Governo reforça medidas de proteção às crianças

Neste Dia da Criança Africana, o Executivo anunciou um conjunto de medidas para reforçar a proteção das crianças e dos adolescentes

Entre as ações destacam-se a implementação de um modelo de governança infantil, que privilegia um sistema de proteção robusto, holístico e integrado, junto às comunidades, e o combate à violência sexual, com a execução do Plano Nacional de Prevenção e Combate à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes (2022-2024).

Conforme um comunicado do Executivo, serão ainda reforçadas as equipas de educadores de rua, aumentando o apoio às crianças em situação de vulnerabilidade, e serão revista a legislação da adoção, a responsabilização parental pelo incumprimento das responsabilidades, o funcionamento dos centros de emergência infantil nas ilhas do Sal, Santo Antão e Santiago Norte, a atribuição de Rendimento Social de Inclusão às famílias mais carenciadas e o acesso universal às prestações sociais às crianças portadoras de deficiência.

Outras medidas englobam o alargamento da rede de delegações do ICCA, o reforço do seu quadro técnico, a criação de um observatório da criança, a universalização do ensino básico de 8º para 12º ano, a isenção de propinas, o alargamento das creches públicas e a regulamentação e fiscalização de atividades lúdicas e pedagógicas.

Com a mesma visão, o Governo vai reforçar as organizações não governamentais que prestam assistência às crianças, aumentando o seu apoio e serão implementados mecanismos específicos para apoiar crianças abandonadas, portadoras de deficiência ou que se encontrem em situação de privação social.

O Dia da Criança Africana foi instituído em 1991, pela Assembleia de Chefes de Estado da então OUA, em memória ao dia 16 de junho de 1976, em que os estudantes de Soweto, Africa Sul, marcharam em defesa dos seus direitos.

BAD aprova 19,6 milhões de Euros para apoiar Fase II do projeto Cabeólica

Financiamento inclui um empréstimo de 12,6 milhões de Euros do BAD e 7 milhões do Fundo para a Energia Sustentável em África (SEFA)

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) aprovou um pacote de 19,6 milhões de Euros para apoiar a Fase II do projeto Cabeólica em Cabo Verde, a primeira iniciativa do País que combina produção eólica com armazenamento de energia em baterias.

O financiamento inclui um empréstimo de 12,6 milhões de euros do BAD e 7 milhões do Fundo para a Energia Sustentável em África (SEFA).

Com esta expansão serão acrescentados 13,5 MW de produção eólica e 26 MWh de armazenamento, aumentando para mais de 60 GWh a energia renovável gerada por ano — enquanto se evita a emissão de 50 mil toneladas de CO₂.

A Cabeólica é uma parceria da Corporação Financeira Africana, A.P. Moller Capital e entidades públicas Cabo-verdianas, sendo o primeiro produtor independente de energia no País.

O projeto será implementado ao abrigo de um contrato de 20 anos com a Electra, contribuindo para a meta de 50% de energia renovável até 2030.

Festival de Santa Maria será nos dias 12 e 13 de setembro com homenagem a Antero Simas, Mário Lopes e Alcides Spencer

Anúncio foi feito há momentos pela Câmara Municipal do Sal

A Câmara Municipal do Sal acaba de anunciar as datas da próxima edição do Festival Internacional de Música da Praia de Santa Maria. O evento terá lugar nos dias 12 e 13 de setembro, antecipando as celebrações do Dia do Município, que se assinala a 15 de setembro.

Este ano, o festival presta homenagem a três figuras marcantes da cultura Cabo-verdiana: Antero Simas e Mário Lopes, ambos a título póstumo, e Alcides Spencer, compositor ainda em vida.

Num ano particularmente simbólico, em que Cabo Verde celebra os 50 anos da sua Independência, a Autarquia sublinha que a homenagem é feita “a quem fez e continua a fazer a nossa história”, sublinhando que os homenageados representam o legado, o compromisso e a paixão pela cultura Cabo-verdiana, pelo que serão celebrados como merecem, em grande estilo, durante esta edição tão especial do Festival de Santa Maria.

A praia de Santa Maria volta, assim, a transformar-se no palco de um dos maiores encontros da música, cultura e identidade Cabo-verdiana.

“Este ano, celebramos não apenas o talento que ecoa pelas nossas ilhas, mas também a história viva de quem dedicou a sua arte à valorização da nossa cultura”, destaca ainda a nota oficial da Autarquia nas redes sociais, referindo-se à 33.ª edição do festival.

Comunidade Chinesa cria fundação para apoiar os mais vulneráveis em Cabo Verde

Fundação de Caridade Chinesa e Ultramarinos em Cabo Verde foi oficialmente criada na última sexta-feira

A Fundação de Caridade Chinesa e Ultramarinos em Cabo Verde foi oficialmente criada na última sexta-feira, com o objetivo de apoiar grupos vulneráveis, como mulheres, crianças, idosos, doentes e pessoas com deficiência, reforçando os laços de solidariedade e amizade entre a China e Cabo Verde.

