Educação vai resolver pendências de 2014 e 2015 até dezembro

Garantia foi dada ao OPAÍS.cv, pela Ministra Maritza Rosabal que falou da transição, da entrada de docentes no quadro do Ministério e das dívidas acumuladas que vêm sendo, paulatinamente, resolvidas

Um processo, referiu a governante, que vem exigindo um enorme esforço orçamental. São muitas as pendências deixadas pelo anterior governo do PAICV, que o atual Governo está a equacionar.

A Ministra da Educação assegura total empenho do seu Ministério para a sua resolução destas questões, como foi, recentemente, a entrada para o Quadro do Ministério de cerca de 314 Professores. Segundo a Ministra, a transição dos docentes que adquiriram a licenciatura entre 2008 e 31 de junho de 2015 foram já resolvidas, estando a decorrer um outro processo para a formação de uma nova lista. “Iniciamos agora um processo novo em que temos uma primeira lista de transição que contempla os docentes que adquiram o grau de licenciatura entre 31 julho 2015 a 31 dezembro 2015 e vamos continuar com o processo. Para já, posso dizer que todas as pendências estão praticamente concluídas”.

No que toca às dívidas para com os docentes, afirma haver compromissos que não foram assumidos pelo anterior governo e que estão a ser analisados. “São serviços em que os docentes não tiveram a redução de carga horária e o governo anterior não pagou. Os montantes são elevados, mas conseguimos pagar todas as dívidas até 2013. Agora em novembro saem as dívidas de 2014 e em dezembro as de 2015”, afiançou.

Consciente das críticas ao novo Estatuto da Carreira do Pessoal Docente, diz Maritza Rosabal que há todo um trabalho a ser feito para a elaboração de uma lista e de uma proposta. “É algo que, de fato, queremos trabalhar porque muitos docentes dizem que este Estatuto não foi suficientemente discutido, que não há tratamento igualitário porque acham que há pessoas que foram beneficiadas em detrimento de outrem. Portanto, estamos a fazer um levantamento de todos os docentes para ver como fazer o enquadramento e para que, também, possamos fazer uma proposta mais consistente de promoção”, antecipou.

Quanto à entrada dos docentes no quadro do Ministério, lembra a tutela os 314 professores cuja lista foi publicada recentemente no Boletim Oficial. Afirma, todavia, haver mais professores em condições de o fazer brevemente. “Já temos docentes com as caraterísticas exigidas por lei e que podiam entrar, há muito, no quadro mas não entraram, por isso estamos a fazer agora um exercício até mesmo para aqueles cujo processo está incompleto no sentido de atualizar o dossiê. Já produzimos a primeira lista, já publicada, de 314 docentes e em dezembro deste ano queremos fechar o processo com professores que estão em condições de acordo com o que está definido na lei”, adianta.

Segundo Maritza Rosabal, este processo de enquadramento dos docentes não tem um peso orçamental, mas sim implicações no vínculo com o Ministério. Relativamente aos números, diz que o bolo total das transições acumulativas era de 600 mil contos o que significa que “o Estado está a fazer um esforço enorme”.

As dívidas de 2017, 2018 e 2019 são elevadíssimas e chegam a 200 mil contos. Porém, acautela, as novas reclassificações a serem publicadas são inferiores.

Consistir em alternativa governativa não está nas prioridades de JHA

Diria que não estarei a dizer nenhuma inconfidência com o título desta minha opinião. Afinal é público e notório a luta titânica que JHA está a travar para se manter no poder no paicv, a todo o custo e meios – fazendo fé nas denúncias internas que vem saindo na imprensa. Ou seja, sabe-se onde está o foco de JHA e consistir em oposição credível com propostas alternativas, claramente não está nas suas prioridades.

Porém, como disse e bem o líder do Partido Socialista em Portugal, António Costa, – que a JHA tanto gosta de citar- “partido, cada um trata do seu”.

