Futebol/São Nicolau. Atlético arranca campeonato com vitória sobre Ultramarina

Na outra partida do dia, o Belo Horizonte goleou o Chã de Poça por 6-2

O Atlético iniciou com força o campeonato regional de futebol de São Nicolau, conquistando uma importante vitória sobre o FC Ultramarina, seu grande rival, na 1.ª jornada da competição, realizada este sábado. O triunfo por 2-0 marcou o início de mais uma temporada de grandes emoções no futebol da Ilha.

Este é o segundo êxito do Atlético sobre o campeão regional em título na presente temporada, após já ter vencido o Ultramarina na final da Supertaça de São Nicolau, disputada há poucos dias.

Na outra partida do dia, o Belo Horizonte não deu espaço para surpresa e goleou o Chã de Poça por 6-2, somando os primeiros três pontos.

As restantes partidas da jornada serão disputadas neste domingo: o AJAT-SN recebe a Ribeira Brava, que não competiu na temporada passada, e o FC Praia Branca recebe o Mancha Verde. Esta edição do campeonato é marcada pela ausência do FC Talho e da Académica da Preguiça, duas equipas tradicionais do futebol local.

Com estas primeiras partidas, a competição promete ser intensa e equilibrada, com a luta pelo título de campeão a arrancar de forma animada.

Futebol/Sal. Palmeira distancia-se do Académico

Campeões regionais em título golearam Verdun por 4-1 e Académico perdeu com Santa Maria

O campeonato de futebol da Ilha do Sal continua ao rubro. Nos jogos da 6.ª jornada, disputados este sábado, o Palmeira, campeão regional em título, goleou o Verdun por expressivos 4-1 e reforçou a liderança da competição.

Com este triunfo, o Palmeira ascendeu aos 16 pontos, aproveitando a derrota do Académico frente ao Santa Maria, por 0-1, resultado que afundou a equipa da Cidade de Espargos na tabela classificativa.

A 6.ª jornada prossegue ainda hoje, domingo, com a realização de mais dois encontros. Às 16h00, defrontam-se Gaviões e Florença, enquanto Palha Verde mede forças com a Académica, fechando assim mais uma ronda do campeonato Salense.

Última hora/Porto Novo. Dois mortos e dois feridos graves em acidente de viação

Colisão envolveu duas viaturas ligeiras que seguiam em sentidos opostos, tendo um dos veículos capotado após o embate

Dois homens morreram e outros dois ficaram gravemente feridos num acidente de viação registado na noite deste sábado, na estrada Porto Novo–Ponte Sul, em Santo Antão, confirmaram fontes policiais.

A colisão envolveu duas viaturas ligeiras que seguiam em sentidos opostos, tendo um dos veículos capotado após o embate.

Um dos feridos será transferido para o Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente.

Cabo Verde e UE assinam novo programa de apoio orçamental de 20 milhões de Euros

Acordo foi formalizado no Ministério das Finanças pelo Vice-Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, Olavo Correia, e pela Embaixadora da União Europeia em Cabo Verde, Sylvie Millot

O Governo e a União Europeia assinaram, na sexta-feira, um novo programa de apoio orçamental no valor de 20 milhões de Euros, reforçando a parceria estratégica entre as duas partes.

O acordo foi formalizado no Ministério das Finanças pelo Vice-Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, Olavo Correia, e pela Embaixadora da União Europeia em Cabo Verde, Sylvie Millot.

Segundo Olavo Correia, o programa inclui 18 milhões de Euros de ajuda orçamental direta e 2 milhões de Euros destinados à assistência técnica, tratando-se de um apoio não reembolsável, que não se traduz em aumento da dívida pública.

O Governante sublinhou que o acordo reflete a confiança da União Europeia em Cabo Verde, reconhecendo o cumprimento dos critérios da boa governação, transparência e correta gestão dos recursos públicos.

Para além deste financiamento, Olavo Correia destacou que Cabo Verde dispõe de um envelope muito mais amplo, estimado em cerca de 400 milhões de Euros, já pré-acordados no âmbito do Global Gateway e do Team Europe. Estes recursos destinam-se a investimentos estruturantes, nomeadamente na modernização dos portos de São Vicente, Santo Antão e Palmeiras, bem como nas áreas da transição energética e digital.

