Nove migrantes Africanos morrem de frio na fronteira entre Marrocos e Argélia

As vítimas, sete homens e duas mulheres, foram localizadas em Ras Asfour, uma área remota conhecida pelo frio intenso no inverno

Nove migrantes Africanos foram encontrados mortos numa zona montanhosa junto à fronteira entre Marrocos e a Argélia, após terem sido expostos a temperaturas extremamente baixas, informou a Associação Marroquina de Direitos Humanos.

As vítimas, sete homens e duas mulheres, foram localizadas em Ras Asfour, uma área remota conhecida pelo frio intenso no inverno. Segundo a organização, os migrantes morreram devido ao frio extremo, que os seus corpos debilitados não conseguiram suportar.

De acordo com a agência Associated Press, uma das vítimas era natural da Guiné Conacri, enquanto as restantes provinham de vários países da África Subsaariana, embora as autoridades Marroquinas ainda não tenham confirmado oficialmente as nacionalidades.

A organização de direitos humanos apelou à humanização das políticas fronteiriças, à descriminalização da migração irregular e à criação de mecanismos para localizar migrantes desaparecidos, alertando para a recorrência de tragédias semelhantes nas rotas migratórias do Norte de África.

 

Ribeira Grande inaugura Centro de Dia de Corda para apoio aos idosos

Espaço tem como objetivo promover a convivência, a integração social e o envelhecimento ativo, disponibilizando atividades lúdicas, uma refeição quente diária e apoio a idosos que vivem sozinhos

Foi inaugurado, no dia 13 de dezembro, o Centro de Dia de Corda, no âmbito do projeto “Idosos do Planalto Leste em Movimento”, resultado de uma parceria entre a Câmara Municipal da Ribeira Grande, a Associação Ponta d’Cinta e o Ministério da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social.

Conforme a Edilidade, o espaço tem como objetivo promover a convivência, a integração social e o envelhecimento ativo, disponibilizando atividades lúdicas, uma refeição quente diária e apoio a idosos que vivem sozinhos.

A cerimónia de inauguração contou com a presença do Ministro da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social, Fernando Elísio Freire, do Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Armindo Luz, e da presidente da Associação Ponta d’Cinta

Executivo considera “grave e censurável” acusação de interferência na Justiça

Governo de Cabo Verde negou qualquer interferência na atuação das autoridades judiciárias, na sequência de declarações públicas que o tentam responsabilizar por uma busca à Câmara Municipal da Praia, que terá sido ordenada pelo Ministério Público

Em comunicado, o Executivo reafirma que, desde a Constituição de 1992, Cabo Verde adotou de forma clara a independência dos tribunais e a total autonomia do Ministério Público, dotando estas instituições de poderes próprios de autogoverno. Segundo o Governo, é “completamente vedado” a qualquer autoridade política imiscuir-se na atividade dos magistrados, sublinhando que tal princípio é não só legal, mas também parte da cultura institucional do País.

O Governo considera “grave e censurável” qualquer acusação de interferência política na justiça, defendendo que tais alegações constituem uma ofensa ao caráter e ao bom nome dos magistrados. Recorda ainda que, no passado, câmaras municipais lideradas pelo partido no poder também foram alvo de buscas judiciais, citando exemplos como São Vicente, Porto Novo, Sal e Paul, o que demonstra, segundo o Executivo, a imparcialidade da justiça.

No comunicado, o Governo critica atitudes que classifica como “conspiracionistas” e de vitimização por parte de alguns visados, alertando para o risco de perturbação da paz e tranquilidade públicas. Reitera que ninguém está acima da lei e que eventuais fragilidades do sistema judicial, como a morosidade, não colocam em causa a independência e a seriedade dos magistrados.

Por fim, o Executivo apela à serenidade e ao respeito escrupuloso pelas autoridades judiciárias e pelas suas decisões, sublinhando que quem não deve não teme e que a justiça acabará sempre por prevalecer.