Só que a atual “líder” do paicv ainda não percebeu, infelizmente para a nação, que só estaria segura no seu partido se conseguisse convencer o país de que seria alternativa à Governação. E neste quesito, passa completamente ao lado, diria até, a quilómetros.

Prova disto é agora a sua recente deslocação às ilhas do Norte, diga-se de passagem, com toda a legitimidade, mas voltou a perder mais uma boa oportunidade de fazer uma oposição credível e que convença os cabo-verdianos.

Se não vejamos: como é possível que uma líder da oposição com altas responsabilidades no país e num partido do arco do poder, falseie dados e afirme que “apenas 26 jovens beneficiaram de formação profissional”, sabendo que os dados oficiais, que são públicos, dizem, por exemplo, que só de Janeiro a Outubro de 2019, tivemos na formação profissional 302 (trezentos e dois) jovens beneficiados; nos estágios profissionais 341 (trezentos e quarenta e um) jovens estagiários; no startup jovem 53 (cinquenta e três) projetos financiados e mais 40 (quarenta) projetos em fase de aprovação na banca.

Mas pior foi o desdenhar e o apoucar do Fórum Nacional da Juventude que teve o alto patrocínio das Nações Unidas e do PNUD. Isto pressupõe que tais instituições internacionais só são credíveis na governação do paicv. Na do MpD é “gastar dinheiro” segundo as palavras da “líder”.

Mas a falta de respeito mais gritante e de bradar aos céus, foi essencialmente dirigida às mais de duas centenas de jovens, provenientes de todos os cantos do país que durante três dias estiveram presentes e engajados incluindo a presidente da JPAI de São Nicolau. A avaliação que fizeram foi muito positiva.

Faço votos que as eleições internas passem rapidamente, uma vez que a governança de uma nação se faz de situação+oposição e o país também perde na ausência de uma oposição séria com propostas alternativas.

MpD lamenta a forma “rasteira, contínua e continuada” de JHA em fazer política

É a reação oficial do MpD às considerações feitas pela líder da Oposição na sua última visita à ilha de São Vicente

A Comissão Política Regional do MpD em São Vicente, lamentou a forma “rasteira, contínua e continuada” que a Presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada, tem adotado para fazer política e condenou a tentativa de “semear o medo” no seio das populações.

É a reação oficial do MpD às considerações feitas pela líder da Oposição na sua última visita à ilha de São Vicente, em que alegou não conseguir “ver nada de novo” do Governo de Ulisses Correia e Silva, na ilha de São Vicente.

Maria Santos Trigueiros que preside a Comissão Política do MpD na ilha, condenou também a tentativa de JHA em “espalhar” o que considera ser “discurso de desgraça”, que instiga o “caos social”, ao invés de “contribuir positivamente” na busca de soluções que evidenciem um “interesse verdadeiro e o engajamento” de todos no desenvolvimento de Cabo Verde.

“Não deixa de ser, no entanto, curioso, porque é a própria JHA a reconhecer que o País está de fato a crescer a 5%, mas afirma que isso não é suficiente. Então perguntámos: Se com 5% o Governo do MpD não consegue chegar às pessoas, como é que chegava às pessoas no tempo do PAICV quando o crescimento era de apenas 1%”, indagou a líder partidária, para quem a Presidente do PAICV “não conhece” a ilha que visitou estes dias.

Trigueiros foi contundente ao afirmar que o governo do PAICV, de que Janira foi Ministra em 8 dos 15 anos, “nunca quis saber” de São Vicente.

A Presidente da CP admite que JHA está num “jogo”, que passa por “tentar criar” nos cidadãos uma “perceção negativa” sobre vários setores da vida nacional. “O PAICV decidiu adotar como prática uma política de negativismo levada ao extremo”, avaliou.

Milhões investidos

Contrariando JHA, a líder partidária democrata lembra que São Vicente, com o atual Governo do MpD, em parceria com a Autarquia local, tem estado a “investir” na requalificação dos bairros, no saneamento e na reabilitação de casas de famílias mais vulneráveis. “São 530 mil contos de investimentos em requalificação urbana e ambiental”, lembrou Trigueiros, sublinhando que este investimento produz impactos na melhoria da qualidade das localidades, e na qualidade de vida das pessoas. “JHA não vê estes investimentos porque não se desloca aos bairros”, estimou.