Segundo o Presidente da nova instituição, Zheng Xinwang, a fundação quer mobilizar empresas e outros setores da sociedade para apoiar quem mais precisa, sendo gerida com transparência, equidade e um profundo espírito humanitário.

Zheng Xinwang sublinhou ainda o compromisso de inovar nas ações solidárias, aumentando o seu impacto junto das comunidades carenciadas.

Durante o lançamento, o Ministro das Finanças, Olavo Correia, enalteceu o envolvimento da comunidade Chinesa no desenvolvimento de Cabo Verde e a relevância desta nova organização para o reforço das relações bilaterais.

CV Interilhas realiza viagem extra entre São Vicente e Santo Antão no dia 20 de junho

Navio Chiquinho partirá de São Vicente às 18h00, regres­sando de Santo Antão às 20h00

A CV Interilhas anunciou que, por ocasião das festividades de São João em Santo Antão, será realizado uma viagem extra na sexta-feira, 20 de junho, reforçando assim a ligação marítima entre São Vicente e Santo Antão.

De acordo com a empresa, o navio partirá de São Vicente às 18h00, regres­sando de Santo Antão às 20h00.

Os bilhetes já estão disponíveis para compra nas agências da CV Interilhas e online, no site www.cvinterilhas.cv.

Para mais informações, os passageiros podem ainda entrar em contacto com o serviço de apoio ao cliente, pelo número 350 0330, ou acompanhar as redes sociais da empresa.

 

Fernando Elísio Freire visita Centro de Acolhimento de Doentes Evacuados em Lisboa

Esta visita insere-se no âmbito da sua deslocação a Lisboa para participar na XVI Reunião de Ministros do Trabalho e dos Assuntos Sociais da CPLP, agendada para 18 de junho

O Ministro de Estado, da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social, Fernando Elísio Freire, realizou hoje, uma visita ao Centro de Acolhimento de Doentes Evacuados (CADE) do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), em Lisboa.

De acordo com uma publicação na página de Facebook do MFID, a visita teve como principal objetivo acompanhar de perto o acolhimento e a assistência prestada aos cidadãos Cabo-verdianos evacuados para Portugal por razões de saúde.

A mesma fonte destacou que durante a visita, o Ministro inteirou-se do funcionamento do serviço de atendimento ao público, verificando as condições das novas instalações do CADE.

Teve ainda lugar uma reunião de trabalho com os responsáveis do INPS com o intuito de analisar o funcionamento do Centro após a mudança e de fazer o ponto de situação da implementação do protocolo de cooperação existente entre as instituições envolvidas.

O MFIDS adiantou que o encontro permitiu identificar boas práticas e desafios na assistência aos doentes evacuados, com enfoque nas questões relacionadas com o alojamento, acompanhamento médico, apoio social e articulação institucional.

Esta visita insere-se numa agenda mais alargada de trabalho em Lisboa, que culminará no dia 18 de junho com a participação do Ministro na XVI Reunião de Ministros do Trabalho e dos Assuntos Sociais da CPLP, sob o lema “Dignidade Laboral e a Empregabilidade Jovem”.

PM preside ao lançamento das obras na Estrada Calheta–Tarrafal

Empreitada cobre um troço de 28 km e representa um investimento de 1,3 mil milhões de Escudos

O Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, preside hoje à cerimónia de apresentação e lançamento do Projeto de Reabilitação e Asfaltagem da Estrada EN1-ST-02, que liga os municípios da Calheta de São Miguel e Tarrafal de Santiago.

Conforme o Gabinete do Primeiro-Ministro, o evento decorre em dois momentos, na Praça Central junto à Igreja de Santo Amaro Abade, no Tarrafal, e na Praça da Câmara Municipal (Veneza), na Calheta de São Miguel.

Com um prazo de execução de 10 meses, a empreitada é da responsabilidade do consórcio Tecnovia–Apex Construction, representando um investimento de 1,3 mil milhões de Escudos.

A obra cobre um troço de 28 km e é promovida pelas Estradas de Cabo Verde (ECV) como parte do compromisso do Governo de apoiar a melhoria das condições de vida das populações.

Trump quer maior deportação da história dos EUA

Presidente Americano deu ordem para deportar imigrantes nas “maiores cidades dos Estados Unidos, como Los Angeles, Chicago e Nova Iorque”

O Presidente dos EUA, Donald Trump, deu ordem às autoridades de imigração para ampliar as deportações nas maiores cidades do País, como Los Angeles, Chicago e Nova Iorque.

Numa mensagem na Truth Social, Trump disse que os agentes do ICE estão autorizados a fazer “tudo o que for preciso” para aplicar o maior plano de deportação da história.

A decisão é anunciada num contexto de protestos nas comunidades afetadas pelas rusgas, enquanto empresas manifestam preocupação com a falta de mão de obra nas atividades agrícolas e hoteleiras.

Ainda assim, Trump mantém o reforço das deportações, enquanto nas últimas semanas se verifica uma saída acentuada de trabalhadores estrangeiros nos EUA, aumentando a escassez de mão de obra.