Melhorias no acesso à praia de D’Boxe d’Rotcha “avançam a bom ritmo”

Presidente da Câmara Municipal do Tarrafal de São Nicolau visitou, no domingo, os trabalhos de melhoria do acesso à praia de D’Boxe d’Rotcha, uma das mais emblemáticas zonas balneares da Ilha de São Nicolau

Segundo a Autarquia, as intervenções decorrem “bom ritmo” e com resultados positivos, graças ao empenho e dedicação dos trabalhadores de quinzena, que têm demonstrado elevado sentido de responsabilidade no cumprimento das tarefas.

A praia de D’Boxe d’Rotcha é considerada um verdadeiro cartão-postal do Município e da Ilha, atraindo não só a população local, mas também um interesse crescente por parte de turistas.

A presença cada vez mais frequente de iates na zona reforça o potencial turístico do local.

A Câmara Municipal sublinha que estas melhorias inserem-se na estratégia de valorização dos espaços naturais e turísticos, com o objetivo de tornar o Município mais atrativo e com melhores condições para residentes e visitantes.

Marido da deputada JHA entre os visados nas buscas à Câmara Municipal da Praia

O nome de Suzano Inocêncio Gomes, marido da deputada e ex- presidente do PAICV, JHA, surge formalmente entre os visados nas buscas realizadas à Câmara Municipal da Praia (CMP), no âmbito de um processo-crime conduzido pelo Ministério Público, segundo consta no Despacho de Autorização de Busca Não Domiciliária emitido pela Procuradoria-Geral da República.

De acordo com o documento oficial do Departamento Central de Ação Penal, estão em investigação factos que, em abstrato, podem integrar crimes de falsificação de documentos públicos, recebimento indevido de vantagens, peculato, violação de normas de execução orçamental, defraudação de interesses patrimoniais públicos, abuso de poder e burla qualificada.

Ligação direta a contrato de terreno municipal

Os documentos consultados pelo OPaísCV revelam que Suzano Inocêncio Gomes é beneficiário direto de um contrato de compra e venda de um lote de terreno pertencente ao Município da Praia, titulado pelo Contrato n.º 110/2025, celebrado com a Câmara Municipal.

O contrato tem por objeto um terreno localizado na zona da Cidadela, com 175 m², destinado à construção habitacional (rés-do-chão + 1), pelo valor de 1.157.625 escudos, conforme estipulado na cláusula de preço e pagamento.

Consta ainda do contrato uma cláusula de direito de preferência a favor do Município da Praia, aplicável em caso de venda ou dação em cumprimento do lote, o que reforça o carácter sensível do negócio do ponto de vista do interesse público.

Nome incluído no despacho do Ministério Público

No despacho do Ministério Público, Suzano Inocêncio Gomes surge expressamente identificado entre os suspeitos, a par de responsáveis políticos e técnicos da CMP, incluindo o Presidente da Câmara, vereadores, dirigentes e técnicos municipais, bem como empresas privadas ligadas ao setor da construção.

O documento refere que, no decurso das investigações, foram denunciados novos factos, considerados suscetíveis de integrar ilícitos criminais graves, tendo o Ministério Público determinado diligências adicionais com vista à descoberta da verdade material.

Buscas enquadradas em investigação mais ampla

As buscas agora conhecidas enquadram-se na sequência de uma operação anterior realizada em maio de 2024, durante a qual foram apreendidos documentos e equipamentos informáticos, atualmente em análise pericial.

Dimensão política inevitável

Ainda assim, o envolvimento direto do marido de uma deputada da JHA num processo que investiga negócios imobiliários municipais confere ao caso inegável dimensão política, sobretudo num contexto em que a transparência, a gestão do património público e a separação entre funções políticas e interesses privados estão no centro do debate nacional.

O OPaísCV continuará a acompanhar o desenrolar do processo, assegurando o contraditório e dando voz a todas as partes envolvidas, em nome do direito à informação e do escrutínio democrático.

