Alteração de metodologia do Doing Business prejudica Cabo Verde

Relatório para 2020 regista “recuo exógeno” no índice relativo, mas Governo firma o seu propósito de alcançar uma subida no ranking Doing Business, no horizonte de 10 anos

O Relatório do Doing Business Report, do Banco Mundial, para 2020, enaltece os vários esforços de Cabo Verde na implementação de quatro grandes reformas, como a abertura de empresas, obtenção de alvarás de construção, bem como o acesso à eletricidade e registo de propriedades.

O mesmo relatório que nesta avaliação introduz uma nova metodologia aplicada para o indicador de Proteção do Investidor Minoritário, refere que o nosso País perdeu posições, quando comparado com o relatório anterior.

No relatório divulgado na última quinta-feira, 190 economias são atualizadas. No caso de Cabo Verde, foram reconhecidas 4 reformas no período em apreço, ou seja, entre junho de 2018 e maio de 2019, o número mais elevado desde que o Doing Business iniciou o seguimento do País em 2007. As reformas incidiram na redução do tempo e custo de procedimentos associados aos indicadores de abertura de empresa, obtenção de alvarás de construção, acesso à eletricidade e registo de propriedades.

Cabo Verde regista no documento uma queda, entretanto explicada com a alteração da metodologia do indicador de proteção de investidores minoritários.

O Ministro de Estado, Fernando Elísio Freire, nota que esta alteração obriga, doravante, a ter 10 empresas privadas cotadas em bolsa, para poder pontuar em parte do indicador, “mudança essa prejudicial” a países mais pequenos e com menor massa crítica em termos de mercados de capitais.

“Apesar deste recuo exógeno no índice relativo, o Governo firma o seu propósito de alcançar uma subida no ranking Doing Business no horizonte de 10 anos, estribando-se em reformas estruturantes atualmente em curso e necessariamente planeadas num horizonte de longo prazo que transcende os ciclos eleitorais”, refere o Executivo da Várzea.

“Espera-se que estas reformas estruturais surtam efeito a partir do próximo ranking a ser publicado em outubro de 2020”, perspetiva, lembrando que Cabo Verde aprovou em julho um novo Código Comercial e Código das Sociedades Comerciais, substituindo diplomas já largamente ultrapassados e reconfigurando de forma profunda o quadro de ambiente de negócios.

“Igualmente, por motivos da metodologia do Doing Business, só no próximo ano serão contabilizados os efeitos da redução da taxa de imposto aprovada no Orçamento de 2019, bem como as novas modalidades de pagamento on-line dos impostos e das contribuições para a segurança social, implementadas desde fevereiro e junho do ano corrente”, observa ainda o mesmo documento do Governo.

A estas iniciativas somam-se outras em curso e que visam alterar o paradigma do ambiente de negócios na área legal e operacional da Administração Pública e judiciária, nomeadamente, a implementação efetiva do Código de Recuperação e Insolvência, a criação de um Código de Registo de Colateral, a informatização do acervo documental dos Cartórios Notariais, lançamento do projeto de janela única de comércio externo, implementação da fatura eletrónica, e a digitalização das plantas de localização.

Corpo de uma mulher encontrado sem vida em Monte Babosa

A garantia nos foi dada pela própria PN, sublinhando que o cadáver foi descoberto por volta das 8h00 deste sábado

Um corpo de uma mulher que aparenta ter uns 30 anos foi encontrado hoje sem vida na localidade de Monte Babosa, na Praia.

As informações ainda são escassas mas, segundo conseguimos apurar junto da Polícia Nacional, PN, o corpo foi descoberto por volta das 8h00 desta manhã.

No terreno estão os agentes da PN e agente sanitários a espera para o levantamento do cadáver.

Informações ainda não confirmadas dão conta de se tratar de uma mulher que trabalhava no condomínio que fica situado no topo do monte, perto da Universidade Piaget.

Mau tempo faz sete mortos no Japão

Chuvas torrenciais que causaram inundações e deslizamentos de terra em cidades a leste de Tóquio, Japão, provocaram sete mortos e danos em áreas que ainda recuperam de recentes tufões

Equipas de resgate do Município de Chiba estão a procurar mais duas pessoas desaparecidas. Milhares de casas estão sem água corrente e alguns serviços ferroviários sofreram atrasos ou foram suspensos.