“JHA também não consegue ver o investimento de 315 mil contos realizado na asfaltagem da estrada Mindelo/Baía, que durante 15 anos do Governo do PAICV foi prometido e não realizado”, ajuntou, ainda, falando de outros investimentos, como a reabilitação do Centro Nacional de Arte e Design, dos “elevados investimentos” na saúde, nomeadamente, no Hospital Batista de Sousa e no Centro de Terapia Ocupacional de Ribeira da Vinha, no Data Center do Parque Tecnológico do Mindelo, bem como os “investimentos firmes e garantidos” para o Terminal de Cruzeiros, o Campus do Mar, e Cidade Segura. Nada disto “interessa” à Presidente do PAICV, avaliou.

Estagnação

Santos Trigueiros recordou que nos 15 anos de governação do PAICV, o Partido de JHA deixou a ilha de São Vicente com “elevada” taxa de desemprego e estagnação económica, estando a atual maioria, em apenas três anos, a “reverter a situação herdada”. E os dados “não mentem”, clarificou a dirigente do MpD, sublinhando que São Vicente “está a recuperar a dinâmica da sua economia através do setor privado. Há mais confiança dos investidores e dos consumidores, o que tem permitido mais investimentos de empresas nacionais e mais atração de investimento externo, com impacto no emprego”.

“Desmentem ainda as afirmações de JHA, a boa dinâmica e a confiança que se sente nos jovens, hoje, com mais oportunidades de formação profissional, reconversão profissional, estágios profissionais e empreendedorismo”, acentuou.

Trigueiros teve ainda oportunidade de corrigir JHA no que se refere aos números de jovens contemplados com o programa de estágio profissional na ilha. “Foram efetivamente colocados 400 jovens em estágio profissional, enquanto 302 outros jovens beneficiaram de formação profissional em diversas áreas”, clarificou, concluindo que “há razões” para se estar “confiantes”, pois existem “vários investimentos privados” confirmados na área do turismo e do mar para São Vicente.

PCA do CERMI intervém no Fórum de Energias Sustentáveis da CEDEAO

Luís Teixeira está em Acrra, no Gana, tendo feito uma intervenção no painel sobre “Iniciativas para criar capacidade local e forças de trabalho, parcerias locais win-win existentes entre ONG’s e setor privado”

O PCA do Centro de Energias Renováveis e Manutenção Industrial, Luís Teixeira, está na Capital do Gana, Accra, onde participa no Fórum de Energias Sustentáveis da CEDEAO. Ontem, teve oportunidade de apresentar as parcerias que CERMI tem desenvolvido, os projetos nas localidades com impacto na vida das pessoas, nomeadamente, ao nível da bombagem solar de água para agricultura, sistemas fotovoltaicos nas zonas rurais, as formações em curso que beneficiam mais de 500 jovens Cabo-verdianos, o projeto Ancoragem Regional do CERMI, a capacitação dos técnicos dos países da CEDEAO, a formação de jovens de São Tomé e Príncipe, a mobilidade elétrica, e o novo Centro de Competências de Cabo Verde, criado no CERMI em parceria com Centro de Luxemburgo GTB.

“Aproveitei ainda para mostrar a forte aposta que o Governo tem feito na formação profissional, como instrumento de combate à pobreza, inclusão social e criação de empregos jovens”, escreve o CERMI na sua página pessoal, dando conta ainda que o PCA da instituição teve ainda oportunidade para fazer referência à “excelente relação” de parceria que Cabo Verde mantém com os seus parceiros da cooperação internacional, nomeadamente, Luxemburgo, União Europeia, Portugal e Espanha. São parcerias que têm permitido aceder ao financiamento, mobilização de fundos e implementação de projetos de formação e capacitação de recursos humanos.

