Processo disciplinar à Diretora da TCV confirma violação de deveres laborais e ingerência em matérias da Administração da RTC

Relatório final revela condutas fora do quadro hierárquico e uso indevido de informação interna. Conselho de Administração diz ter agido para repor disciplina e proteger o funcionamento institucional da empresa pública.

RTC atuou para preservar a ordem interna e a boa governação, segundo a Administração. 

O processo disciplinar (ver aqui na íntegra) que levou à suspensão de 45 dias da Diretora da Televisão de Cabo Verde (TCV), Dina Ferreira, não teve origem em disputas editoriais, como alguns setores quiseram fazer crer, mas sim, segundo o processo disciplinar, em violação objetiva de deveres funcionais e hierárquicos.

Os relatórios e documentos analisados mostram que a Administração da Rádio e Televisão de Cabo Verde (RTC) seguiu escrupulosamente o Código Laboral e os estatutos da empresa pública, agindo dentro da sua competência legal para garantir a disciplina, a lealdade institucional e a confidencialidade da informação.

Três infrações distintas com impacto na confiança institucional

O processo instaurado à Diretora da TCV apontou três comportamentos considerados graves:

1. Negociação e realização do programa “Show da Manhã” no Tarrafal, sem autorização nem coordenação prévia com o Conselho de Administração, envolvendo mobilização de meios técnicos e humanos da empresa, violando regras sobre uso de recursos e definição de prioridades operacionais;

2. Envio de um contrato confidencial da RTC a terceiros e à ARC, sem mandato da Administração, expondo informação interna e quebrando o dever de lealdade e confidencialidade;

3. Publicação de uma nota institucional na página da RTC, sem conhecimento do Conselho, usando canais oficiais para emitir uma posição não validada, o que o instrutor considerou uma quebra de hierarquia e protocolo.

Decisões unilaterais e falta de coordenação

No caso do programa “Show da Manhã”, o relatório final é claro: a Diretora da TCV decidiu e comunicou apenas na véspera do evento, quando a decisão já estava tomada. Mesmo que a produção não implicasse custos diretos, o uso de recursos humanos e técnicos exigia autorização prévia da Administração, que responde pela responsabilidade financeira e contratual da empresa pública.

A conduta foi classificada como violação do artigo 128.º do Código Laboral, relativo à obediência hierárquica e dever de coordenação.

Uso indevido de documento interno e exposição externa da empresa

O episódio mais sensível foi o envio, pela Diretora, de um contrato comercial interno entre a RTC e a empresa ACI, a jornalistas e à própria Autoridade Reguladora da Comunicação Social (ARC).

O documento era de uso restrito e havia sido partilhado com a Diretora apenas “para conhecimento interno”.

Ao enviá-lo externamente, sem autorização nem consulta ao Conselho, a Diretora ultrapassou as suas funções e expôs informações empresariais sensíveis, quebrando o dever de sigilo e prejudicando a confiança entre os órgãos internos da RTC.

Mesmo reconhecendo o papel da ARC como reguladora, o relatório destaca que só o Conselho de Administração tem legitimidade para comunicar oficialmente com entidades externas em nome da empresa pública.

Publicação não autorizada em página institucional

Por fim, o relatório aponta que Dina Ferreira redigiu e mandou publicar uma nota institucional em nome da TCV na página de Facebook da RTC, sem o aval do Conselho.

A própria Diretora admitiu tratar-se de um “lapso” e lamentou o ocorrido, mas o instrutor entendeu que, independentemente da intenção, o ato violou o protocolo interno e a cadeia de comando.

Administração defende transparência e legalidade

A Administração da RTC, no seu Direito de Resposta divulgado ontem, domingo, reafirmou que o processo foi conduzido com transparência e imparcialidade, por um instrutor externo, e negou qualquer tipo de perseguição.

Sublinhou ainda que o objetivo foi repor disciplina interna e salvaguardar a credibilidade da instituição, cuja missão pública exige respeito por regras de gestão e por uma clara separação entre esfera editorial e esfera administrativa.

O comunicado lamentou, inclusive, que a TCV (e outros órgãos públicos, segundo notícia OPAIS.cv) tenhaml divulgado o caso sem dar voz ao Conselho, “gerando interpretações incorretas e infundadas”.

Sanção proporcional e encerramento do caso

A sanção aplicada, suspensão de 45 dias sem vencimento, foi considerada proporcional à gravidade das infrações e compatível com o regime laboral.

O instrutor concluiu que, ao longo do processo, foram assegurados todos os direitos de defesa e contraditório, não se verificando qualquer irregularidade processual.

Fontes próximas da RTC garantem que o objetivo do Conselho não é punitivo, mas preventivo, no sentido de reforçar a cultura de responsabilidade e hierarquia no seio da empresa pública e evitar futuras situações de conflito entre áreas de gestão e direção editorial.