Partes de Chiba ainda estão a recuperar de dois tufões desde o mês passado.

O último, o tufão Hagibis, há duas semanas, causou inundações generalizadas e a sua passagem resultou em mais de 80 mortos em todo o Japão.

Zona de Relva vai ter uma praça

A obra, com duração de seis meses, tem um orçamento na ordem dos 9 mil contos

A localidade de Relva, no Concelho dos Mosteiros, na ilha do Fogo, vai ter uma praça, “moderna”, que serve como um espaço para as famílias. A infraestrutura irá dispor de espaço para crianças, esplanada, bar-restaurante e um miradouro.

De acordo com a Edilidade, a obra que se inicia na próxima segunda-feira, 28, será um “atrativo turístico e um ponto de referência” na zona sul do Concelho.

O projeto foi socializado na quinta-feira, 24, e as obras devem demorar seis meses. O investimento é de cerca de 9 mil contos.

Janine Lélis ouvida no Parlamento

Instituto de Medicina Legal vai avançar, concurso internacional já foi lançado. Setor da Justiça está a melhorar mas precisa-se de mais melhorias

A Ministra da Justiça e do Trabalho, Janine Lélis, admitiu na última sexta-feira, 25, que o desempenho da Justiça em Cabo Verde continua a melhorar, mas deixou claro que é necessário “muito mais” a nível de melhorias.

Janine Lélis que foi ontem ouvida em sede de comissão parlamentar enfatizou que a Justiça tem que melhorar, pois ela é para servir os cidadãos.

Em declarações aos Jornalistas, após audição parlamentar, Lélis lembrou que os Cabo-verdianos “confiam” na Justiça e que as respostas “devem acontecer na proporção daquilo que é a expetativa” das pessoas.

A governante enfatizou a “diminuição significativa” de pendências no Ministério Público e “alguma diminuição” ao nível de funcionamento dos Tribunais.

Recorda-se que o relatório da situação da Justiça, que suporta o debate do setor na Assembleia Nacional, na próxima quarta-feira, regista menos casos de homicídio, de crimes sexuais, de crimes de VBG. Registou-se, igualmente, uma redução de entrada de processos crimes no Ministério Público, o que equivale a uma redução na ordem dos 26%. O relatório regista a diminuição de 67 mil processos.

Na audição, a governante defendeu que os Tribunais de pequenas causas só funcionam quando os juízes estiverem “capacitados e formados”.

Avançou que o Instituto de Medicina Legal, vai avançar, que o Governo já lançou concurso internacional para o estudo que vai “apontar” os caminhos, as fases, orçamento e sua forma de atuação. Este é um processo que na opinião de Janine Lélis “leva tempo” por ser “algo novo e complexo”.

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Eliseu Fortes, Edna Lima e Wilson Cabral vencem 1.ª etapa de CVTT

A prova aconteceu ontem, sexta-feira, na localidade de Hortelã, Concelho de São Miguel

Os atletas Eliseu Fortes, Edna Lima e Wilson Cabral, foram os grandes vencedores da primeira etapa do Cabo Verde Triangle Trail, CVTT.

Na prova dos 33 Km, Eliseu Fortes, atleta de Santo Antão, venceu com o tempo de 3h10mn. Na segunda posição ficou Flávio Andrade, também de Santo Antão enquanto que Ariano dos Santos foi o terceiro.

Nos femininos, a prova foi de 17 Km. Edna Lima, também de Santo Antão, foi mais veloz, tendo sido secundada pelas atletas Ana Furtado e Maria Natércia, respetivamente, em segundo e terceiro lugares.

Na prova masculina, Wilson Cabral, de Santa Catarina, venceu e Jerson Monteiro e Paulino Semedo conquistaram respetivamente o segundo e o terceiro lugar.

A primeira etapa começou no Município de São Miguel, na ilha de Santiago, e inclui o Parque Natural de Serra Malagueta. As próximas etapas serão nas ilhas do Fogo e Santo Antão.

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Festival Morebeza é um pretexto para grandes debates

Afirmação é do Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, à margem da sessão de abertura da terceira edição do Festival Morebeza, da literatura e dos livros

O Ministro sustentou que a presença do Prémio Nobel da Paz, José Ramos Horta, no evento, engrandece o Festival e enobrece o País.