DJ Tubarom lança “Éh Simé”

O single já se encontra no Youtube e está a fazer sucesso no Facebook

O MC e DJ Tubarom acaba de lançar o seu primeiro single, denominado “Éh Simé”. Em conversa com OPAÍS.cv, este jovem afirma estar “muito feliz e a tremer de alegria”, por concretizar um sonho de infância. É que no passado, André Andrade, de seu nome próprio, fazia parte do Orfeão da Igreja do Nazareno, e como muitos o sonho era ser artista.

DJ Tubarom disse-nos ainda que regressou à música, por incentivos de alguns amigos, como Landrick, Nana Almeida, Ricky Man, entre outros, que lhe desafiaram a gravar o seu primeiro single.

Tratando-se do seu primeiro trabalho, o também animador de rádio, diz, para já, ter dúvidas quanto à continuidade nesta “nova” área, até porque segundo ele, a música foi produzida para que seja usada nos momentos em que apresenta nos festivais.

“Éh Simé” já se encontra no Youtube e está a fazer sucesso no Facebook.

O beat foi produzido por Nana Almeida, ao passo que a masterização foi de Raybeatz de São Vicente, e a letra e melodia de Oudji.

Para além da música, DJ Tubarom está também ligado a várias iniciativas de caris social, sendo um dos mais prestigiados apresentadores de eventos culturais, como festivais de música, que se realizam no País.

Benfica vence na Champions com ajuda do guardião Franco-Português

Rafa fez o primeiro dos encarnados e Depay apontou o golo dos franceses

O Benfica venceu na noite desta terça-feira os franceses do Lyon, em jogo do grupo G da Liga dos Campeões. Rafa Silva e Pizzi fizeram os golos dos encarnados, Depay marcou para a equipa de Rudi Garcia.

O campeão Português inaugurou o marcador aos 4 minutos, por intermédio de Rafa – pouco tempo antes de sair lesionado -, mas o Lyon empatou aos 70, através do holandês Memphis Depay, antes de Pizzi recolocar a equipa lisboeta na corrida pelo apuramento aos oitavos-de-final, fixando o resultado, aos 86, num lance em que o guarda-redes Anthony Lopes fica mal na fotografia.

Na próxima jornada, as “águias” voltam a defrontar o Lyon, mas em França a 5 de novembro.

PN surpreende dois indivíduos a roubar um estabelecimento comercial

Detenção com apoio de vídeo vigilância ocorreu esta manhã

Dois indivíduos do sexo masculino foram detidos em flagrante delito, na Cidade da Praia, ao tentarem roubar uma loja em Palmarejo. As câmaras de videovigilância foram determinantes nesta operação.

A Polícia Nacional teve conhecimento do caso através de videovigilância que se encontrava por perto do local. O Centro de Comando, ao identificar os assaltantes comunicou os agentes de piquete que prontamente agiram.

De acordo com a Polícia Nacional, os invasores foram surpreendidos no local, “onde já tinham provocado danos no edifício, ao tentarem entrar no interior do referido estabelecimento”.

Segundo avança a PN, os mesmos estavam vestidos de preto, com gorros a tapar a cara e na posse de uma catana e uma “faca oitenta”.

Os meliantes foram encaminhados para a Esquadra do Palmarejo e serão apresentados ao Tribunal nas próximas horas.

A LEI SOBRE O ÁLCOOL: Resolve ou cria problemas?

“O homem é um animal racional que perde sempre a cabeça quando é chamado a agir pelos ditames da razão”

Oscar Wilde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o alcoolismo como o hábito de ingerir em excesso bebidas alcoólicas. O beber abusivo traz uma série de implicações no dia-a-dia de quem consome, tanto a nível pessoal, familiar e social.

O álcool é uma das drogas psicotrópicas cujo consumo é legalizado, sendo, em muitas situações, até incentivado o seu uso pela sociedade. Talvez por isso, e não exclusivamente, se inicia cada vez mais cedo o seu consumo por razões que se prendem um pouco com o ritual apelativo da sociedade moderna, associado a uma procura incessante pelo prazer, que, quer queiramos ou não, o álcool se protagoniza como elemento que dá e provoca a sensação de prazer.

