Ordem dos Advogados defende atuação do Ministério Público e critica suspensão de serviços públicos na Praia

Posição da OACV aconteceu esta tarde, em nota oficial

A Ordem dos Advogados de Cabo Verde (OACV) manifestou-se esta terça-feira, 16, publicamente sobre as recentes declarações do Presidente da Câmara Municipal da Praia, na sequência das diligências de buscas realizadas na sexta-feira, 12, por ordem do Ministério Público, no âmbito de um processo de investigação criminal na Autarquia da Capital.

Em comunicado divulgado esta terça-feira, a OACV reafirma que, num Estado de Direito democrático, fundado na Constituição da República, a investigação criminal, as diligências processuais e a realização de buscas constituem instrumentos legítimos e necessários à prossecução da legalidade, à realização da Justiça e ao apuramento de responsabilidades, devendo sempre ocorrer sob controlo jurisdicional e com respeito pelas garantias do processo penal.

A Ordem considera não haver qualquer fundamento constitucional ou legal para a suspensão generalizada de serviços públicos essenciais, como a recolha de lixo, o atendimento ao público, o funcionamento de mercados e jardins, em reação a atos de investigação conduzidos pelo Ministério Público. Segundo a OACV, tais medidas representam uma perturbação injustificada do funcionamento da administração pública e afetam diretamente os direitos e interesses dos cidadãos, que não devem ser prejudicados por divergências de natureza institucional.

No mesmo comunicado, a OACV classifica como inaceitável, num quadro democrático, qualquer tentativa de colocar em causa a legitimidade do Ministério Público, nomeadamente através da qualificação da sua atuação como uma “invasão” ou da imputação de motivações políticas. A Ordem recorda que a PGR goza de autonomia e independência constitucionalmente consagradas, competindo-lhe defender a legalidade democrática, exercer a ação penal e representar o interesse público, sem subordinação a poderes políticos ou administrativos.

A OACV sublinha ainda que todos os titulares de cargos públicos estão vinculados a um dever acrescido de respeito pela Constituição, pelas instituições da justiça e pelo princípio da separação de poderes. Embora reconheça que a crítica é legítima e necessária em democracia, a Ordem alerta que a descredibilização das instituições e a incitação à rutura do equilíbrio constitucional são inadmissíveis.

No documento, a Ordem dos Advogados de Cabo Verde reafirma o seu compromisso com a defesa do Estado de Direito democrático, o respeito pela independência do Ministério Público e dos Tribunais, o dever de colaboração das entidades públicas com a administração da justiça e a necessidade de assegurar que o funcionamento da justiça decorra com serenidade institucional.

UCID considera legítimas as buscas do Ministério Público à Câmara da Praia

Segundo o partido, não existem indícios de motivações políticas no processo

A Secretária-executiva da UCID, Zilda Oliveira, considerou hoje necessárias e legítimas as buscas do Ministério Público a instituições públicas quando existem denúncias, defendendo que se trata de uma questão de transparência.

Em reação às buscas à Câmara Municipal da Praia, afirmou que, para a UCID, não há motivações políticas no processo, sublinhando que cabe ao Ministério Público cumprir o seu papel sempre que existam dúvidas sobre a gestão pública.

Zilda Oliveira alertou ainda para os impactos do encerramento dos serviços municipais durante as buscas, decisão do Presidente da câmara, Francisco Carvalho, destacando possíveis prejuízos no funcionamento da Cidade, sobretudo em serviços essenciais.

ANMCV aprova Plano de Atividades e Orçamento para 2026

No montante de 75 mil contos, o Orçamento está orientado para o reforço do poder local e o aprofundamento da digitalização dos municípios

A Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde (ANMCV) aprovou hoje, por unanimidade, o Plano de Atividades e o Orçamento para 2026, no valor de 75 mil contos, com foco no reforço do poder local e na digitalização dos municípios.

Segundo o Presidente da ANMCV, Fábio Vieira, a aprovação consensual dos documentos reflete a coesão entre os autarcas e permitirá à associação iniciar, já a partir de janeiro, ações de fortalecimento institucional e de capacitação técnica das autarquias.

O plano prevê o reforço dos recursos da associação e a formação dos quadros municipais, sobretudo em áreas como finanças locais e desenvolvimento económico. O orçamento está estruturado em seis eixos de intervenção e enquadra-se num ano simbólico, marcado pelos 35 anos do poder autárquico em Cabo Verde.

Apesar das dificuldades na mobilização de recursos, Fábio Vieira garantiu que a ANMCV continuará a procurar parcerias com o Governo e os parceiros de desenvolvimento, defendendo igualmente a transferência de mais competências e recursos financeiros para os municípios.

Eliminar barreiras e criar pontes é essencial para o desenvolvimento local

Afirmação é da Ministra de Estado e da Coesão Territorial durante o II Conselho Geral da Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde

A Ministra de Estado e da Coesão Territorial, Janine Lélis, defendeu esta terça-feira, 16, em Santa Catarina de Santiago, que o desenvolvimento local passa pela eliminação de barreiras e pela criação de pontes entre municípios, durante o II Conselho Geral da Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde.