O Vice-Primeiro-Ministro revelou ainda que decorrem trabalhos para reforçar o financiamento do Fundo Morabeza, num montante estimado em 60 milhões de Euros, elevando o volume global da cooperação para cerca de 500 milhões de Euros, considerado altamente relevante no atual contexto económico.

De acordo com Olavo Correia, os investimentos previstos vão incidir na transição energética, promovendo energias mais limpas, menos poluentes e acessíveis, e na transformação digital do Governo, da economia e do setor privado, colocando o digital ao serviço das pessoas, com impacto na educação, saúde, segurança, formação e crescimento económico, incluindo o turismo, as indústrias criativas e a economia azul.

A dimensão social também ocupa um lugar central na cooperação com a União Europeia. O Governante reafirmou a ambição de eliminar a pobreza extrema até 2026, com o apoio de instrumentos como o Fundo Mais e o Registo Social de Inclusão, que atualmente beneficiam cerca de 10 mil famílias.

Olavo Correia sublinhou ainda que esta parceria permite a implementação de reformas estruturais com o objetivo de elevar Cabo Verde de País de rendimento médio-alto para País de rendimento alto, promovendo mais rendimento, oportunidades e dignidade para os cidadãos.

“Num Estado de direito democrático ninguém está acima da lei” – Presidente do MpD

Ulisses Correia e Silva reage às declarações do Edil da Praia após buscas judiciais na Autarquia da Capital

O Primeiro-Ministro e Presidente do MpD, Partido que sustenta a governação nacional, reafirmou na sexta-feira a sua defesa do Estado de direito democrático, sublinhando que, numa democracia, “ninguém está acima da lei”.

Ulisses Correia e Silva, que abriu o ano político do MpD em São Vicente, comentou os recentes acontecimentos na Câmara Municipal da Praia, alvo de buscas judiciais, afirmando que “ninguém está fora da alçada da lei”, sejam cidadãos comuns, governantes ou Presidentes de Câmara.

O líder democrata classificou como de “extrema gravidade” as declarações do Presidente da Câmara Municipal da Praia, Francisco Carvalho, que é simultaneamente Presidente do PAICV, considerando que o Partido da Oposição está a promover um “ataque” à Justiça.

Para UCS, é igualmente “de alta gravidade” que um Partido que ambiciona governar esteja a acusar o MpD e o Governo de utilizarem a Justiça como instrumento de perseguição política. “Se não respeita a Justiça na Oposição, não respeitará a Justiça se um dia estiver no poder”, advertiu.

O Primeiro-Ministro considerou ainda que as acusações feitas por Francisco Carvalho representam um sinal “extremamente perigoso” para o funcionamento de um Estado de direito.

UCS recordou, por outro lado, que Autarquias lideradas pelo MpD também já foram alvo de buscas judiciais, sublinhando que, nesses casos, o seu Partido nunca apontou o dedo à Justiça nem a acusou de manipulação, interferência ou instrumentalização para fins políticos.

Ulisses Correia e Silva lança promessas fortes para 2026 e confia numa nova vitória do MpD

Presidente do MpD e Primeiro-Ministro afirmou que vai reduzir de forma significativa a pobreza e o desemprego no próximo mandato e anunciou o aumento do salário mínimo para 25 mil Escudos

As declarações foram feitas na noite de sexta-feira, 12, durante um jantar com militantes e simpatizantes do partido que assinalou a abertura do ano político, num hotel da Cidade do Mindelo.

No seu discurso, o Chefe do Governo destacou as várias crises enfrentadas nos últimos anos, como a seca, a pandemia da covid-19, dificuldades económicas, a tempestade Erin e as chuvas intensas em Santiago Norte.

Apesar dos desafios, Ulisses Correia e Silva defendeu que o País se encontra hoje numa situação melhor do que em 2016. “Se em nove anos retiramos 48 mil pessoas da pobreza, nos próximos ciclos vamos retirar muito mais”, garantiu, reconhecendo que ainda existem Cabo-verdianos a viver em situação difícil.

O Líder do MpD anunciou ainda que 2026 será um “bom ano”, com o aumento da pensão social para sete mil Escudos, o salário mínimo a aumentar em 2027 para 25 mil Escudos e reiterou o compromisso com a criação de emprego e melhoria das condições de vida.

No mesmo discurso, criticou a oposição, que classificou como “negativista”, defendendo a necessidade de políticos comprometidos com o desenvolvimento do País.

O encontro contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, e da coordenadora do MpD na Ilha, Dirce da Luz, que manifestaram total apoio à liderança de Ulisses Correia e Silva e confiança numa vitória do partido nas eleições de 2026.

