Quem escolheu Cabo Verde para viver deve ser bem tratado

Afirmação é do Ministro da Família e Inclusão Social. Fernando Elísio Freire lembra que Cabo Verde só é grande porque tem a Imigração, e porque o nosso Arquipélago tem uma história de emigração

O Ministro da Família e Inclusão Social disse hoje que quem escolheu Cabo Verde para viver deve ser bem tratado, tanto pelo Governo como por todos os Cabo-verdianos.

Fernando Elísio Freire fez estas declarações na abertura da IX Reunião do Conselho Nacional da Imigração, onde sublinhou ainda que Cabo Verde tem esse dever uma vez que tem uma história de emigração.

“A inclusão e o desenvolvimento de qualquer País fazem-se naturalmente com as pessoas, fazem-se com pessoas que vivem, escolheram Cabo Verde para trabalhar, são essas pessoas que o País tem de contar e tem de incluir a todos”, afirmou, em declarações reproduzidas pela Agência Inforpress.

Para Elísio Freire, sendo Cabo Verde um País de emigração, as suas leis devem ser mais inclusivas, principalmente no acesso à educação, saúde, rendimento habitação e cuidado. “Tratar bem quem escolheu Cabo Verde para viver significa ter uma lei de nacionalidade que permita inclui o máximo possível, ter um sistema ou os mecanismos de acesso aos serviços públicos mais humanizados possíveis e que tratam todos de maneira igual”, precisou, indicando que Cabo Verde só é grande porque tem a Imigração, porque se relaciona com o mundo.

Porto Novo. Homem ateia fogo à ex-namorada

Luís Inocêncio teria antes espancado a ex- companheira até ficar inanimada, para depois atear fogo no quarto onde se encontrava a vítima

O caso aconteceu hoje no Município do Porto Novo. Um indivíduo de 51 anos espancou a sua ex- namorada até ficar inanimada, e ateou fogo ao quarto onde deixou a vítima inanimada.

Segundo informações avançadas pela Agência Inforpress, a mulher foi socorrida por populares que a levaram ao serviço de urgência do Centro de Saúde do Porto Novo, tendo sido transferida para o Hospital Central Batista de Sousa, em São Vicente, em estado grave.

O agressor já foi detido e será apresentado amanhã ao Tribunal.

Covid-19. Cabo Verde regista mais 30 casos positivos e 34 altas

Desde o início da pandemia, o País já notificou 38.082 casos positivos acumulados, dos quais resultaram em 37.352 casos recuperados, 347 óbitos, 15 óbitos por outras causas e 9 transferidos

Cabo Verde registou nas últimas 24 horas, mais 30 casos positivos de Covid-19, em 439 amostras analisadas, e 34 recuperados.

De acordo com os dados, as novas infeções foram notificadas nas Ilhas de Santiago, 12, São Vicente, 11, Santo Antão, 2, assim como Maio, Fogo, Sal e São Nicolau com 1 cada.

Quanto aos recuperados, o Município da Praia notificou mais 6, Santa Catarina 2, São Vicente 18, Ribeira Brava 5 e Maio 3.

De realçar que no momento o País conta com 359 casos ativos.

Escritora Paulina Chiziane vence Prémio Camões

Escritora Moçambicana, autora de “Balada de Amor ao Vento” e “Ventos do Apocalipse”, foi escolhida por unanimidade

Paulina Chiziane é a vencedora do Prémio Camões 2021, numa escolha feita por unanimidade, anunciou hoje a Ministra Portuguesa da Cultura, Graça Fonseca.

“No seguimento da reunião do júri da 33.ª edição do Prémio Camões, que decorreu no dia 20 de outubro, a Ministra da Cultura anuncia que o Prémio Camões 2021 foi atribuído à escritora Moçambicana Paulina Chiziane”, lê-se na nota informativa hoje divulgada.

“O júri decidiu por unanimidade atribuir o Prémio à escritora Moçambicana Paulina Chiziane, destacando a sua vasta produção e receção crítica, bem como o reconhecimento académico e institucional da sua obra. O júri referiu também a importância que dedica nos seus livros aos problemas da mulher Moçambicana e Africana. O júri sublinhou o seu trabalho recente de aproximação aos jovens, nomeadamente na construção de pontes entre a literatura e outras artes.