Segundo a Governante, a mobilização e valorização dos recursos e potencialidades existentes nos municípios é essencial, sublinhando que muitos desafios só podem ser superados através da ação conjunta e concertada entre várias autarquias, com o apoio do Governo Central.

Janine Lélis destacou os investimentos do Estado em áreas como acessibilidades, transportes, energia elétrica, dessalinização de água, infraestruturas de apoio à pesca, regulação de mercados e proteção dos produtos locais, considerando-os fundamentais para promover a coesão territorial.

A Ministra realçou ainda o papel das câmaras municipais na promoção da coesão social e na implementação de programas em parceria com o Governo, defendendo a continuidade e o reforço dessa cooperação.

Por fim, reiterou a disponibilidade do Executivo para dialogar e colaborar no fortalecimento da autonomia municipal, visando o desenvolvimento local e o bem-estar das populações.

EDITORIAL: Ataques do PAICV à Justiça e o silêncio do Presidente da República

Num momento de elevada sensibilidade institucional, o silêncio do Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, volta a suscitar legítimas interrogações no espaço público nacional.

Perante as declarações reiteradas do Presidente da Câmara Municipal da Praia e líder do PAICV, na Oposição, que apontam alegada interferência política e governamental na atuação da Procuradoria-Geral da República, seria expectável, por parte de quem ocupa o mais alto magistrado da Nação e é constitucionalmente o garante do regular funcionamento das instituições, uma palavra de clarificação, de equilíbrio ou, pelo menos, de reafirmação inequívoca dos princípios do Estado de Direito Democrático.

O Chefe de Estado tem, no entanto, optado por um silêncio prolongado face a acusações graves dirigidas à Justiça Cabo-verdiana, feitas publicamente por um líder partidário cuja atuação enquanto Presidente da Câmara Municipal da Praia está na origem das investigações conduzidas pela PGR. Esse silêncio estende-se igualmente às sucessivas intervenções públicas de Francisco Carvalho, que colocam em causa a independência do Ministério Público e a credibilidade das instituições judiciais.

Mais inquietante é a ausência de qualquer reação pública do Presidente da República relativamente à utilização de viaturas do Estado numa manifestação ocorrida ontem, segunda-feira, dia 15, a escassos metros do Palácio Presidencial. Trata-se de um facto que levanta sérias questões sobre o uso de meios públicos em ações de natureza político-partidária, exigindo esclarecimento e escrutínio por parte de quem tem o dever constitucional de zelar pela neutralidade do Estado.

Este contexto conduz a uma interrogação inevitável: serão os apelos presidenciais ao diálogo, à serenidade e à moderação seletivos? Aplicam-se apenas a determinadas circunstâncias, atores ou sensibilidades políticas? Ou não deveria o Presidente da República intervir com igual firmeza sempre que estejam em causa a confiança nas instituições, a separação de poderes e o respeito pela legalidade democrática?

O silêncio, em política e na vida institucional, também comunica. Quando se prolonga em momentos críticos, corre o risco de ser interpretado como complacência, hesitação ou desigualdade de tratamento. Num Estado de Direito, espera-se do Presidente da República não alinhamento partidário, mas coerência, equidistância e defesa intransigente das instituições, sobretudo quando estas são publicamente colocadas em causa.

Mais do que palavras, o País aguarda sinais claros de que os princípios que sustentam a democracia Cabo-verdiana não dependem de quem fala, mas da gravidade do que é dito.

Governo aprova novo Plano de Carreira e Remunerações da Polícia Judiciária

Direção Nacional da PJ e a ASFIC congratularam-se com a aprovação do novo PCFR, destacando o impacto positivo da medida na valorização profissional e motivação dos agentes

O Conselho de Ministros aprovou o Plano de Carreira, Funções e Remunerações (PCFR) da Polícia Judiciária, uma medida que, segundo o Executivo, vai melhorar substancialmente as condições laborais dos agentes da corporação.

Conforma o Governo, além da atualização salarial e de outros benefícios, a PJ recebeu este ano 36 novos efetivos, reforço na formação contínua, reequipamento de instalações e laboratórios, e participação em conferências internacionais, como a Assembleia Geral da Interpol, em Marraquexe, e encontros de alto nível nos Países Baixos e em Acra, fortalecendo a partilha de metodologias de combate à criminalidade e a aplicação de tecnologias avançadas.

O Ministério da Justiça destacou que o objetivo é garantir melhores condições de trabalho para todos os colaboradores dos seus serviços. Recentemente, foram aprovados o Estatuto dos Magistrados e os PCFRs dos Oficiais de Justiça e da própria Polícia Judiciária.

MJ adiantou ainda que até março de 2026, estarão concluídos os PCFRs dos serviços de Registo, Notariado e Identificação, Agentes de Segurança Prisional e Técnicos dos Serviços de Reinserção Social.

A Direção Nacional da Polícia Judiciária (PJ) e a Associação Sindical dos Funcionários da Polícia Judiciária (ASFIC) congratularam-se com a aprovação do novo PCFR, destacando o impacto positivo da medida na valorização profissional e motivação dos agentes.