As bebidas alcoólicas, desde sempre, fizeram e fazem parte da história da humanidade. Elas estiveram sempre presentes nos principais eventos que moveram a humanidade, tanto para o bem como para o mal.

A prática de consumir bebidas alcoólicas tornou-se cultural, moldando a sua função à medida da evolução e das necessidades das sociedades. A produção de bebidas alcoólicas, na fase inicial, era de baixo teor de álcool e as bebidas eram basicamente produzidas pelo processo de fermentação. Mais tarde, com entrada do processo de destilação, surgido na europa na Idade Média, passou-se a produzir outros tipos de bebidas, agora de natureza destilada.

O homem ao apropriar-se de processos naturais de produção alargou-os a um nível tal que possibilitou o incremento da indústria e do comércio de bebidas alcoólicas, colocando-as no centro da celebração de eventos, tornando-as como personagem omnipresente na história da humanidade.

Contudo, foi a partir da produção industrial que começou a emergir problemas relacionados com o consumo abusivo.

Mas, afinal, o que é o consumo abusivo?

O uso abusivo ocorre quando em consequência da ingestão de bebidas alcoólicas, pontual ou continuada, uma (ou conjuntamente) das quatro áreas de relacionamento é afetada: a social, a interpessoal, a legal e a ocupacional. A afetação da esfera relacional é um ponto importante, mas o aspeto mais relevante a destacar é a incapacidade do indivíduo, por si só, alterar a situação, mesmo estando ciente de que está a prejudicar-se. Este é o ponto crítico a que se pode chegar quando se envereda pelo uso abusivo do álcool, situação para a qual é necessária delinear-se uma estratégia que atenda a diversas dimensões da problemática, e não se contentar com a retórica moralista de condenação, de ostracização ou de estigmatização.

Acontece, porém, que o grosso de pessoas que consome as bebidas alcoólicas não desenvolve a dependência ou um quadro de alcoolismo crónico. Por isso, na análise da situação de consumo de álcool num país, temos de fazer a necessária desagregação de dados para podermos saber, por exemplo: quem consome bebidas alcoólicas, apenas, às refeições; quem as consome só como aperitivo ou digestivo; quem as consome, apenas, em eventos sociais ou simplesmente de forma recreativa; ou quem, ainda, as consome para se embriagar ou as consome de forma compulsiva.

Ademais, temos que contar com aqueles que não bebem ou porque não as apreciam ou porque fizeram uma opção de não beber ou porque a sua religião não os permite.

Face a esses elementos fornecidos e fundados em estudos podem-se definir e implementar políticas focalizadas para os consumidores abusivos, subtraindo-se a ideia falsa de que se ataca tudo e todos.

É preciso separar, claramente, os consumidores abusivos dos chamados consumidores moderados ou dos que fazem uso social de molde a estabelecer o foco necessário quer no discurso quer nas intervenções sobre o campo concreto que se quer atuar e operar a mudança.

A própria Organização Mundial de Saúde (OMS 2011) concorda com o conceito do uso moderado do álcool quando estabelece ou sugere que para evitar eventuais problemas com o álcool, o consumo mais aceitável é de até 15 doses/semana para homens e 10 doses/semana para mulheres, sendo que 1 dose equivale aproximadamente: 350 ml de cerveja ou 150 ml de vinho ou 40 ml de uma bebida destilada.

O Relatório Global sobre Álcool e Saúde 2018, da OMS, indicava que 43% da população mundial com 15 ou mais anos declarou ter consumido álcool no último ano, estimando-se que 44,5% da população global nunca consumiu álcool. Em 2016, a média de consumo per capita mundial era de 6,4 L de álcool puro, o que corresponde a 13,9 g de álcool puro por dia, cerca de 1 dose.