Candidato de extrema-direita vence eleições presidenciais no Chile

José Kast torna-se o próximo Presidente da República, sendo a primeira vez desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, há 35 anos, que um candidato de extrema-direita se encontra em tal situação no País latino-americano

O candidato da extrema-direita à presidência do Chile, José Kast, venceu as eleições de domingo, 14, tendo a candidata de esquerda, Jeannette Jara, reconhecido a derrota, com uma diferença de 16,6 pontos percentuais entre ambos, segundo resultados oficiais preliminares.

“A democracia falou alto e claro”, escreveu Jeanette Jara na rede social X, afirmando ter comunicado “com o Presidente eleito”, o ultraconservador Kast, “para lhe desejar êxito, para o bem do Chile”.

Segundo os resultados oficiais preliminares divulgados, assentes na contagem de cerca de 76% dos boletins de voto, Kast, o advogado de 59 anos, tem uma clara vantagem, com 58,30% dos votos, contra 41,70% para Jara, uma comunista moderada que representa uma ampla coligação de esquerda.

Kast era o favorito nas sondagens para a segunda volta das eleições presidenciais e tornar-se-á assim o próximo Presidente do Chile, sendo a primeira vez desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, há 35 anos, que um candidato de extrema-direita se encontra em tal situação no país latino-americano.

Quando a democracia fecha por ordem do poder

Há um limite que uma democracia não pode ultrapassar sem se ferir a si própria: usar o sofrimento dos cidadãos como resposta política à ação da justiça. Esse limite foi perigosamente tocado quando, perante uma investigação judicial, o próprio Presidente decidiu encerrar serviços essenciais da Câmara Municipal da Praia.

Sejamos claros: investigações não são ataques políticos. São deveres legais. Quando a Procuradoria-Geral da República age, fá-lo porque a lei manda, não porque o poder Executivo ou seja o governo, pede ou autoriza. Quando um poder público reage a uma investigação fechando mercados, jardins infantis e serviços não está a proteger funcionários — está a instrumentalizar a administração pública.

Mercados fechados significam famílias sem rendimento.

Jardins infantis encerrados significam pais sem alternativa.

Serviços públicos paralisados significam cidadãos abandonados.

Isto não é um dano colateral aceitável. É uma escolha política.

Em nenhum Estado de direito sério se responde à justiça com paralisação institucional. A Câmara não é uma barricada, nem um quartel político. É uma instituição pública, financiada pelos contribuintes, criada para servir a população todos os dias — inclusive quando quem governa é investigado.

Invocar “segurança” sem apresentar ameaça concreta é uma desculpa frágil. Na verdade, estamos perante uma decisão desproporcionada, abusiva e socialmente inaceitável.

Há ainda um problema mais profundo: a confusão entre pessoa, partido e instituição. Quando quem lidera a Câmara reage como se a investigação fosse um ataque pessoal ou partidário, o sinal é claro — o interesse público ficou em segundo plano. E isso é grave.

Cabo Verde não é uma democracia qualquer. Construiu-se com sacrifício, respeito pelas instituições e cultura de diálogo. É precisamente por isso que este tipo de atitude choca. Democracias frágeis fecham serviços quando são questionadas; democracias maduras mantêm-nos abertos e prestam contas.

A justiça não pode ser condicionada.

A administração pública não pode ser usada como arma.

E os cidadãos não podem ser punidos para proteger o poder.

Quem governa deve lembrar-se disto: o cargo não é um escudo contra o escrutínio, nem uma licença para suspender direitos. O poder passa. A democracia fica — se for respeitada.

Futebol/Santiago Sul. Clássicos da 7.ª jornada terminam empatados

A 7.ª jornada do campeonato regional de futebol de Santiago Sul ficou concluída na tarde deste domingo, com os principais clássicos a terminarem sem vencedores

O grande jogo da ronda, entre Boavista e Desportivo da Praia, terminou empatado a zero. Com este resultado, os Axadrezados mantêm-se na liderança da classificação, agora com 17 pontos, mais dois do que o Desportivo, que segue na segunda posição, com 15.