Admilson e Ivan e Ludemila e Janice conquistam Campeonato nacional de voleibol de praia

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Representando as ilhas do Sal e de Santiago, as duplas Admilson e Ivan e Ludemila e Janice confirmaram o domínio nas categorias masculina e feminina, respetivamente

As duplas Admilson e Ivan, da Ilha do Sal, e Ludemila e Janice, de Santiago, sagraram-se vencedoras do Campeonato nacional de voleibol de praia 2025, encerrado no domingo, 2, na ilha de Santo Antão.

Na final masculina, disputada no areal do Cabo Verde Beach Volleyball Resort, em Porto Novo, Admilson e Ivan confirmaram o favoritismo ao vencerem os conterrâneos Helder e Zidane por 2-0 (21-08 e 21-15).

Já na categoria feminina, Ludemila e Janice, também integrantes da seleção nacional, revalidaram o título ao baterem Josany e Laura, da ilha do Sal, por 2-0 (21-19 e 21-16).

O torneio contou com oito duplas femininas e dez masculinas, reunindo os melhores atletas do País.

O evento serviu igualmente para definir as duplas que representarão Cabo Verde no Circuito Mundial da Laginha, no Mindelo, em dezembro.

Botafogo, Vulcânico e Académica entram a golear no arranque do regional de futebol do Fogo

Campeão em título vence Valência por 5-1 numa jornada com 21 golos

O campeonato regional de futebol do Fogo arrancou este fim-de-semana, no Campo de São Lourenço, com uma chuva de golos. A 1.ª jornada ficou marcada pelas goleadas do Botafogo, Vulcânico e Académica, que venceram respetivamente o Valência (5-1), o Desportivo de Cova Figueira (4-1) e o Luzaabril (4-1).

No total, a jornada inaugural somou 21 golos, confirmando um início de campeonato bastante animado.

O Botafogo, campeão em título, iniciou da melhor forma a defesa do troféu, mantendo-se entre os favoritos, ao lado do Vulcânico, da Académica e do Cutelinho.

Nas restantes partidas, registou-se empate a duas bolas entre Juventus de Curral Grande e Baxada, enquanto o Cutelinho venceu o Nô Pintcha por 1-0.

José Semedo acusado de fraude pela Federação Cabo-verdiana de Basquetebol

A Federação Cabo-verdiana de Basquetebol (FCBB) acusa José Semedo, que é também Sócio Gerente da empresa AFROSONDAGEM, e um “grupo de pessoas ilegitimas” de liderar uma tentativa de usurpação e fraude à imagem da instituição, através da realização de uma assembleia geral extraordinária considerada “não autorizada” e “sem qualquer legitimidade estatutária”.

Segundo comunicado divulgado pela FCBB, a reunião foi convocada e conduzida “por um grupo de pessoas sem autorização das respetivas associações regionais e sem o conhecimento da direção federativa”, com o objetivo de criar uma alegada “comissão” destinada a substituir, de forma irregular, a direção legalmente eleita.

“Trata-se de um ato ilícito e fraudulento, realizado à margem dos estatutos, com propósitos ilegítimos de usurpar a gestão da Federação”, refere a nota oficial.

FCBB promete agir judicialmente

A FCBB repudia veementemente o que considera ser uma “tentativa de manipulação e difamação da imagem institucional” e alerta que todos os envolvidos, poderão responder judicialmente pelos seus atos.

“Qualquer tentativa de usurpação, manipulação ou difamação será objeto de ação judicial junto das instâncias competentes, adverte a direção.

Federação divulga representantes legítimos

Com o objetivo de reafirmar a legalidade da sua estrutura, a FCBB tornou pública a lista dos presidentes em exercício das Associações Regionais de Basquetebol, únicos órgãos reconhecidos como parte da estrutura federativa nacional:

Santiago Sul – Sem representante (aguarda novas eleições)

Santiago Norte– Gil Augusto Tavares

São Vicente– Sem representante (aguarda novas eleições)

Santo Antão– Davilson Santos

Sal– Germana Dias

Boa Vista – Filomena Cecília Gonçalves da Graça

Fogo – Danildo Daniel Alves Dinis

Maio– Sandro Silva

Compromisso com a transparência

A direção da FCBB conclui reiterando o seu compromisso “com a legalidade, a transparência e o desenvolvimento do basquetebol nacional”, garantindo que está preparada para agir e defender institucionalmente a Federação contra “qualquer tentativa de fraude ou manipulação”.

TCV noticia suspensão da sua Diretora sem ouvir a Administração da RTC

Falta de contraditório, obrigando a Administração da RTC a recorrer ao instituto do Direito de Resposta, levanta questões sobre ética jornalística no seio da televisão pública

A Televisão de Cabo Verde (TCV) dedicou mais de dez minutos à cobertura da suspensão por 45 dias, sem remuneração, da sua Diretora, Dina Ferreira, mas não ouviu o contraditório da Administração da RTC, empresa pública da qual faz parte.

