32.ª edição do festival internacional de Santa Maria arranca hoje

Edição deste ano homenageia os artistas Salenses Mirri Lobo e Dynamo

A 32.ª edição do festival internacional de Santa Maria tem início hoje e estende-se por duas noites.

No primeiro dia, o palco recebe atuações da Banda Municipal, Coletivo Hip Hop, Mirri Lobo, Djodje, Gil Semedo, Matias Damásio e Ferro Gaita.

Já no segundo dia, sobem ao palco artistas como Coletivo de Sal, Mário Marta, Cremilda Medina, Marizia do Rosário, Luís X-Treme, Irina Barros, Dynamo, Plutónio, Apolo G, CESF, Vado, Loreta e Alborosie.

A 32.ª edição do Festival de Santa Maria está orçada em cerca de 35 mil contos, sendo que a Autarquia disponibilizou uma verba de 15 mil contos.

Veto ao PCFR dos professores. Não há lugar para reconsideração

José Maria Neves descarta reconsiderar o chumbo que fez à proposta de melhoria de condições salariais dos professores

O Presidente José Maria Neves mantém a sua posição de não permitir que os professores tenham melhores salários, conforme proposto pelo Governo.

Instado pela Comunicação Social, o PR foi categórico, dizendo “não há como reconsiderar” a sua decisão, “por se tratar de um veto político”.

Segundo disse, o veto político “foi uma devolução do diploma para o Governo reanalisar, e preponderar”, dizendo ser “mais uma oportunidade de diálogo”.

Sustentando que “não podemos ver o veto como um drama”, o PR insistiu: “não há lugar para reconsideração do veto”.

“Temos que considerar isto com muita naturalidade. O que eu quero pedir é que haja serenidade, responsabilidade e tranquilidade, tanto da parte do Governo como também da parte dos professores”, admitindo ser “claro que o Governo não pode dar tuto aos professores”.

Filme “Sodade” de Sara Grace exibido no Fogo

Estreia na Ilha acontece neste sábado, 14, no Centro Cultural Armand Montrond, em São Filipe

O filme “Sodade”, a primeira longa-metragem da realizadora Sara Grace, vai ser exibido na Ilha do Fogo.

Filmado no Fogo e com produção de Saulo Montrond, “Sodade” estreou-se na Cidade da Praia no dia 24 de agosto.

O drama de duas horas explora as complexidades das relações familiares e amorosas, com um elenco que combina talentos Cabo-verdianos e Americanos.

A próxima exibição está prevista para 29 de setembro, na comunidade Cabo-verdiana emigrada nos EUA, em Brockton.

ONU reafirma apoio à PJ Guineense no combate ao tráfico de drogas

PJ Guineense aprendeu, recentemente, no aeroporto de Bissau uma aeronave procedente da Venezuela, com mais de 2,6 toneladas de cocaína

A representante da ONU sobre Drogas e Crime Organizado, Ana Cristina Andrade, reafirmou o compromisso das Nações Unidas em apoiar a Polícia Judiciária da Guiné-Bissau no combate ao tráfico de drogas.

Durante uma visita às instalações da PJ, acompanhada por Geneviève Boutin, nova coordenadora residente da ONU no país, Andrade felicitou a PJ pela apreensão de mais de 2,6 toneladas de cocaína num jato privado proveniente da Venezuela.

Ana Andrade, de nacionalidade Cabo-verdiana, destacou que a UNODC vai continuar a fornecer apoio técnico e financeiro, mobilizando mais parcerias internacionais para fortalecer os esforços da Guiné-Bissau na luta contra o crime organizado.

A operação, segundo a coordenadora, demonstra a confiança das agências policiais internacionais na PJ Guineense, e representa um avanço na proteção da sociedade, especialmente de crianças e adolescentes, contra o impacto do tráfico de drogas.

Será que os nossos representantes no Parlamento podem estar a maldizer de Amílcar Cabral e tudo bem?

Estava a ouvir uma das sessões da Assembleia Nacional, quando oiço uma deputada a dizer e várias vezes que Amílcar Cabral (AC) foi o criador da nossa identidade.

Ninguém nem rugiu nem mugiu relativamente a essa grave afirmação, pelo menos não tive a oportunidade de ouvir.

É evidente que essa deputada disse isso na melhor das intenções sem saber (ou será que sabe?) o que significa a identidade de um povo.