Paulina Chiziane é autora de “Balada de Amor ao Vento” e “Ventos do Apocalipse”.

Alguns dos seus livros foram publicados em Portugal e no Brasil, e estão traduzidos em Inglês, Alemão, Italiano, Espanhol, Francês, Sérvio e Croata.

Portugal prepara novas medidas para enfrentar a crise dos combustíveis

Anúncio foi feito pelo Primeiro-Ministro, António Costa, que disse que há a consciência “de que esta crise é uma crise transitória, mas que vai durar ao longo dos próximos meses

O Governo Português vai apresentar até ao final da semana um conjunto de medidas para enfrentar a crise dos combustíveis, anunciou esta quarta-feira o Primeiro-Ministro.

Costa afirmou que há a consciência “de que esta crise é uma crise transitória, mas que vai durar ao longo dos próximos meses” e por isso o executivo está a trabalhar com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias e com a Associação Nacional de Transportes de Passageiros para encontrar soluções.

Estas soluções “têm de ser de natureza transitória”, sustentou, para não comprometer “aquilo que é o objetivo fundamental de enfrentar” as alterações climáticas.

“A emergência climática não desapareceu e sabemos que combatê-la tem custos. Agora esses custos têm de ser, obviamente, suportáveis pelos cidadãos, pelas empresas, e, portanto, estamos disponíveis para adotar medidas que sejam sustentáveis, que sejam transitórias, mas que respondam a esta situação”, completou.

O Primeiro-Ministro referiu que uma das medidas já está a vigorar, referindo-se à devolução da receita extraordinária arrecadada em IVA através do aumento do preço dos combustíveis.

António Costa também referiu a importância que o debate no Conselho Europeu terá para a resolução deste problema, já que “não é indiferente se as decisões” dos Estados-membros “forem umas ou forem outras”.

Antes, durante o debate, o Primeiro-Ministro defendeu a revisão do mecanismo de formação de preços da energia na União Europeia, que disse prejudicar Portugal, e medidas de curto prazo para enfrentar a atual crise, sem colocar em causa metas ambientais.

Estas posições foram defendidas por António Costa no discurso que abriu o debate parlamentar sobre a reunião do Conselho Europeu, na quinta e sexta-feira, em Bruxelas, em que um dos temas centrais é a atual trajetória de subida dos preços da energia.

 

Surto de conjuntivite já chegou a Ribeira Grande de Santo Antão

Delegada de Saúde daquele Município já confirmou o surto, sublinhando que no momento, o foco das autoridades sanitárias é informar as pessoas sobre a doença para prepará-las caso sejam infetadas

O surto de conjuntivite que já atacou vários Concelhos do País, já chegou a Ribeira Grande de Santo Antão, confirmou a Delegada de Saúde local.

De acordo com Florentina Lima, que não avançou números de infetados, a Delegacia de Saúde está, neste momento a trabalhar no processo de divulgação das melhores formas de prevenção. “Agora o nosso foco é informar as pessoas sobre a doença para os preparar caso sejam infectados”, disse.

Mudança de estação pode estar na origem deste surto, segundo a Delegada, que confirma que os casos até então registados são muitos superiores aos registados no passado. “Acreditamos também que seja a questão mecânica derivado da poluição, gazes e fumaça podem ser também um dos fatores para este surto, mas sem descartar a parte infeciosa” salientou, apelando as pessoas a higienizar as mãos frequentemente e evitar contato com outras pessoas casos forem infetadas, e procurar uma estrutura de saúde.

Cabo-verdianos pouparam mais de 8 mil milhões de Escudos, em agosto

Trata-se de um novo máximo, um acréscimo de 1,7% face ao mês de junho. No ano passado a poupança era de 6.847 milhões de Escudos

As poupanças dos Cabo-verdianos nos bancos subiram em agosto para 8.147 milhões de Escudos, um novo máximo, segundo dados oficiais do Banco de Cabo Verde, BCV.