 

Futebol/Santiago Sul. Académica vence Bairro e pressiona líderes antes do clássico

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Ronda ficou igualmente marcada pela primeira vitória do Relâmpagos no campeonato

A Académica da Praia venceu, na sexta-feira, o Bairro por 1-0, em jogo da 7.ª jornada do campeonato de futebol de Santiago Sul, e passou a somar 12 pontos, aproximando-se dos primeiros classificados.

Com este resultado, a formação da Académica exerce pressão sobre os líderes Boavista, com 16 pontos, e Desportivo da Praia, com 14, que só entram em campo amanhã, domingo, num dos jogos mais aguardados da jornada.

A ronda ficou igualmente marcada pela primeira vitória do Relâmpagos no campeonato, que bateu o Unidos do Norte por 1-0. Com a derrota, o Unidos do Norte caiu para a última posição da tabela classificativa.

A 7.ª jornada de Santiago Sul, iniciada na sexta-feira, prossegue hoje com mais dois encontros e encerra amanhã, domingo, com outros dois jogos, com destaque para o clássico da frente entre Boavista e Desportivo, decisivo na luta pela liderança do campeonato.

PJ apreende droga, armas e mais de 500 contos e detém seis suspeitos no Mindelo

Os detidos, todos de nacionalidade Cabo-verdiana, são quatro naturais da Ilha de Santiago e dois de São Vicente, com idades entre 22 e 43 anos

A Polícia Judiciária realizou, na noite de quinta-feira, 11, uma megaoperação no Mindelo que resultou na apreensão de grandes quantidades de droga, armas, mais de 500 mil Escudos em dinheiro e na detenção de seis homens, informou a instituição em comunicado.

A ação, conduzida pela Direção Central de Investigação Criminal, cumpriu quatro mandados de busca domiciliária emitidos pelo Ministério Público e incidiu sobre as localidades de Lombo Tanque, Bela Vista e Fonte Francês, identificadas como pontos de tráfico de estupefacientes em São Vicente. A operação contou ainda com a presença de magistrados do Ministério Público e apoio da Polícia Nacional.

Durante as diligências, foram apreendidas várias quantidades de cocaína e cannabis, munições, uma arma de fogo e dinheiro. Os detidos, todos de nacionalidade Cabo-verdiana, são quatro naturais da Ilha de Santiago e dois de São Vicente, com idades entre 22 e 43 anos.

Segundo a PJ, as investigações indicam que os suspeitos atuavam de forma organizada, explorando pontos de venda de droga conhecidos como “bocas de fumo”.

Os detidos serão presentes às autoridades judiciais para primeiro interrogatório e aplicação de medidas de coação, enquanto as investigações prosseguem.

 

Separação de poderes, autonomia do Ministério Público e o sentido constitucional dos mandados judiciais

A divulgação de um mandado de busca e apreensão não domiciliária, emitido pelo Ministério Público no âmbito de um processo penal regularmente instaurado, deu azo a leituras politizadas e juridicamente infundadas, que procuram associar atos próprios da função jurisdicional ou da ação penal a pretensas instruções do Governo ou do poder político. Importa, por isso, repor a questão no seu plano correto: o plano constitucional e jurídico-institucional.

1. O princípio da separação e interdependência de poderes

A Constituição da República de Cabo Verde consagra, como pilar estruturante do Estado de Direito democrático, o princípio da separação e interdependência de poderes, distinguindo claramente as funções legislativa, executiva e jurisdicional.

Neste quadro:

• os tribunais exercem a função jurisdicional de forma independente;
• o Ministério Público goza de autonomia própria, estando vinculado exclusivamente à Constituição e à lei;
• o Governo não dispõe de qualquer poder de direção, instrução ou tutela sobre juízes ou procuradores.

Trata-se de uma opção constitucional consciente, precisamente para afastar modelos autoritários ou concentracionários de poder, característicos de regimes não democráticos.

2. A autonomia do Ministério Público

O Ministério Público não é um órgão governamental, nem um prolongamento do poder executivo. É um órgão de justiça, com estatuto constitucional próprio, incumbido de:

• exercer a ação penal;
• defender a legalidade democrática;
• representar o Estado e os interesses públicos legalmente protegidos.

Os seus magistrados atuam no quadro de processos concretos, com base em normas legais expressas, como sucede no mandado em causa, que invoca de forma clara os artigos aplicáveis do Código de Processo Penal.