Será que uma só pessoa, por mais especial que seja, poderia alguma vez dar a identidade a um povo? Porque é que se quer colocar AC numa situação dessas quando ele mesmo disse: “ Sou um simples africano…”.

Alguma vez AC teria a pretensão de dar a identidade ao seu povo, quando sabemos que a identidade é fruto de luta, de vitórias e de derrotas desse povo durante séculos? E que ela não é estática, mas que se vai adaptando ás mudanças desse mundo cada vez mais rápidas e globais? Não será essa mesma identidade que de a AC os instrumentos para organizar e desenvolver a luta contra o fascismo e a ditadura portuguesa?

Alguma vez AC teria a pretensão de dar algo ao seu povo, algo esse, construído pelo próprio povo durante séculos e séculos debaixo de sacrifícios sem fim?

Quem conhece AC ou quem leu os escritos de AC certamente não pode de forma alguma desrespeitar AC dessa forma-se em plena Assembleia Nacional. Ainda por cima uma deputada do partido que se fiz herdeiro de AC e de tudo o que esse homem fez e escreveu?

Que AC lutou e foi um dos principais responsáveis pela Independência de Cabo Verde, não tenho a mínima dúvida.

Que a luta de AC contribuiu para o processo da Independência das ex-colônias, portuguesas também não me deixa dúvidas nenhumas.

Que AC nessa luta contribui para o fim da ditadura salazarista também não.

Que AC tenha sido um dos políticos mais importantes e brilhantes do século XX a nível africano e mesmo mundial também não.

Mas não o transformemos, um homem simples lutador e respeitado no mundo inteiro, numa personagem de ficção, pois só em filmes de ficção é que, um homem é capaz de criar uma identidade e dar essa identidade a um povo que ele pertence de presente.

Sejamos sérios e não brinquemos com a história do nosso país. Respeitemos o pensamento de AC na justa medida que deu para a Independência do nosso país. Mais, respeitar AC é compreender esse herói no tempo e no espaço em que viveu. É estudar as suas obras que certamente darão pistas para a compreensão de todo o processo da Independência e provavelmente pistas para se descobrir os caminhos do seu assassinato em 1973.

Não vale a pena tentar utilizar AC, desvirtuando o homem que ele foi só para ganhar não sei bem o quê, principalmente num espaço de maior dignidade do povo cabo-verdiano e que acolhe os eleitos que deviam respeitar a sua própria identidade – a Assembleia Nacional.

Ano letivo arranca com 130 mil alunos e 7.500 professores

Aulas iniciam na próxima segunda-feira, 16, e Ministro da Educação garante que já está “tudo a postos”

Uma das principais novidades para o novo ano letivo, conforme Amadeu Cruz, é o reforço dos laboratórios tecnológicos em todas as escolas secundárias do País, para suportar as aulas das TIC e de programação, bem como, o acesso à Internet de banda larga.

Em conferência de Imprensa, no quadro da preparação para o arranque do ano letivo, o governante adiantou que o sistema educativo conta com cerca de 130 mil alunos inscritos, similar ao ano anterior, distribuídos entre o ensino pré-escolar, básico e o secundário.

O Ministro destacou que cerca de 7.500 professores estarão em atividade e fez um apelo para que compareçam no primeiro dia de aulas, prontos para acolher e orientar os alunos. “Salvo dispensas superiormente autorizadas, 16 de setembro é um dia normal de atividades letivas”, reforçou.

A reforma curricular do ensino básico “já está consolidada, sem alterações nas disciplinas, carga horária ou programas”, precisou.

O governante destacou que a reforma curricular do ensino secundário entra em seu último ano de implementação, com foco no alinhamento com os sistemas educativos da OCDE. “Serão implementados os novos programas experimentais para o 12.º ano, com um processo de validação ao longo do ano letivo”, disse.

Sobre os materiais escolares, o Ministro garantiu que os manuais do 1.º ao 9.º anos já estão disponíveis em todo o País, sem previsão de falta de stock, já os manuais do 10.º ano “estarão disponíveis a partir de dezembro”.

Amadeu Cruz também anunciou a inauguração do novo Liceu da Várzea em 18 de setembro e o andamento de obras de reabilitação e manutenção em várias escolas do País.

