Nova lei de emigração em Portugal “não é nenhuma diabolização nem ataque à emigração”

Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal tranquiliza Cabo-verdianos e cidadãos da CPLP

Em declarações feitas na Cidade da Praia, no âmbito das celebrações dos 50 anos da independência de Cabo Verde, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, assegurou que a nova lei de emigração, atualmente em discussão na Assembleia da República, “não é nenhuma diabolização ou ataque à emigração”.

Paulo Rangel procurou tranquilizar os Cabo-verdianos e os cidadãos da CPLP, reiterando que a proposta legislativa não visa restringir ou punir os emigrantes, mas sim estabelecer regras claras e equilibradas.

“Os cidadãos da CPLP não têm motivos de preocupação”, afirmou o governante Português, sublinhando que o objetivo da nova lei é garantir uma regulação responsável da emigração, essencial até para o bem-estar das comunidades já instaladas em Portugal.

De acordo com o Ministro, o foco da legislação é assegurar que os emigrantes sejam “tratados com dignidade e podem exercer o seu sonho a sua aspiração de ter uma vida melhor e de continuarem, no fundo, a defender a sua cultura e identidade, a serem recebidos com todo o humanismo”.

Paulo Rangel defendeu que a proposta em análise no Parlamento é “muito equilibrada” e visa garantir que os fluxos migratórios sejam regulares e sustentáveis, com condições adequadas para quem chega e para quem já está no País. “Isto não significa, de forma alguma, um sentimento anti-imigração ou coisa do género”, frisou.

Por fim, o Chefe da Diplomacia Portuguesa destacou que os cidadãos Lusófonos continuarão a beneficiar de um estatuto próprio, coerente com os laços históricos, culturais e afetivos que unem os países da CPLP, um “estatuto que condiz com essa fraternidade que todos sentimos entre nós”.

EUA anunciam novas tarifas globais

Medidas começam a vigorar em 1 de agosto e Trump promete sobretaxa adicional de 10% para quem adotar políticas do bloco liderado por Brasil, China e Rússia

O secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, anunciou que as chamadas “tarifas recíprocas” às importações globais, suspensas até 9 de julho, entrarão em vigor a partir de 1 de agosto.

O Presidente Donald Trump confirmou que está a definir as taxas e os acordos e prevê que a maioria dos países finalize negociações até à nova data limite.

Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, os países que não assinarem acordos até agosto enfrentarão tarifas que poderão variar entre 10% e 70%.

Trump anunciou que pretende enviar cartas a cerca de 100 países com as tarifas específicas a aplicar.

Além disso, Presidente dos EUA ameaçou aplicar uma tarifa adicional de 10% a qualquer País que alinhe com as políticas do bloco BRICS, que considerou como sendo contrárias aos interesses Norte-americanos. “Não haverá exceções”, garantiu Trump, levantando novas tensões nas negociações comerciais internacionais.

Reunidos no Rio de Janeiro, os líderes do BRICS (bloco que inclui 11 países do Sul Global) condenaram as práticas protecionistas e reafirmaram o compromisso de intensificar o comércio em moedas locais, além de discutir alternativas ao sistema de pagamentos SWIFT e criar garantias multilaterais para atrair investimentos.

A cimeira foi marcada pelas ausências dos presidentes da China e da Rússia, embora Vladimir Putin tenha participado por videoconferência e reforçado que 90% das transações comerciais entre a Rússia e os países do BRICS já são feitas em moedas nacionais.

EDITORIAL. Afinal, por que não fala o Presidente ?

O País celebrou 50 anos de independência num momento singular. Cabo Verde foi elevado, pelo Banco Mundial, à categoria de País de rendimento médio-alto. Um feito raro, principalmente para um pequeno Estado Insular, que até há pouco mais de duas décadas figurava entre os países mais pobres do mundo.

Era natural que este marco ganhasse espaço de destaque nas comunicações institucionais por esta ocasião. E foi isso que se viu, de forma clara e enfática, na comunicação oficial do Primeiro-Ministro, que associou a conquista ao esforço coletivo do País e à boa governação económica.