Ulisses Correia e Silva defende emprego digno e inclusivo para pessoas com deficiência visual

Primeiro-Ministro sugeriu a criação de um ecossistema funcional que reúna Governo, ADEVIC, ONGs, setor privado e especialistas, visando remover barreiras e criar oportunidades reais de inclusão

O Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, participou esta terça-feira no Fórum Nacional sobre a Empregabilidade das Pessoas com Deficiência Visual, promovido pela ADEVIC, onde destacou a necessidade de ir além do debate sobre empregabilidade, avançando para a garantia efetiva de emprego digno e inclusivo.

Durante o evento, o Chefe do Executivo salientou que o emprego não só gera rendimento, como também promove autonomia e valorização social. “Temos políticas públicas e instrumentos em vigor: isenções no acesso à educação e formação profissional, estágios remunerados, incentivos ao empreendedorismo, majoração fiscal para empresas que contratam pessoas com deficiência, quotas legais, e responsabilidade social das empresas. Mas precisamos avaliá-los, integrá-los e torná-los mais eficazes”, afirmou.

O Primeiro-Ministro sugeriu a criação de um ecossistema funcional que reúna Governo, ADEVIC, ONGs, setor privado e especialistas, visando remover barreiras e criar oportunidades reais de inclusão.

Ulisses Correia e Silva destacou ainda que o fórum é fruto do diálogo contínuo com a sociedade civil e garantiu que vai transformar as propostas discutidas em políticas estruturantes com força de lei, garantindo mais oportunidades e melhor qualidade de vida para as pessoas com deficiência.

PN mobiliza 241 agentes em São Vicente para operação “Natal e Fim de Ano em Segurança”

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Plano decorre até 5 de janeiro de 2026 e envolve todo o efetivo do comando regional

A Polícia Nacional em São Vicente deu início, na segunda-feira, ao plano “Natal e Fim de Ano em Segurança”, que decorre até 5 de janeiro de 2026 e envolve todo o efetivo do comando regional, num total de 241 agentes.

Segundo o porta-voz da corporação, Elvis Leite, o plano contempla ações preventivas de visibilidade policial, patrulhamento reforçado e fiscalização rodoviária, com o objetivo de aumentar o sentimento de segurança durante a quadra festiva e garantir um clima de paz social.

As operações abrangem igualmente o controlo e fiscalização de estrangeiros, com reforço da vigilância no Aeroporto Internacional Cesária Évora, no Porto Grande e na Marina do Mindelo. A Polícia assegurou ainda cobertura aos eventos de fim de ano na Rua de Lisboa, sem descurar as zonas mais afastadas da Cidade.

No que respeita à poluição sonora e ao consumo abusivo de álcool, a PN garantiu fiscalização rigorosa e apelou à colaboração da população na prevenção da criminalidade.

Polícia Nacional lança operação “Natal e Fim de Ano em Segurança” na Ilha do Sal

O plano inclui ações preventivas e repressivas, com reforço do patrulhamento em zonas de maior incidência criminal, fiscalização rodoviária, controlo em portos e aeroportos, vigilância em áreas turísticas e inspeções a estabelecimentos comerciais e de diversão noturna

A Polícia Nacional lançou, na Ilha do Sal, a operação “Natal e Fim de Ano em Segurança”, que decorre de 15 de dezembro a 5 de janeiro, com o objetivo de reforçar a segurança pública durante a quadra festiva.

Segundo o comandante regional, Evandro Sousa, o plano inclui ações preventivas e repressivas, com reforço do patrulhamento em zonas de maior incidência criminal, fiscalização rodoviária, controlo em portos e aeroportos, vigilância em áreas turísticas e inspeções a estabelecimentos comerciais e de diversão noturna.

A operação arrancou com uma megaoperação multissetorial, envolvendo cerca de 80 efetivos, número que poderá ser reforçado ao longo do período.

A Polícia Nacional garante que estão criadas as condições para assegurar um Natal e um fim de ano com tranquilidade e segurança na Ilha.

EUA anunciam morte de oito alegados traficantes em ataques no Pacífico

Segundo o Comando Sul Norte-americano, os navios navegavam por rotas conhecidas do narcotráfico

As forças armadas dos Estados Unidos anunciaram a morte de oito alegados traficantes de droga durante ataques a três embarcações no leste do Pacífico, ocorridos na noite de segunda-feira.

Segundo o Comando Sul Norte-americano, os navios navegavam por rotas conhecidas do narcotráfico, elevando para pelo menos 95 o número de mortos desde o início de setembro, em operações semelhantes nas Caraíbas e no Pacífico.

Desde então, Washington atacou pelo menos 26 embarcações suspeitas, reforçando simultaneamente a presença militar na região, incluindo o envio do porta-aviões USS Gerald R. Ford.

As operações têm sido alvo de críticas e questionamentos por parte de especialistas, da ONU, de organizações de direitos humanos e de países do G7, que alertam para possíveis violações do direito internacional e para o uso excessivo da força letal em águas internacionais.