O Governo quer fazer do livro e da literatura, através do Festival Morabeza, um pretexto para grandes debates no País, informou Abraão Vicente, para quem nesta terceira edição do Morabeza festival, pretende-se que o público questione os oradores, principalmente o Nobel da Paz, sobre os grandes temas internacionais, como por exemplo as mudanças climáticas, a guerra comercial entre a China-EUA, o posicionamento de Cabo Verde no mercado comum em África.

“A nossa pretensão e a nossa ambição é, sim, que mexa um pouco com a dinâmica literária em Cabo Verde, que os livros e os encontros literários não sejam apenas para escritores e para intelectuais, mas sejam um momento em que toda a Sociedade se mobiliza para grandes debates”, precisou o Ministro.

Para o próximo ano, o Governo está a estudar a possibilidade de manter o nível de participação de nobéis de qualquer setor.

O grande objetivo é conseguir grandes personalidades internacionais, para que, em Cabo Verde, possa haver esse debate, adicionou.

Depois da ilha de São Vicente, na segunda edição, a terceira festa do livro, assim como a primeira, decorre na Cidade da Praia, mas divide palco com a há do Fogo, onde acontece atividades em todos os três Municípios.

São Nicolau também quer entrar na lista dos organizadores, bem como a ilha de Santo Antão, mas de acordo com Abraão Vicente “o fundamental é que as ilhas se preparem e mobilizem as populações”.

Conforme notou, “não vale a pena ter sessões onde escritores vão e a população não apareça. E, para isso, nós também estamos preparados para fazer a mobilização necessária para que as pessoas apareçam”, adiantou.

Este festival literário prossegue até o dia 3 de novembro e contará com a presença de vários escritores convidados, nacionais e estrangeiros.

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ESAD promove palestra sobre “Justiça e o Estado de Direito”

Evento teve como palestrante o advogado Amadeu Oliveira, e enquadra-se num ciclo de eventos que a Escola tem programado para o corrente ano letivo, na disciplina de Direito

A Escola Secundária Abílio Duarte, ESAD, na Cidade da Praia, promoveu na tarde de ontem, 25, uma palestra dirigida aos alunos do 11.º e 12.º anos, versando a “Justiça e o Estado de Direito”, tendo como palestrante o advogado, Amadeu Oliveira.

O jurista debruçou-se sobre a questão de Cabo Verde, enquanto um Estado de Direito Democrático, enumerando os três poderes que compõem uma Nação, o Poder Legislativo, o Executivo e o Judicial.

O palestrante falou ainda da origem do Estado de Direito, do papel da Justiça num Estado de Direito, da Justiça como um dos valores fundamentais de um Estado de Direito, e debruçou-se ainda na questão da separação dos poderes e da interdependência do poderes de um Estado.

Amadeu Oliveira fez referência à importância da Constituição da República de um País, alegando ser este a lei mais fundamental de um Estado. “É na Constituição da República que consta a separação dos poderes, e o poder que cada um tem”, referiu.

O palestrante falou ainda da questão da necessidade do melhoramento do Estado de Justiça em Cabo Verde, alegando que o sistema possui várias lacunas que devem ser reformadas urgentemente de forma a beneficiar o povo.

A Diretora da Escola que esteve presente no ato, destacou a importância do tema para o sucesso profissional dos alunos, apelou que todos devem estudar de forma assídua para serem no futuro grandes profissionais de forma a darem um contributo significativo para o desenvolvimento de Cabo Verde.

Ao OPAIS.cv, o Professor José Tavares, da organização do evento, garantiu que o objetivo da realização dessa palestra consiste em consolidar as matérias lecionadas na sala de aula, como forma a melhorar os esclarecimentos.

Avançou, ainda, que o objetivo tem sido comprido, uma vez que constatou uma “excelente explanação” feita pelo advogado Amadeu Oliveira.

Mais duas palestras, sobre os Direitos Humanos e a evolução histórica da Constituição, estão previstas.

Este ciclo de eventos enquadra-se no plano de leccionação da disciplina de Direito, juntamente com a Direção da ESAD.