Mas o Presidente da República, José Maria Neves, mais uma vez nos surpreendeu.

No discurso da Sessão Solene na Assembleia Nacional, no dia 5 de Julho, o PR falou, como sempre faz, da graduação de Cabo Verde, ocorrida em 2007, para País de rendimento médio. No entanto, ignorou por completo a graduação histórica de agora, que classifica Cabo Verde como País de rendimento médio-alto.

A ausência repetiu-se no discurso no largo do Quartel Jaime Mota. Mais uma vez, falou-se de rendimento médio, mas não de rendimento médio-alto.

É impossível não perguntar:

Por que razão o Presidente da República evita, com tanto zelo, pronunciar as palavras “País de rendimento médio-alto”?

Estará o Chefe de Estado incomodado com o fato de este grande feito ter ocorrido sob o atual Governo? Ou será que não considera relevante a classificação atribuída pelo Banco Mundial, preferindo desvalorizá-la?

Pior ainda: por que razão a Imprensa pública, TCV e RCV, que acompanha o Presidente em todos os momentos, não o questiona sobre este silêncio evidente?

É uma omissão que levanta dúvidas. E dúvidas, em política, são sementes de desconfiança.

Os Cabo-verdianos merecem clareza. O País precisa de lideranças que ponham Cabo Verde acima de qualquer disputa política ou partidárias. E, sobretudo, precisa de um Presidentes da República que diga, com orgulho e sem rodeios, quando o País alcança vitórias.

Mesmo que essas vitórias não lhe seja politicamente confortável.

Última hora. Santiago vence Taça Independência 2025

Chibinho fez o único golo da partida ao cair do pano. Santiago torna-se a seleção mais titulada da competição

A seleção de Santiago conquistou este domingo, 6, a Taça Independência 2025 ao vencer São Vicente por 1-0, num jogo equilibrado disputado hoje no Estádio Nacional, na Cidade da Praia.

A partida foi intensa e bem disputada, com várias oportunidades de golo para ambas as equipas, mas terminou empatada sem golos no tempo regulamentar, forçando o prolongamento.

Foi já no prolongamento, aos 30 minutos da segunda parte, que o defesa central Chibinho se tornou o herói da tarde ao marcar o único golo do encontro, que garantiu o título para Santiago.

As seleções de Santiago e São Vicente, que chegaram à final com cinco troféus cada, lutavam pela conquista do sexto título da Taça Independência, uma das provas emblemáticas inseridas nas comemorações do Dia da Independência de Cabo Verde, celebrado a 5 de julho.

Com esta vitória, Santiago torna-se a seleção mais titulada da competição.

Cabo Verde e Luxemburgo reforçam laços de amizade e cooperação

Ulisses Correia e Silva recebeu o seu homólogo Luxemburguês na Cidade da Praia

Cabo Verde e Luxemburgo reforçaram, na manhã deste domingo, na Cidade da Praia, os laços de amizade e cooperação bilateral, durante um encontro entre os Primeiros-Ministros dos dois países.

A reunião decorreu no âmbito da visita oficial do Primeiro-Ministro do Luxemburgo, Luc Frieden, ao Arquipélago, numa altura simbólica em que Cabo Verde celebra os 50 anos da sua independência nacional.

O Chefe do Governo Cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, destacou que os dois países mantêm uma relação “exemplar, com décadas de colaboração” em áreas estratégicas como energia, segurança marítima, educação, formação profissional e inclusão social. “Sublinhámos ainda o papel fundamental da Comunidade Cabo-verdiana residente no Luxemburgo, que representa uma ponte viva entre os nossos povos e culturas”, afirmou UCS.

Por sua vez, Luc Frieden realçou a importância da sua visita num momento marcante para Cabo Verde e destacou a qualidade da cooperação existente entre os dois países, manifestando interesse em aprofundar essa parceria estratégica nos próximos anos.

Papa insiste no diálogo em vez de violência

Líder Católico sublinha que a paz “é um desejo de todos os povos”

O Papa Leão XIV insistiu, este domingo, na necessidade de haver diálogo em vez de violência e lamentou o “grito doloroso dos que estão dilacerados pela guerra”, em várias partes do mundo.