Não existe, nem pode existir num Estado de Direito, qualquer interferência do Governo ou do Presidente da República na decisão de investigar, diligenciar, buscar ou apreender.

3. O mandado judicial como ato de legalidade, não de política

Um mandado de busca e apreensão é um ato jurídico-processual, sujeito a requisitos legais estritos, controlo jurisdicional e responsabilidade funcional.

Não é um ato político. Não é um ato governativo. Não é um instrumento de disputa partidária.

A tentativa de politizar diligências judiciais revela, no mínimo, uma incompreensão grave do funcionamento do Estado constitucional e, no limite, uma perigosa erosão da confiança nas instituições.

4. O risco do retrocesso institucional

As narrativas que procuram insinuar que o Ministério Público age por ordens políticas não são neutras. Elas remetem para uma visão ultrapassada do poder, própria de contextos históricos em que:
• não havia autonomia da ação penal;
• não existia verdadeira independência judicial;
• a legalidade cedia perante a conveniência política.

Ora, a democracia constitucional existe precisamente para impedir esse regresso.

5. Consideração final

Num Estado de Direito democrático:
• os tribunais aplicam a lei;
• o Ministério Público investiga e promove a ação penal;
• o Governo governa, dentro dos limites constitucionais.

Misturar estas funções, confundi-las ou instrumentalizá-las é negar os fundamentos do constitucionalismo moderno.

A defesa da autonomia do Ministério Público e da independência dos tribunais não é defesa de governos nem de maiorias políticas.
É defesa da Constituição, da legalidade e das garantias de todos os cidadãos.

Tudo o resto é ruído — e o Estado de Direito não se constrói com ruído, mas com instituições fortes, respeitadas e juridicamente compreendidas.

Ministério Público apreende terrenos do Complexo Babilónia durante buscas na Câmara Municipal da Praia

Na sequência das buscas de ontem, o Ministério Público confirmou a apreensão de vários terrenos municipais, no âmbito de uma investigação criminal em curso por suspeitas de crimes económicos e contra o património público

Segundo nota oficial da Procuradoria-Geral da República (PGR), a investigação decorre no Departamento Central de Ação Penal e envolve indícios da prática dos crimes de falsificação de documentos, participação ilícita em negócio, defraudação de interesses públicos patrimoniais e corrupção ativa e passiva.

Entre as apreensões confirmadas está o terreno onde se encontra edificado o Complexo Babilónia, localizado na zona da Prainha, bem como outros cinco terrenos situados nas localidades da Cidadela e de Palmarejo Grande. As apreensões estão relacionadas com alegadas irregularidades no processo de dação em cumprimento desses imóveis.

De acordo com a PGR, estas diligências resultam de novas denúncias apresentadas ao Ministério Público, que reforçam suspeitas já sob investigação desde janeiro de 2024, após uma denúncia inicial feita por um inspetor da Inspeção-Geral das Finanças.

No âmbito da operação de ontem, o Ministério Público realizou buscas na Direção Financeira e Patrimonial da Câmara Municipal da Praia, situada na localidade da Fazenda, e também nos Paços do Concelho, no Platô.

Na Direção Financeira e Patrimonial, as diligências decorreram com normalidade e colaboração dos funcionários, tendo sido apreendidos documentos considerados relevantes para a investigação.

Já nos Paços do Concelho, o Ministério Público refere ter encontrado todas as portas fechadas e os funcionários afastados dos seus postos de trabalho. Um guarda no local informou que teria recebido ordens expressas do Presidente da Câmara Municipal para não abrir as portas. O Presidente substituto foi chamado ao local, mas manteve a mesma posição, recusando a entrega das chaves.

Perante a situação, o magistrado do Ministério Público ordenou o arrombamento de um portão lateral de ferro, o que permitiu o acesso ao edifício e, em particular, ao gabinete do Presidente da Câmara Municipal, onde foram igualmente apreendidos documentos com relevância probatória.

A operação foi presidida pelo Ministério Público, com a coadjuvação da Polícia Nacional, e contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal da Praia substituto, vereadores, a secretária municipal, diretores de serviços e advogados.

A PGR esclarece ainda que as buscas não domiciliárias podem ser ordenadas diretamente pelo Ministério Público, nos termos da lei, e sublinha que os processos continuam em investigação e permanecem em segredo de justiça.

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