No outro duelo de destaque da jornada, Sporting da Praia e Celtic também não foram além de um empate sem golos. O resultado mantém os “leões” na quinta posição, com 10 pontos, enquanto o Celtic soma mais um ponto na tabela.

Nos restantes encontros, o Travadores venceu o Ribeira Grande por 2-1, resultado que permite à equipa subir à terceira posição, com 15 pontos. Já a Académica da Praia triunfou frente ao Bairro por 1-0 e ascendeu ao quarto lugar, somando agora 12 pontos.

Justiça Portuguesa detém homem ligado a Umaro Sissoco Embaló com cerca de 5 milhões de Euros

A mulher de Umaro Sissoco Embaló seguia igualmente a bordo do avião, mas não chegou a ser detida

A Justiça Portuguesa deteve um homem próximo do antigo Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, na posse de malas contendo cerca de cinco milhões de Euros em numerário. A apreensão ocorreu à chegada de um avião jato ao aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa.

Segundo avançou a SIC Notícias, a detenção foi efetuada no momento da aterragem do aparelho, embora a data exata da operação não tenha sido divulgada. As autoridades apreenderam o dinheiro, cujo transporte levantou suspeitas, desencadeando a intervenção da Polícia Judiciária (PJ).

De acordo com a mesma fonte, a mulher de Umaro Sissoco Embaló seguia igualmente a bordo do avião, mas não chegou a ser detida. A identidade do homem detido não foi tornada pública até ao momento.

Sabe-se ainda que o avião efetuava uma escala técnica em Lisboa. Inicialmente, o voo estava classificado como militar e, após a passagem por Lisboa, deveria prosseguir para a cidade de Beja, acrescenta a SIC Notícias, citando informações da PJ.

O caso encontra-se sob investigação das autoridades Portuguesas.

Ministério da Saúde admite imprecisões e anuncia republicação das listas de transição de médicos e enfermeiros

O Ministério da Saúde reconheceu a existência de imprecisões nas listas de transição do pessoal médico e de enfermagem recentemente publicadas, garantindo que os documentos não correspondem às versões finais do processo nem refletem, de forma integral, os critérios legalmente estabelecidos nos Planos de Carreiras, Funções e Remunerações (PCFR).

Segundo esclarecimento divulgado esta segunda-feira, no âmbito das diligências internas realizadas, foi apurado que as listas remetidas para publicação continham inexatidões técnicas, resultantes do facto de não traduzirem corretamente os critérios legais definidos para a transição de carreiras no setor da saúde.

Perante a situação, o Ministério assegura que as listas corretas, que refletem fielmente os critérios previstos na lei, serão republicadas na íntegra, com a maior brevidade possível, estando prevista a sua divulgação até, o mais tardar, terça-feira, 16 de dezembro.

No comunicado, o Ministério da Saúde informa ainda que se encontra a trabalhar em articulação com o Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública, desenvolvendo todos os procedimentos necessários à retificação da publicação. O processo conta, segundo a tutela, com abertura total ao diálogo e com a participação ativa das organizações sindicais, envolvidas ao longo de todo o percurso.

O Ministério admite que as imprecisões detetadas poderão ter resultado da necessidade de cumprir compromissos assumidos em prazos considerados úteis, o que acabou por conduzir à divulgação de uma versão inexata dos documentos. Ainda assim, sublinha que o processo se encontra em tempo útil para as devidas correções, salvaguardando os princípios da legalidade, da transparência e da justiça.

A tutela reconhece igualmente que se trata de um processo tecnicamente complexo, desenvolvido em prazos relativamente curtos e incidindo sobre modelos matriciais de emprego público e carreiras significativamente distintos dos anteriormente vigentes, o que mantém sempre a possibilidade de ocorrência de erros. Para o Ministério, o aspeto mais relevante é a disponibilidade demonstrada para analisar as falhas e introduzir as correções necessárias.

No final do comunicado, o Ministério da Saúde reafirma a sua inteira disponibilidade para prosseguir o trabalho de forma conjunta e construtiva, com o objetivo de assegurar a correta aplicação dos PCFR e a valorização dos profissionais de saúde.