No final do Angelus, Leão XIV pediu orações aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro para que Deus “toque os corações e inspire as mentes dos governantes para que a violência das armas seja substituída pela busca do diálogo”.

O Papa expressou condolências “às famílias que perderam entes queridos” durante o desastre causado pela inundação do rio Guadalupe, no Texas, EUA.

FC Porto oficializa Francesco Farioli como novo treinador de futebol

Italiano de 36 anos assinou contrato por duas temporadas e será apresentado amanhã, segunda-feira

O FC Porto confirmou, este domingo, a contratação do técnico Italiano Francesco Farioli, que sucede ao Argentino Martín Anselmi no comando da equipa principal de futebol.

Farioli, de 36 anos, assinou um contrato válido por duas temporadas, até junho de 2027, segundo informou o clube nortenho em comunicado oficial.

“Francesco Farioli é o novo treinador do FC Porto após rubricar um vínculo contratual válido para as próximas duas temporadas, até junho de 2027”, refere a nota divulgada pelo clube.

A apresentação oficial do novo treinador está agendada para esta segunda-feira, 7 de julho, às 12h00, no Estádio do Dragão.

50 Anos de Independência: o legado de Pedro Pires e o desafio da democracia em Cabo Verde

Ao celebrar meio século de soberania, é fundamental reconhecer as escolhas do passado para fortalecer o compromisso com a liberdade e a consolidação do Estado democrático.

Neste 5 de julho de 2025, Cabo Verde comemora meio século de independência, um marco histórico celebrado com solenidade em todo o país e na diáspora. Desde a proclamação da independência em 1975, no Estádio da Várzea, na cidade da Praia, o país tem trilhado um percurso de avanços notáveis em áreas como educação, saúde e democracia, tornando-se referência no continente africano.

Neste contexto de celebração e reflexão, é oportuno revisitar a trajetória do Presidente Pedro Pires, figura central na luta pela independência e na consolidação do Estado cabo-verdiano. Pires declarou abertura política em 1990 e foi eleito Presidente da República numa disputa acirrada, decidida no tribunal — episódio que simboliza a maturidade democrática que hoje caracteriza Cabo Verde.

A sua contribuição é inegável e amplamente reconhecida. E para mim, pessoalmente, Pedro Pires já está reabilitado aos olhos da História e da Nação. No entanto, permanece um ponto delicado que merece ser debatido com franqueza: a sua persistência em defender o orgulho pelo partido único, mesmo reconhecendo que, ao longo destes 50 anos, houve acertos e equívocos.

Essa posição, compreensível do ponto de vista pessoal e biográfico, pode ter implicações políticas preocupantes. Bastaria que admitisse, com a autoridade que tem, que o partido único foi uma opção política — entre outras possíveis — e não uma inevitabilidade histórica. Só isso já seria suficiente para não deixar margem à atual direção do PAICV para alimentar, sem contraditório, um discurso anacrónico de glorificação do partido único, das milícias populares e dos tribunais de zona, com base num alegado “vazio” que a sua extinção teria deixado.

Essa narrativa não corresponde à realidade: o verdadeiro vazio não foi provocado pela democracia, mas sim pela dificuldade de certas elites em aceitá-la de forma plena e consequente.

Se o Presidente Pires assumisse publicamente que o partido único foi uma escolha política que poderia ter sido diferente, contribuiria, mais do que ninguém, para consolidar a irreversibilidade do regime democrático em Cabo Verde. Seu legado não se limitaria ao de artífice da independência — passaria a ser também o maior construtor da democracia que hoje temos, reconhecido sem hesitações ou ambiguidade.

O partido único pertence ao passado e não deve ser motivo de orgulho, mas sim de aprendizado. Esse reconhecimento consolidaria o estatuto de Pires como estadista que soube posicionar-se, com sinceridade e coerência, do lado certo da história: o lado da liberdade.

