estudante Cabo-verdiano tenha acesso a esta oportunidade, contribuindo para reduzir desigualdades no acesso à educação e potenciar talentos no País.

O programa Chevening, financiado pelo Governo do Reino Unido, destina-se a candidatos com forte desempenho académico e potencial de liderança, oferecendo apoio financeiro para estudos de pós-graduação em universidades Britânicas.

Além do financiamento, o iibGroup compromete-se a acompanhar os estudantes selecionados, integrando-os em iniciativas do grupo e promovendo o seu desenvolvimento profissional.

As candidaturas às bolsas encontram-se atualmente em fase de análise.

Tubarões Azuis iniciam tour nacional antes da caminhada rumo ao Mundial

A equipa cumpre hoje agenda na Ilha de São Vicente

A Seleção nacional de futebol inicia hoje, em São Vicente, um tour pelas ilhas do Arquipélago, marcando o arranque da preparação para os próximos compromissos internacionais.

O primeiro dia de atividades decorre na Cidade do Mindelo, com um passeio pelas principais ruas e espaços emblemáticos, incluindo a Rua de Lisboa, Rua de Praia e a Praça Estrela, agendado para as 11h00.

Durante a tarde, às 16h30, a Seleção realiza um treino aberto ao público no Centro de Estágio, permitindo maior proximidade com os adeptos. Já às 19h00, está prevista uma atividade cultural no Terminal de Cruzeiros do Porto Grande.

Este tour pelas ilhas prolonga-se até 24 de maio e pretende reforçar o contacto com o público nacional antes da fase internacional de preparação.

Após esta etapa, a equipa segue para Portugal, onde defronta a Servia num jogo particular marcado para 31 de maio, no Estádio do Restelo.

A preparação encerra nos Estados Unidos, com um amigável frente às Bermudas, em Connecticut, antes do arranque da competição.

No Mundial, Cabo Verde integra o Grupo H e terá como palco cidades como Atlanta, Miami e Houston.

A estreia está marcada para 15 de junho, em Atlanta, frente a Espanha. Segue-se o confronto com o Uruguai, a 21 de junho, em Miami, e, por fim, o duelo com a Arabia Saudita, em Houston.

Bubista vê grupo equilibrado e quer Cabo Verde na próxima CAN

O Selecionador nacional considerou exigente o grupo de Cabo Verde nas eliminatórias da CAN 2027, mas garantiu que a equipa vai trabalhar para assegurar a qualificação

Após o sorteio realizado esta terça-feira, que colocou Cabo Verde no Grupo K, juntamente com Ruanda, Libéria e Mali, Bubista sublinhou que a qualificação “é sempre difícil, independentemente do adversário”.

O técnico reconheceu que a Seleção do Mali surge como a mais forte do grupo, destacando-a como cabeça de série e uma equipa “poderosa”. Ainda assim, considerou que Ruanda e Libéria são adversários mais próximos do nível de Cabo Verde, embora igualmente difíceis.

“Vamos trabalhar para marcar presença na próxima CAN, depois de termos falhado a última edição. É importante estarmos lá”, afirmou.

Bubista destacou ainda como aspeto positivo o facto de a Seleção não ter de enfrentar viagens longas durante a fase de qualificação, o que poderá facilitar a gestão física da equipa ao longo da competição.

Os jogos das eliminatórias estão previstos para arrancar em setembro de 2026, com a Seleção Cabo-verdiana a iniciar, assim, a sua corrida rumo ao maior palco do futebol Africano.

 

Para além da presença eleitoral: os desafios invisíveis dos partidos emergentes

Muitos analistas, observadores políticos e cidadãos tendem, por vezes, a interpretar a fragilidade ou a menor visibilidade de certos partidos apenas como resultado de “falta de estratégia”, “má comunicação” ou “ausência de trabalho político”. No entanto, essa leitura nem sempre considera as condições concretas em que muitos partidos, sobretudo os da oposição e os emergentes, tentam afirmar-se politicamente.

A política não acontece no vazio. Um partido sem acesso ao poder, sem uma estrutura de financiamento efetiva, sem uma máquina profissional permanente e cujos dirigentes ainda precisam manter empregos normais, enfrenta limitações enormes. E essas limitações raramente entram na análise pública. É fácil perguntar: “Por que só aparecem em períodos eleitorais?” Mais difícil seria perguntar: “Como manter presença constante quando os dirigentes dividem a vida entre trabalho, sobrevivência económica e atividade partidária?” Muitos dirigentes vivem uma rotina quase impossível. Trabalham o dia inteiro; tentam preservar a própria estabilidade profissional; enfrentam instituições que nem sempre veem com bons olhos um envolvimento político mais ativo; e, ainda assim, precisam carregar o peso organizacional do partido.

A política exige tempo, mas a sobrevivência económica também. Mesmo manter uma sede partidária ativa já representa um enorme desafio para muitos partidos emergentes. Há despesas constantes com renda, eletricidade, água, internet, deslocações, materiais básicos de funcionamento e organização administrativa. São custos comuns para qualquer estrutura, mas que se tornam pesados quando não existe financiamento estável nem uma base financeira sólida. Sem recursos humanos remunerados, meios técnicos, estrutura territorial coesa e capacidade financeira, muitos partidos acabam inevitavelmente por concentrar a sua ação nos períodos eleitorais, porque é nesses momentos que existe maior visibilidade, mobilização e espaço mediático.

Há ainda um outro fator raramente discutido de forma transparente: o financiamento político também depende da perceção de viabilidade. Enquanto um partido não conquista representação parlamentar, presença institucional ou demonstra força eleitoral consistente, muitos potenciais financiadores preferem manter distância. Em muitas sociedades prevalece uma lógica simples: “ver para crer”. Poucos empresários, apoiantes ou investidores políticos querem associar recursos a estruturas vistas como pequenas ou sem garantia imediata de crescimento. Não necessariamente por falta de simpatia ideológica, mas porque o financiamento político também é influenciado por cálculo, prudência e expectativa de retorno político. Isso cria um ciclo difícil de quebrar. Sem recursos, o partido tem pouca capacidade de expansão; sem expansão, tem pouca visibilidade; sem visibilidade, atrai poucos financiadores; e sem financiadores, continua limitado. Ou seja, muitas vezes o problema não é simplesmente falta de estratégia. É falta de massa crítica, de meios e de reconhecimento político suficiente para gerar confiança externa. Existe uma diferença importante entre gerir um partido já consolidado e tentar construir uma alternativa política praticamente do zero.

Os partidos estabelecidos contam com redes antigas, estruturas locais, presença mediática consolidada, acesso institucional, quadros profissionalizados e financiadores que já reconhecem utilidade política no apoio a determinadas forças. Já os partidos emergentes precisam primeiro provar que conseguem sobreviver. Precisam demonstrar resistência antes de receber confiança. Precisam mostrar crescimento antes de atrair investimento político. E fazem isso, muitas vezes, sustentados apenas por militância voluntária, sacrifício pessoal e dirigentes que dividem a vida entre emprego, família e atividade partidária. Por isso, reduzir a maior aparição em períodos eleitorais apenas à “falta de estratégia” é uma leitura simplista e incompleta. Em muitos casos, trata-se de partidos que tentam construir presença política com recursos mínimos, num ambiente onde quase tudo favorece as estruturas já consolidadas. Nem toda fragilidade política nasce da incompetência. Às vezes, nasce simplesmente da dificuldade de construir algo novo sem meios, sem proteção e sem tempo suficiente para respirar fora da luta diária por melhores condições de vida.