Cabo Verde recebe Missão do Banco Mundial

Missão decorreu entre 21 e 25 últimos e deu seguimento ao Projeto de Reforço da Educação e desenvolvimento de competências

Integrada por uma consultora e uma especialista para a área de educação, nomeadamente, Emily Gardner e Jem Heinzel-Nelson, o Governo, através dos serviços responsáveis pela implementação das três componentes recebeu entre 21 e 25 de outubro, a missão do BM de seguimento do referido projeto.

Os principais objetivos da missão foi analisar os progressos na implementação do projeto, com foco na reforma de educação, nas subvenções e programa de bolsas de estudo apoiado pelo Fundo de Habilidades, identificar os próximos passos para desenvolver um modelo de financiamento sustentável para programas de desenvolvimento de habilidades.

A missão teve ainda como objetivo, discutir opções de participação futura,  numa avaliação internacional das aprendizagens dos alunos, como Avaliação da Leitura do Primeiro Ano – EGRA, e analisar a implementação das atividades definidas com a SAFE Schools, antes de julho de 2020, no quadro do fundo recentemente aprovado.

A equipa do BM realizou, durante a missão, várias reuniões com os principais stakeholders do Governo e outros doadores que trabalham nas áreas de Educação e Desenvolvimento de Habilidades.

Amadeu Oliveira defende ser urgente reforma do Poder e Sistema Judicial Cabo-verdiano

Advogado defendeu a ideia da informatização dos processos judiciais, como forma a beneficiar o povo

Em declarações ao OPAÍS.cv, o advogado admitiu que Cabo Verde constitui um Estado de Direito Democrático, mas que se deve fazer um esforço para “melhorar, aprofundar e madura” os três poderes de um Estado, sendo o Poder Legislativo, Executivo e Judicial.

Admitiu o advogado, que o poder judicial está em “péssimas condições”, necessitando de uma reforma, alegando que não serve ao cidadão, as empresas, as famílias, trabalhadores, e é “urgente e necessário”, a sua reforma.

“As lacunas e as falhas já estão diagnosticadas, e toda a gente sabe onde existe as falhas e quem são os responsáveis, visto que o que falta é a coragem política do poder legislativo dos Deputados e da Assembleia Nacional para empreender uma reforma da justiça”, disse.

Amadeu Oliveira adiantou que esta reforma tem a ver com cinco ou seis pontos, nomeadamente, aprovar uma lei de determinação cronológica, dos processos, ou seja os processos que entrarem primeiro num determinado Tribunal tem que ser despachados primeiro.

Considerou que a questão da morosidade da Justiça é falsa, visto que a morosidade seria “se todos os processos demorassem muito”. Admitiu que o acontece é que a morosidade é só para alguns processos, visto que “uns são despachados rapidamente e outros da mesma natureza levam décadas para tal”.

O Advogado lembra que a Ministra da Justiça e do Trabalho, Janine Lélis, já apresentou a ideia no Parlamento, mas sem sucesso e nenhuma resposta por parte dos Juízes, alegando que o povo não deve aceitar, visto que a Justiça deve ser exercida em nome do povo.

Amadeu defendeu a ideia da informatização dos processos judiciais, pelo fato de várias instituições terem aderido ao sistema, alegando que a falha está no poder Judicial e na falta de vontade política dos Deputados para efetuar a reforma.

Quanto à nomeação do novo Procurador-Geral da República, Amadeu afiançou ver com naturalidade a nomeação de um novo Procurador, visto que o mandado do antigo já tinha expirado e o Governo propôs a nomeação de um novo e o Presidente da República aprovou de forma normal.

Questionado sobre o processo dos casos que lhe são acusados, o advogado alegou ser o maior criminoso de Cabo Verde do momento, acusado de 14 crimes, admitindo que o processo não tem um desfecho pelo fato de que já foi julgado três vezes e nenhum dos julgamentos chegou ao fim. “Os juízes no meio do julgamento abandonam a sala e saiam”, precisou.

Diz agora esperar a nomeação de um novo Juiz para poder dar continuidade ao processo, adiantando que os juízes só querem colocar pressão por cima dele, e que o seu processo fica sempre pelo meio, ou durante os julgamentos ou no Supremo Tribunal de Justiça em sede de recurso, e que nunca tem um desfecho.