Foi por acreditar na importância dessa mensagem que, nas últimas semanas, me envolvi ativamente no debate público. Reconheço que tenho escrito com frequência — talvez até em demasia — nas redes sociais, movido pela inquietação cívica perante o rumo do discurso político atual. Em especial, após ouvir do atual líder do PAICV — e candidato a Primeiro-Ministro nas eleições de 2026 — declarações de exaltação ao partido único, às milícias e aos tribunais de zona, com um suposto “entendimento sólido e de aço”, e com a alegação de que a sua extinção deixou um “vazio” no país.

Mais surpreendente, porém, tem sido o silêncio de muitas vozes democráticas respeitadas em Cabo Verde, que sempre se bateram pela liberdade e pela Constituição, mas que agora parecem hesitar em reagir a declarações tão graves vindas de quem aspira liderar o país. Esse tipo de discurso não pode passar em silêncio. E talvez esta espécie de carta ao Presidente Pedro Pires — a quem reconheço o valor histórico e simbólico — represente, para mim, uma pausa no debate partidário nacional. Não porque faltem argumentos, mas porque acredito que cumpri, até aqui, o meu dever de alertar, defender e reafirmar a liberdade.

É tempo agora de dar espaço à reflexão e de confiar que outros, também com responsabilidade cívica, saibam continuar a construção coletiva de um Cabo Verde democrático, plural e justo. A democracia não é tarefa de um só — é missão de todos.

Presidente da Assembleia Nacional apela à preservação da memória histórica

Durante a sessão solene comemorativa dos 50 anos da independência, Austelino Correia sublinhou que a liberdade foi uma conquista do povo Cabo-verdiano e não uma dádiva

O Presidente da Assembleia Nacional, Austelino Correia, defendeu este sábado, 5, a importância de os Cabo-verdianos preservarem a memória histórica e valorizarem as conquistas alcançadas com a independência nacional, proclamada em 1975.

Durante a sessão solene comemorativa dos 50 anos da independência, Austelino Correia sublinhou que a liberdade foi uma conquista do povo Cabo-verdiano e não uma dádiva, lembrando os sacrifícios enfrentados no processo de autodeterminação.

O Líder do Parlamento destacou ainda a importância de continuar a inspirar os jovens na construção de um Cabo Verde de esperança, referindo-se à visão do artista Norberto Tavares.

Austelino Correia apontou que a proclamação da independência em 1975 foi a primeira pedra do País soberano, a segunda aconteceu em 1991 com a realização das primeiras eleições democráticas e a terceira com a aprovação da Constituição de 1992.

O Presidente da Assembleia Nacional reconheceu os progressos alcançados nas últimas décadas, sobretudo na melhoria das condições de vida, educação e saúde, mas alertou para os desafios futuros, agravados por um contexto internacional incerto e pelas transições demográfica e epidemiológica que Cabo Verde enfrenta.

MpD propõe acordo político global e pede mais diálogo entre Partidos

Partido defendeu que o Estado deve um pedido de desculpas às vítimas do regime de partido único instituído após a independência

O líder parlamentar do Movimento para a Democracia, Celso Ribeiro, defendeu hoje durante a sessão solene comemorativa dos 50 anos da independência de Cabo Verde, que o Estado deve um pedido de desculpas às vítimas do regime de partido único instituído após a independência.

Para o Parlamentar, é necessário um olhar honesto sobre o passado, reconhecendo os avanços do País, mas também os erros cometidos. “Passados 50 anos da nossa independência, um pedido de desculpas por parte do Estado ao povo Cabo-verdiano ainda se justifica”, afirmou, sublinhando que tal gesto deveria ser acompanhado de uma adequada reparação às vítimas.

Celso Ribeiro criticou os 15 anos de monopartidarismo, que, no seu entender, travaram o desenvolvimento nacional, as destacou que a democracia, iniciada em 1991, aproximou os Cabo-verdianos e permitiu avanços importantes, incluindo os progressos recentes no crescimento económico e na redução do desemprego.

O Deputado destacou ainda a importância de fortalecer o diálogo político e propôs um acordo global entre as forças parlamentares para desbloquear processos institucionais pendentes.

Celso Ribeiro repudiou ainda a ideia de que a emigração jovem seja sinal de fracasso, defendendo que a mobilidade representa oportunidades e é uma consequência natural da globalização.