A percentagem de consumidores no mundo diminuiu, desde 2000, passando de 47,6% para 43%, aproximadamente.

Em Cabo Verde, no âmbito de um Colóquio sobre o alcoolismo que antecipava a entrada em vigor da Lei do Álcool, falou-se muito sobre o problema do álcool, mas focou-se muito pouco no que há a fazer e no como fazer.  As tantas, no meio de tantas afirmações, carregadas de ambiguidades, ficou-se por saber se se quer combater o álcool, o alcoolismo ou promover o uso moderado do álcool.

Há uma tendência natural para se empreender combates ou ser-se contra qualquer coisa, por ser aparentemente mais fácil, do que promover positivamente algo que se quer introduzir ou se consolidar no comportamento das pessoas.

Contudo, é sempre bom e louvável qualquer iniciativa que vá no sentido de reduzir o número de cidadãos que fazem uso abusivo de álcool. Se for sob a forma de lei ou de outra, tanto faz. O que interessa fundamentalmente são os reais impactos que as iniciativas terão no comportamento e na atitude das pessoas face ao álcool.

Regra geral, quando se avança para um processo legislativo com um objeto desta natureza, tem-se como alvo ou foco principal a necessidade de se operar uma mudança que, em regra, deve traduzir-se na regulação do que não está bem ou de promover o que se quer afirmar como desejável. Um processo legislativo bem estruturado requer que esteja na posse do legislador estudos atuais que retratem, o mais fiel possível, a realidade a que se destina a lei. O citado estudo deve ser o mais detalhado possível e deve considerar as várias dimensões da problemática, como antes já foi frisado.

Há coisas boas a destacar nesta lei, desde logo: a) a proibição absoluta de publicidade de bebidas alcoólicas; b) a proibição de venda de bebidas alcoólicas nos serviços e organismos da Administração Pública central e local; c) a proibição de venda e do consumo nos locais de trabalho; d) a proibição de venda de bebidas alcoólicas nas proximidades das escolas; e) a promoção de atividades de educação para a saúde no espaço escolar, incluindo atividades que promovam estilos de vida saudáveis. Além disso, a lei absorve disposições que já constavam de leis anteriores como a proibição de venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos ou a vedação de acesso a menores de 18 a locais de venda de bebidas alcoólicas.

Contudo, existem disposições, nesta lei, que deixam muito a desejar, quer do ponto de vista de substância normativa quer do de eficácia, entre as quais apontamos: a) a proibição de menores de 18 anos de consumir bebidas alcoólicas; b) a proibição de beber a quem se encontre embriagado; c) a proibição de venda de bebidas alcoólicas em barracas; d) a proibição de vender bebidas alcoólicas em recintos desportivos; e) a proibição de consumo de bebidas alcoólicas na via pública; f) a proibição de venda ambulante de bebidas alcoólicas; g) a imposição aos funcionários públicos de se submeterem aos testes de alcoolémia se se suspeitar estarem sob o efeito do álcool.

Parece haver uma deriva fundamentalista nesta lei, o que, desde logo, coloca um problema complicado na sua aplicabilidade.

Compreende-se bem que se proíba a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos, mas percebe-se mal que se proíba o consumo de bebidas, de forma absoluta, por parte destes. A proibição de consumo a jovens é meio caminho andado para os incentivar para a transgressão. Transgredindo, pergunta-se: o que se vai fazer com os jovens que tomarem uma ou dois cervejas numa festa ou numa diversão qualquer? Ora se a opção persecutória imperar, as autoridades não teriam outra coisa para fazer do que andar a autuar os jovens por terem bebido uma ou duas cervejas. É mesmo isso que se quer? Vejamos o que a legislação-mãe (portuguesa), mais ponderada, adota: a notificação de jovens consumidores de álcool só ocorre em casos de embriaguez, solução que a lei-filha não adota. Temos o exemplo da proibição de consumo de drogas, chamadas ilícitas, como padjinha, cocaína, crack, etc. para comprovar que a proibição não resolveu e não resolve o problema de consumo, e bem pelo contrário.