A situação tem gerado críticas pela falta de equilíbrio e rigor jornalístico, uma vez que a RCV, também pertencente à RTC, seguiu o mesmo caminho e noticiou apenas um dos lados da questão, ignorando a versão do Conselho de Administração. A Inforpress, agência noticiosa igualmente pública, adotou a mesma postura.

A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde, AJOC, por sua vez, manifestou-se em defesa da Diretora da TCV, sem ter ouvido previamente a Administração da RTC, conforme lamenta a própria empresa em comunicado.

Segundo informações recolhidas por OPAÍS.cv, o caso que envolve a Diretora a TCV não está relacionado com questões editoriais ou de liberdade de imprensa, mas sim com assuntos internos de gestão e funcionamento da TCV.

Um vez que não foi ouvido pelos próprios órgãos públicos, a Administração da RTC foi obrigado a recorrer a direito de resposta. No comunicado divulgado este domingo, a Administração da RTC rejeita qualquer tipo de perseguição à Diretora suspensa e esclarece que o processo disciplinar foi conduzido por um instrutor externo, precisamente para garantir transparência e imparcialidade.

O comunicado da RTC lembra ainda que esta não é a primeira vez que Dina Ferreira enfrenta um processo disciplinar, tendo já sido alvo de um procedimento semelhante durante o mandato do anterior Conselho de Administração.

O episódio volta a colocar no centro do debate a credibilidade e a responsabilidade da comunicação pública, sobretudo quando se trata de informar sobre assuntos internos, onde o dever de isenção e o respeito pelo contraditório são princípios essenciais do jornalismo ético.

Suspeito de incêndio no estaleiro do Cruzeiro do Norte em prisão preventiva

Suspeito é natural de São Vicente e tem 36 anos de idade

A Polícia Nacional confirmou este domingo que o principal suspeito de ter ateado fogo ao estaleiro do grupo carnavalesco Cruzeiro do Norte, em São Vicente, encontra-se em prisão preventiva.

O homem, de 36 anos, foi detido no dia seguinte ao crime, graças às imagens captadas pelas câmaras de videovigilância, que permitiram a sua identificação e localização.

Em declarações à Imprensa, no Mindelo, o Comandante Regional Adjunto da PN, Madelino da Luz, confirmou que, após ser apresentado ao poder judicial, o suspeito ficou sujeito à medida de coação mais gravosa.

O incêndio, ocorrido na semana passada nos estaleiros do Cruzeiro do Norte, situados nas proximidades da Escola Técnica do Mindelo, causou danos materiais significativos ao grupo carnavalesco.

Violência pós-eleitoral na Tanzânia causa centenas de mortos

Partido para a Democracia e o Progresso rejeitou a vitória da Presidente Samia Suluhu Hassan, declarada vencedora com 97,66% dos votos, e denunciou que o processo eleitoral “não foi livre nem justo”

A Tanzânia vive um clima de grande tensão após as eleições gerais de quarta-feira, marcadas por violentos confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

O Partido para a Democracia e o Progresso (Chadema), principal força da oposição, rejeitou a vitória da Presidente Samia Suluhu Hassan, declarada vencedora com 97,66% dos votos, e denunciou que o processo eleitoral “não foi livre nem justo”.

Segundo o Chadema, mais de 700 pessoas terão morrido nas manifestações em Dar es Salaam desde o anúncio dos resultados, devido à repressão policial. O Governo contesta esses números e admite cerca de 150 mortos.

Em comunicado, o partido opositor afirmou que “os cidadãos não participaram das eleições de 29 de outubro devido à ausência de condições democráticas”, acusando as autoridades de manipular os resultados.

As manifestações continuam em várias cidades, enquanto cresce a preocupação internacional com a escalada de violência e o número de vítimas.

Papa apela a apoio internacional para aliviar sofrimento no Sudão

País enfrenta uma grave crise humanitária devido à escalada de violência

O Papa Leão XIV apelou hoje a uma intervenção “generosa e decisiva” da comunidade internacional para apoiar o Sudão, País que enfrenta uma grave crise humanitária devido à escalada de violência.

No final da oração do Ângelus, na Praça de São Pedro, o pontífice expressou profunda tristeza pela situação, denunciando ataques indiscriminados contra civis, mulheres e crianças, bem como obstáculos à ação humanitária.

“É inaceitável para uma população já exausta após longos meses de conflito”, afirmou, pedindo um cessar-fogo imediato e a abertura de corredores humanitários.