De acordo o mais recente relatório estatístico mensal do BCV, deste mês, trata-se de um aumento de 1,7% face a julho.

Em março de 2020, antes da pandemia de Covid-19, essas poupanças cifravam-se em 6.847 milhões de Escudos, e foram crescendo praticamente todos os meses, acumulando até ao momento um aumento de 19%, desde o início da pandemia.

Só entre março e abril deste ano os depósitos de poupança nos bancos Cabo-verdianos aumentaram 7%, de 7.736 milhões de Escudos para quase 7.844 milhões de Escudos, segundo o histórico disponibilizado pelo BCV, consultado pela Agência Lusa.

Em julho, contudo, registou-se a primeira queda no valor dos depósitos de poupança em nove meses, mas que voltou a crescer em agosto, para o valor mais alto do histórico disponibilizado pelo BCV.

Covid-19. Europa é única região do mundo com aumento de novos casos

Grã-Bretanha, Rússia e Turquia foram os responsáveis pela maioria dos casos. A maior queda nos casos foi observada em África e no Pacífico Ocidental

A Organização Mundial da Saúde, OMS, revelou que houve um aumento de 7% nos novos casos do novo coronavírus na Europa, a única região do mundo onde as infeções aumentaram.

Na avaliação semanal da pandemia, a agência de saúde da ONU disse que houve cerca de 2,7 milhões de novos casos de Covid-19 e mais de 46.000 mortes na semana passada, números semelhantes aos relatados na semana anterior. A Grã-Bretanha, Rússia e Turquia foram os responsáveis pela maioria dos casos.

A maior queda nos casos foi observada em África e no Pacífico Ocidental, onde as infeções caíram 18% e 16%, respetivamente. O número de mortes em África também diminuiu cerca de um quarto, apesar da escassez de vacinas no continente.

Outras regiões, incluindo as Américas e o Oriente Médio, relataram números semelhantes aos da semana anterior, acrescentou a OMS.

Processos-crime em Cabo Verde caíram 22,1% no último ano

Relatório do Ministério Público indica que se trata de um valor mais baixo desde o ano judicial 2014-2015. Foram resolvidos 28.074 processos

A informação é avançada pela Agência Lusa, que cita o relatório do Ministério Público, a uma semana do debate Parlamentar sobre estado da justiça. De acordo com a mesma fonte, os processos-crime caíram para 21.901, praticamente metade na Praia.

Os crimes contra a propriedade corresponderam a 42,3% dos processos entrados no Ministério Público, nomeadamente 3.921 queixas por roubo, 3.435 por furto, 1.067 por dano e 560 por furto qualificado.

No arranque do atual ano judicial (2021/2022), em outubro, encontravam-se pendentes em todo o País 30.782 processos referentes aos crimes contra a propriedade, uma diminuição de 10,3% no espaço de um ano. O relatório do MP precisa que depois dos crimes contra a propriedade, seguiram-se no período de 1 de agosto de 2020 a 31 de julho de 2021 os crimes contra a integridade física e psíquica (14,3% do total de queixas entradas no último ano), contra a liberdade das pessoas (10,2%) e os contra a família (8,5%). Ou seja, no total, transitaram do anterior ano judicial 68.932 processos na área penal e 21.901 deram entrada em 2020/2021, período em que foram resolvidos 28.074 processos.

Os processos-crimes caíram para o valor mais baixo desde pelo menos 2014/2015. Assim, transitaram para o novo ano judicial (2021/2022) um total de 62.759 processos.

O Ministério Público movimentou e tramitou desta forma um total de 90.833 processos, traduzindo-se numa diminuição de 4,9% face a 2019/2020.

“A Procuradoria da República da Comarca da Praia é a maior do país e registou 48% dos processos entrados a nível nacional, resolveu 45% dos processos a nível nacional e corresponde a 71% dos processos que transitaram a nível nacional para o ano judicial 2021/2022”, lê-se no relatório, que acrescenta que no ano judicial 2020/2021 “o número total de processos resolvidos foi superior ao número de processos entrados em 12 das 16 Procuradorias da República”, atestando o cumprimento das metas nacionais para diminuir a pendência processual.