Questão semelhante se coloca às situações em que se proíbe o consumo àqueles que se encontrem já manifestamente embriagados. Entende-se e se aceita que se proíba a venda a pessoas nessa situação, mas compreende-se mal que se proíba a uma pessoa alcoolizada de beber, quando claramente já não está na posse do seu livre arbítrio, mas sobretudo se o sujeito é um consumidor compulsivo. Ademais, parece uma distração do legislador: como é que se vai proibir uma pessoa de beber dentro da sua própria casa? A lei-mãe fala na proibição de consumir nos espaços ou locais públicos, o que é compreensível.

A proibição de disponibilização, venda e consumo de bebidas alcoólicas nas barracas, nos recintos desportivos e na via pública só se percebe no quadro dessa deriva moralista e punitivista que já nem olha e nem pondera sobre os efeitos negativos da medida. Não consegue ver que a proibição aqui só vai prejudicar um segmento de trabalhadores por conta-própria (aqueles que vivem da venda das suas azas e pernas de galinha ou do seu peixe frito com a cervejinha) e que ela só vai proteger e engordar aqueles que já estão formalizados em bares, restaurantes ou mercearias. Será que é difícil de entender isso?

Além disso, pergunta-se: o legislador ponderou identificar e promover soluções para essas pessoas em termos de atividades que lhes possam gerar rendimentos para si e suas famílias?  Se a solução é deixá-los a mercê da sorte, pode o legislador crer que com estas medidas estará a fomentar a prática de atividades clandestinas ou seja: a venda e o consumo serão feitos de outra forma, e não se sabe com que vantagem para a política sanitária do país. Por outro lado, com a proibição de consumo na via pública, dentro da aparente lógica de reduzir a oferta, fica difícil de perceber como se vai conciliar a proibição de consumo na via pública com a permissão de consumo de bebidas alcoólicas em espaços públicos como festivais organizadas nas praias.  Interessante é que a lei-mãe não proíbe nada do que a lei-filha sanciona, apenas condiciona que a bebida seja disponibilizada em recipientes de material leve e não contundentes (nomeadamente em festas académicas, concertos musicais, arraiais populares, recinto de espetáculos, etc).

Talvez o ponto mais crítico desta lei é quando se decide pela introdução de teste de alcoolemia para funcionários públicos que aparentem estar sob o efeito do álcool. Não se sabe se nos países muçulmanos existem esta disposição legal, mas não é normal num país que faz alarde de ter na sua constituição um catálogo de direitos e garantias se avance para uma solução desse tipo. Pior: faz-se teste para se indagar se o funcionário tem um grau de alcoolemia superior 0.5 g/l no sangue, e se o tiver, fica com um procedimento disciplinar às costas.  Ora, uma taxa de alcoolemia superior 0.5 g/l sangue poderá corresponder ao consumo de 3 copos de cerveja numa refeição, isso se o indivíduo tiver, pelo menos, uns 70 kilos. Mas o absurdo não fica por aqui: imaginemos um cenário em que um funcionário que bebe às refeições, um dia decide tomar uns 3 copos de cerveja num almoço. O Chefe o vê bem-disposto, mais do que o habitual, decide pedir um teste. Realizado o teste, este acusa uma taxa de alcoolemia de 0.5 g/l. em consequência é-lhe instaurado um processo disciplinar. Mas, o legislador ou o chefe generoso concede-lhe uma saída para não ser sancionado disciplinarmente. A proposta é: se se aceitar submeter-se a tratamento ser-lhe-á suspenso o processo.

Ora bem, pergunta-se: tratar o quê se o funcionário não é dependente?

Esta é uma entre muitas situações em que esta lei trás problemas.