“Cerca de 50 escolas básicas estão a passar por melhorias, incluindo a remodelação de cozinhas e casas de banho, com apoio da Cooperação Luxemburguesa”, adiantou.

A respeito da colocação de professores, o Ministro informou que foram transferidos cerca de 200 docentes, e a contratação de outros está em curso para cobrir saídas temporárias.

A grande mentira da “paternidade”

Nos últimos tempos, e em especial para o centenário de Amílcar Cabral, observamos um crescente movimento em torno da figura de um dos grandes líderes da luta pela independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau, sendo, por alguns setores, considerado o “pai da nacionalidade Cabo-verdiana”. Embora a sua luta tenha sido crucial para a Independência, tal atribuição parece ignorar a complexidade e a profundidade da identidade Cabo-verdiana, forjada ao longo de cinco Séculos.

Cabo Verde, um Arquipélago com uma rica história e cultura robusta, desenvolveu-se desde os primórdios da sua colonização como uma terra de confluência de povos, culturas e ideias. Desde cedo, intelectuais e pensadores Cabo-verdianos como Eugénio Tavares, Baltasar Lopes e os Claridosos, entre outros, contribuíram para a edificação da cultura e identidade que ainda hoje nos define.

Esta cultura e este sentimento de pertença a uma Nação são muito anteriores ao processo de luta pela independência, que durou cerca de 12 anos, não podendo ser reduzidos a um único momento ou indivíduo.

Amílcar Cabral, sem dúvida, foi um estratega, cujos ideais de Independência e união entre os povos de Cabo Verde e Guiné-Bissau mobilizaram gerações. No entanto, ele próprio nunca se definiu como Cabo-verdiano.

Nascido em Bafatá, na Guiné-Bissau, Cabral sempre se posicionou como um líder Pan-africanista.

A sua visão de Independência, em grande medida, era uma resposta ao colonialismo, mas não um ato de criação de uma Nação ou de uma nacionalidade do zero.

Ao apelidá-lo de “pai da nacionalidade Cabo-verdiana”, corre-se o risco de apagar a longa e rica história da nossa formação identitária, assim como os contributos de gerações de intelectuais e cidadãos que, desde o início, ajudaram a moldar a cabo-verdianidade.

A nacionalidade Cabo-verdiana foi sendo construída com base na interseção de culturas e vivências que se foram enraizando no Arquipélago ao longo de Séculos.

Ser Cabo-verdiano é um resultado de Séculos de resiliência ante as adversidades do clima, resistência cultural, de Diáspora e de reinvenção.

Portanto, atribuir a paternidade de algo tão complexo e profundamente enraizado na nossa história a uma única figura, é uma simplificação que não honra a verdade histórica.

Não podemos reduzir a cabo-verdianidade ao processo de descolonização, nem podemos ignorar os fatores que nos constituem como povo há séculos.

Cabo Verde, com a sua literatura, música, gastronomia e modo de ser, sempre existiu como uma entidade cultural e social muito antes da independência política.

Infelizmente, o título de “pai da nacionalidade Cabo-verdiana” parece servir, para alguns, como um instrumento de legitimação política.

Este rótulo é muitas vezes utilizado para consolidar narrativas políticas que buscam monopolizar a interpretação da história nacional, manipulando figuras históricas a favor de agendas contemporâneas.

Ao reivindicar Cabral como o fundador da nacionalidade, certos setores tentam capitalizar politicamente o seu legado, apagando ou minimizando o papel de outros atores fundamentais no desenvolvimento da cabo-verdianidade.

Esse aproveitamento é uma distorção da memória histórica, pois descontextualiza o papel de Cabral para adaptá-lo às conveniências de quem hoje julga beneficiar-se da sua imagem. Transformar a luta pela independência em uma ferramenta de propaganda política não apenas empobrece o debate, mas também desrespeita a verdadeira diversidade de influências e protagonistas que moldaram a identidade Cabo-verdiana ao longo dos séculos.

Cabe-nos, como povo, estar atentos a essas tentativas de reescrever a história para fins políticos.

A construção da identidade de Cabo Verde é obra de todos os Cabo-verdianos, desde os primeiros colonos, passando pela Diáspora e chegando aos nossos dias.

Amílcar Cabral, foi um dos muitos que contribuíram para a emancipação política, mas não pode ser erguido como o único responsável pela nossa existência enquanto Nação.