A situação já deu lugar a confrontos nas streets de Los Angeles, onde manifestantes protestam pelas ações de Trump, que, neste fim-de-semana, chegou a recorrer às tropas da Guarda Nacional para conter os distúrbios.

Remessas dos emigrantes atingem recorde de 30,6 mil milhões de Escudos em 2024

Emigrantes Cabo-verdianos em Portugal contribuíram com a maior parcela, seguindo-se a emigração nos Estados Unidos e em França

As remessas dos emigrantes para Cabo Verde atingiram um recorde de 30,6 mil milhões de Escudos em 2024, segundo dados do Banco de Cabo Verde (BCV) divulgados neste Dia Internacional das Remessas Familiares.

Os emigrantes Cabo-verdianos em Portugal contribuíram com a maior parcela (32%), seguindo-se a emigração nos Estados Unidos (29%) e em França (19%).

As remessas em divisas enviadas a partir destes três países equivalem a 80% do total, num pódio semelhante ao de anos anteriores, salvo quando Portugal e EUA se permutam entre o primeiro e segundo lugar.

Os dados do Banco de Cabo Verde (BCV), recolhidos junto dos bancos comerciais, mostram que, embora o fluxo tenha sido constante ao longo de 2024 –nunca inferior a dois mil milhões de Escudos por mês – registou picos em julho e dezembro.

Os quadros estatísticos do BCV mostram também para onde vão as remessas em divisas, com a Ilha de Santiago a concentrar mais de metade (53%) do valor recebido. Seguem-se São Vicente (16%) e Fogo (11%).

Brava e Maio, as ilhas menos povoadas, são também as que menos recebem.

Em 2018, a Assembleia-geral da ONU definiu 16 de junho como o Dia Internacional das Remessas Familiares, em reconhecimento à contribuição dos migrantes no mundo para a melhoria da vida dos familiares nos países de origem.

EDITORIAL. Desemprego em Cabo Verde. Entre Factos Estatísticos e Narrativas Técnicas

A recente divulgação dos dados do Instituto Nacional de Estatística, INE, que revelam uma redução da taxa de desemprego em Cabo Verde para 8% em 2024, merece ser analisada com seriedade, rigor e, acima de tudo, com respeito pela evidência empírica. Trata-se da menor taxa registada nos últimos anos, acompanhada por um crescimento da população empregada (mais 4,4%) e da taxa de atividade (mais 0,5 pontos percentuais).

Estes dados não são apenas estatísticos, são reflexo da dinâmica real do mercado de trabalho, com impacto direto na vida das pessoas.

Apesar disso, um economista pseudo-intelectual, frequentemente associado a leituras enviesadas e a interesses oposicionistas, opta por enquadrar estes dados à luz de uma tese técnica, afirmando mais ou menos que “a dinâmica do desemprego em qualquer economia não é determinada por fatores do lado da oferta, como políticas de emprego, de formação ou de estágio, mas sim por fatores do lado da procura de mão-de-obra”.

A afirmação é correta no plano da teoria económica clássica. Mas a forma como o “teórico de conviniência” o utiliza acaba por desvalorizar, de forma subtil, os progressos registados no País.

É importante reconhecer que políticas de formação, estágios, programas de incentivo ao emprego jovem e investimento público não são, por si sós, suficientes para resolver estruturalmente o problema do desemprego. Mas ignorar ou tentar desvalorizar o seu papel complementar na ativação do mercado de trabalho e na melhoria da empregabilidade é uma leitura parcial.

Numa economia de pequena escala, como a Cabo-verdiana, o lado da oferta — se bem estruturado — pode ter efeitos relevantes e imediatos, especialmente quando conjugado com um ciclo de crescimento económico.

Além disso, o próprio argumento técnico de que o desemprego depende apenas da procura ignora a evolução observável no período recente: crescimento do turismo, retoma do investimento privado, projetos de obras públicas, dinamização do setor da economia digital e uma melhoria geral do ambiente macroeconómico. Tudo isso contribui para aumentar a procura por mão-de-obra — e é isso que os dados do INE refletem.

É legítimo e até desejável que se mantenha um espírito crítico sobre a sustentabilidade destes indicadores. No entanto, é igualmente necessário evitar transformar o comentário técnico numa narrativa política travestida de neutralidade académica. Quando o País apresenta resultados positivos, é dever de todos — especialistas (ou supostos), analistas e cidadãos — valorizar os sinais de progresso, mesmo que se mantenha vigilância quanto aos desafios futuros.

Minimizar os dados do INE com argumentos abstratos pode parecer elegante do ponto de vista académico, mas afasta-se da realidade concreta vivida pelos milhares de Cabo-verdianos que hoje têm um posto de trabalho e não o tinham ontem.

Cabo Verde ainda enfrenta desafios no mercado de trabalho, como a subutilização da força de trabalho, o emprego informal e o desemprego jovem. Mas negar os avanços só porque não se ajustam a determinadas narrativas ideológicas é um desserviço ao debate público.