Vejamos, agora, o que diz a lei-mãe sobre a disponibilização e consumo de bebidas alcoólicas nos locais de trabalho da administração pública.  Primeira diferença, ela remete para uma portaria a regulação da matéria; Segunda diferença, interdita a disponibilização, venda e consumo de bebidas alcoólicas nos locais de trabalho da Administração Pública, mas não estabelece teste para os funcionários; Terceira diferença, ela exceciona, permitindo a disponibilização e o consumo de bebidas alcoólicas fermentadas nos locais e nos períodos destinados ao almoço e jantar em quantidades limitadas a um máximo de 25 cl de vinho ou de 33 cl de cerveja por refeição.   

Vê-se aqui, claramente, a diferença de perspetiva: a lei-mãe privilegia a vertente educativa e pedagógica, ensina a beber, moderadamente, enquanto a lei-filha dá primazia a vertente moralista-repressiva.

Não será difícil, pois, de perceber que a nossa lei, por excesso de proibição, perde o contato com a realidade e torna a sua aplicabilidade um pouco duvidosa, para não dizer impossível em muitos casos.

É preciso não perder o foco de que o combate a ser travado é contra o alcoolismo e o uso abusivo de bebidas alcoólicas e não contra todos que mexem com o álcool.

Esperava-se que o legislador, no quadro da política de dificultar o acesso, desse a indicação, no sentido de uma intervenção fiscal que pudesse tornar o acesso mais caro e menos fácil ao álcool, mas tal desiderato parece que não esteve nas suas preocupações.

É preciso não ter receio de, ao mesmo tempo que se faz campanha contra o uso abusivo do álcool, também se desenvolva uma campanha que promova e ensina como se bebe com moderação.

Um papel especial, nessa matéria, se reserva ao sistema educativo como modelador do perfil do homem de amanhã.

É preciso educar, educar, educar para que possamos colher o fruto desse investimento no futuro, recebendo, como ativos, cidadãos responsáveis e cientes dos seus direitos e obrigações.

Davilson Morais apura-se para os quartos-de-final do Mundial de Boxe para Militares

Atleta sobe novamente ao ringue esta quarta-feira, para medir forças com o seu oponente da Venezuela na categoria dos +91 quilogramas

O atleta olímpico Davilson Morais que compete na categoria dos +91 quilograma, na modalidade de boxe, alcançou ontem, 22, a sua primeira vitória nos VII Jogos Militares Mundiais que decorre em Wuhan, na China.

O Militar levou a melhor sobre o seu oponente de Marrocos, conseguindo apura-se para os quartos-de-final. O atleta Nacional sobe novamente ao ringue esta quarta-feira, 23, para medir forças com o seu oponente da Venezuela.

Já o segundo-cabo Hélder Varela, que compete nos 45 quilogramas não teve a mesma sorte tendo perdido o seu combate.

Refira-se que no atletismo, o Primeiro-Cabo Paulo Cardoso vai representar o País nas provas masculinas dos 1500 e 5000 metros, enquanto Zélia Rodrigues vai competir na prova feminina dos 5000 metros.

Recorda-se que esta é a segunda participação de Cabo Verde nos Jogos Militares Mundiais, após a sua primeira em 2011, no Rio de Janeiro, Brasil.

Papa Francisco pede diálogo e fim de manifestações no Chile

Protestos espalharam-se por diversas cidades do País provocando pelo menos 15 mortes e 239 civis e cerca de 50 polícias/militares feridos

O Papa Francisco confessou hoje, durante a audiência geral, celebrada todas as quartas-feiras, na Praça de São Pedro, estar preocupado com a situação que decorre no Chile.

Exprimiu o pontífice o desejo e se pôr um “fim às manifestações violentas” e que, “através do diálogo, se possa trabalhar para encontrar uma solução para a crise, para o bem de toda a população”.

Os protestos, que se espalharam por diversas cidades do País, com barricadas, incêndios e pilhagens, deixaram feridos 239 civis, incluindo 50 policiais e militares e levou a detenção de 2.643 manifestantes.

O Presidente do Chile, Sebastián Piñera, pediu desculpas por não ter sido capaz de ver a situação a que chegou o País e anunciou reformas sociais após cinco dias de protestos que levaram à morte de pelo menos 15 pessoas.