A nacionalidade Cabo-verdiana não pode ser apropriada ou limitada a uma narrativa política específica, pois é um legado de todos nós.

OPAÍS.cv

Não haverá motivos para greve dos professores

Garantia é do Ministro da Educação, para quem o Governo vai publicar o despacho sobre subsídio de carga horária antes do dia 20

Amadeu Cruz garantiu hoje que não haverá motivos para a greve dos professores porque o Governo tenciona publicar o despacho conjunto para atribuição do subsídio por não redução da carga horária antes do dia 20.

Em Conferência de Imprensa, no quadro da preparação para o arranque do novo ano lectivo, o Governante afirmou que o documento está em fase de tramitação e espera publicá-lo brevemente, garantindo também a abertura ao diálogo, caso haja algum atraso.

Quanto ao veto do Presidente ao Plano Cargos, Funções e Remunerações, o Governo aguarda a posição de José Maria Neves para nova apreciação.

Sal é a “melhor Ilha” para acolher conferência sobre Diáspora

Consideração é do Presidente da Câmara Municipal

Ao dar as boas vindas aos participantes da Conferência Internacional sobre a “Agenda Futura de Ação para o Engajamento Global da Diáspora”, aberta hoje em Santa Maria, o Autarca anfitrião assinalou que o Sal é a “melhor Ilha” para acolher uma conferência desta dimensão, e assinalou que no Sal residem cidadãos de “mais de 50” nacionalidades.

Júlio Lopes considerou, por isso, de “interessante” a feliz escolha da Ilha para este encontro de dois dias, com uma vasta participação de conferencistas nacionais e estrangeiros.

Na sua mensagem, o Edil congratulou a escolha de Cabo Verde para o lançamento da Plataforma de Aliança Global, e enfatizou que o País é um “grande exemplo” de Diáspora no mundo.

Ainda na sessão de abertura, presidida pelo Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, usaram da palavra, a representante do Governo de Irlanda e a Diretora Geral da Organização Internacional para as Migrações, Amy Pope.

Diáspora Cabo-verdiana é chave para desenvolvimento nacional

Consideração é do Primeiro-Ministro na abertura da Conferência Internacional sobre a “Agenda Futura de Ação para o Engajamento Global da Diáspora”, que iniciou hoje na Ilha do Sal

Ulisses Correia e Silva sublinhou a relevância histórica da emigração para Cabo Verde e o seu impacto no conceito de Nação, economia e capital humano do País.

O Chefe do Governo ressaltou que a Diáspora Cabo-verdiana tem desempenhado um papel “crucial” no sucesso de várias áreas, incluindo o desporto, com seleções nacionais que recrutam talentos entre descendentes de Cabo-verdianos em diversos países, como Portugal, França, Estados Unidos, Países Baixos, Irlanda e Angola.

“Se é assim no desporto, pode também ser na academia, ciência, tecnologia e investigação”, afirmou, frisando que a Diáspora também tem contribuído significativamente para a academia e outras profissões.

O Primeiro-Ministro abordou a recente alteração da lei da nacionalidade, que permite que netos, bisnetos e trinetos de Cabo-verdianos nascidos no estrangeiro adquiram a nacionalidade Cabo-verdiana.

“Queremos ter o cidadão da Diáspora inserido plenamente na Nação Cabo-verdiana”, disse, sustentando que uma das formas de inserção, “é o direito a serviço público consular de qualidade”.

A transformação digital foi outro ponto destacado pelo PM, que mencionou os avanços no Portal Consular Digital e a melhoria na prestação de serviços às Comunidades Cabo-verdianas no exterior, facilitando a emissão de documentos como passaportes e CNI. “O que era um martírio burocrático passou a ser prestação de serviço de qualidade e na hora”, destacou.

UCS concluiu reiterando a importância da cooperação internacional para uma migração segura e ordenada, defendendo políticas que promovam a integração social e económica dos migrantes, em consonância com o Pacto Global para a Migração.

“O Pacto Global para Migração, aprovado pelos países membros das Nações Unidas, reconhece que nenhum Estado pode abordar a migração sozinho e que são necessárias regras internacionais para migração segura, ordenada e regular numa abordagem cooperativa e de responsabilidade entre os países”, enfatizou.

Esta conferência decorre hoje e amanhã, num dos hotéis na Cidade de Santa Maria e tem transmissão em direto na página do Governo na rede social Facebook.