O Papa dedicou ainda uma oração à Tanzânia, onde recentes confrontos pós-eleitorais causaram várias vítimas, apelando à paz e à rejeição de toda forma de violência.

Orgulho! Nova estrela da NBA feminina tem sangue cabo-verdiano

Sonia Citron, a nova sensação da WNBA, a NBA feminina,  tem sangue cabo-verdiano a correr-lhe nas veias. Jogadora dos Washington Mystics e eleita All-Star na sua época de estreia, é neta de cabo-verdianos e orgulha-se das suas origens africanas, que, segundo diz, moldaram o seu caráter e a sua forma de estar dentro e fora do campo.

Com apenas 22 anos, Citron tem encantado os adeptos pela maturidade, serenidade e consistência em campo. Chamam-lhe a “assassina silenciosa” pelo modo tranquilo e disciplinado com que domina o jogo. Mas por detrás da postura fria e focada, há uma história de raízes profundas — uma ponte emocional que liga os Estados Unidos a Cabo Verde e ao Senegal.

A mãe de Sonia, Yolanda Citron, nasceu no Senegal, onde cresceu depois de os seus pais — ambos cabo-verdianos — deixarem o arquipélago para buscar novas oportunidades. A avó da jogadora, Zita Lopes DaSilva, nasceu em Cabo Verde, e é a principal guardiã dessa herança cultural que nunca se perdeu na família. “A música cabo-verdiana traz-me paz”, confessa Sonia, recordando os momentos passados na sala e na cozinha ao som de mornas e coladeiras tocadas no rádio da avó.

Hoje, entre treinos e jogos na liga feminina mais competitiva do mundo, Citron continua a alimentar essa ligação com as suas origens africanas. A jovem estrela diz que um dos seus maiores sonhos é visitar Cabo Verde e o Senegal, para conhecer de perto o território onde a sua história começou. “Quero ver com os meus próprios olhos o lugar que moldou a minha mãe e os meus avós. É algo que faz parte de quem eu sou.”

Nos Estados Unidos, Sonia Citron é apontada como uma das grandes promessas do basquetebol feminino. Com uma média de 14,3 pontos por jogo, 4,8 ressaltos e 37,4% de eficácia nos lançamentos de três pontos, está no caminho certo para se tornar uma das figuras de referência da WNBA. Humilde e trabalhadora, diz que ainda há muito por conquistar: “Sou grata por tudo, mas o céu é o limite. E isso sempre foi o caso.”

Mais do que uma atleta, Sonia Citron representa uma nova geração de jovens mulheres que, com talento e disciplina, afirmam o orgulho das suas origens africanas no maior palco do desporto mundial. Cabo Verde tem agora mais um nome para se orgulhar — uma filha da diáspora que brilha sob as luzes da WNBA, mas que guarda o ritmo da morna no coração.

Quando os Escândalos Não Bastam: o Caso Sócrates e o Aviso a Cabo Verde

Lendo o livro “José Sócrates — Ascensão”, do jornalista João Miguel Tavares, emerge uma reflexão oportuna sobre poder, escândalos e responsabilidade política — lição útil também para Cabo Verde.

Lendo o livro “José Sócrates — Ascensão”, do jornalista João Miguel Tavares, compreende-se algo essencial sobre o poder: muitas vezes, os escândalos não derrubam políticos — o que os derruba é a perda de influência e o colapso do sistema que os sustenta.

Tavares escreve que “não foram os escândalos que o derrubaram. Foi a crise económica e a vinda da troika (…). Não foi a acumulação de casos que o destruiu politicamente, foi a diminuição da sua influência.”

Em Portugal, Sócrates resistiu durante anos, mesmo cercado de suspeitas e processos. Só caiu quando o país chegou ao limite da bancarrota e a sua narrativa deixou de convencer. Não foi a moral pública que o travou, foi a realidade.

Este exemplo deve servir de reflexão para Cabo Verde, sobretudo para quem observa o caso de Francisco Carvalho, presidente da Câmara da Praia. A sua gestão tem sido marcada por escândalos, irregularidades, conflitos institucionais e um discurso perigoso — que por vezes parece querer ressuscitar fantasmas do partido único, das milícias e dos “tribunais de zona”. E, no entanto, continua politicamente ativo, como se nada o atingisse.

É aqui que o paralelo com Sócrates se torna inquietante: os escândalos, por si só, não travam líderes carismáticos. Só o fazem quando o sistema deixa de os proteger e quando o povo decide abrir os olhos.

Por isso, é preciso estar atento. Porque, em democracia, não é o barulho dos escândalos que corrige o rumo — é a lucidez dos cidadãos. E, como diz a velha máxima, “o povo é quem mais ordena”.

Mas é preciso lembrar: o povo só ordena bem quando está bem informado e livre da manipulação. Em Cabo Verde, é tempo de escolher entre a ilusão e a lucidez.