Cabo Verde, um farol no Atlântico Central

Artigo de opinião publicado no Diário de Notícias, por Ribeiro e Castro

Cabo Verde teve eleições presidenciais neste domingo e, mais uma vez, ao encerrar o longo ciclo eleitoral, dá exemplos notáveis de democracia em África. Dá gosto seguir, acompanhar e apoiar a democracia cabo-verdiana.

Nas autárquicas de 2020, o MpD voltou a ganhar, embora com o PAICV a recuperar municípios e a encurtar e distância entre os dois principais partidos. Em Abril passado, o MpD repetiu a vitória de 2016 com maioria absoluta, sob a liderança de Ulisses Correia e Silva, o primeiro-ministro. Domingo, José Maria Neves, afecto ao PAICV, foi eleito Presidente da República para os próximos cinco anos. Vamos ter coabitação em Cabo Verde, neste quinquénio. Em Cabo Verde, respira-se democracia. Nada é estranho ou extraordinário, tudo faz parte da natureza e do carácter do país e do seu povo.

Carlos Veiga, afecto ao MpD, que ficou em segundo lugar, marcou muito o início deste caminho de democracia pluripartidária, iniciado em 1991. Venceu as primeiras eleições livres e chefiou o governo durante os anos 1990. É uma grande figura do país. Foi exemplar a forma como aceitou a derrota e felicitou o vencedor, José Maria Neves. Tem, aliás, no currículo outra prova rara, mais difícil e amarga, mas poderosa porque fundadora: em 2001, nas eleições presidenciais que elegeram Pedro Pires, Veiga perdeu a segunda volta por um quase nada: 0,01% da votação popular. Quantos países da Europa ou das Américas reconheceriam facilmente o vencedor apenas por pouco mais de uma dezena de votos, e vindos da emigração? Lembremos a eleição de George Bush (disputada com Al Gore) e as eleições de Trump, a que ganhou e a que perdeu. Em Cabo Verde, aquela margem minimíssima não perturbou a democracia, antes fortaleceu a sua seiva. É um facto só à altura dos genuínos democratas e de estadistas de eleição.

A democracia cabo-verdiana ficou sempre mais robusta, ciclo após ciclo. Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro, e José Maria Neves. Presidente, encontrarão por certo os melhores caminhos para elevar Cabo Verde e servir os cabo-verdianos e o seu progresso e bem-estar. De partidos diferentes e alternativos, ambos são políticos muito experientes e com provas dadas. José Maria Neves foi o primeiro-ministro antes de Correia e Silva, tendo vencido todas as eleições legislativas que disputou. Conhece bem os desafios prioritários, assim como as tarefas do governo e suas principais dificuldades. Por certo agirá para as aliviar. Correia e Silva está no início do segundo mandato e acaba também de receber clara confirmação popular. Está tudo de feição para que os mandatos de ambos revertam em reforço das instituições e constituam novo exemplo brilhante de Cabo Verde no continente e no mundo.

Quando trabalhei no Parlamento Europeu na definição e decisão da Parceria Especial UE/Cabo Verde, que celebra já 15 anos em 2022, foquei-me em que a democracia e o Estado de direito são o principal activo político de Cabo Verde, nos planos interno e externo. Interno, porque é esta democracia viva que beneficia e potencia o aproveitamento pleno dos recursos humanos do país, o seu maior capital. E externo, porque projecta para a Europa, as Américas, África e todo o mundo uma aura de crédito e de prestígio internacional que muito favorece o seu desenvolvimento. Os cabo-verdianos são um povo inteligente; e a sua maior inteligência colectiva está na sua democracia pujante.

É uma pena que Guiné-Bissau, Angola e Moçambique tardem tanto em seguir também este exemplo. A Guiné e Angola nunca realizaram sequer eleições autárquicas. Angola e Moçambique ainda não se livraram totalmente da cultura de partido único. Todos tardam em aceder àquele patamar em que as nações se consolidam, as sociedades prosperam e os países respiram saúde e liberdade. Não é difícil. Basta olhar o farol e seguir esse rumo.

 

Ribeiro e Castro – Advogado e ex-líder do CDS